Cinema

Drogas, discussões e Michael Jackson a querer ser o Professor X. O mundo louco do set de “X-Men”

"Sabe que o Professor Xavier é um homem branco de idade", disseram ao Rei da Pop. "Posso usar maquilhagem", respondeu.
E se Michael Jackson tivesse sido escolhido?

Foi há 20 anos que “X-Men” chegou aos cinemas, pela mão de Bryan Singer. As últimas duas décadas deram-nos “Vingadores”, as versões de Batman de Christopher Nolan e um sem número de outros filmes de super-heróis. Mas aquele primeiro “X-Men” ainda é visto como pioneiro, por ter uma visão própria de autor e ao mesmo tempo ter sido um sucesso de audiências.

Duas décadas após o lançamento do filme, velhas e novas histórias ressurgem num trabalho da revista “The Hollywood Reporter” que revela os caricatos episódios no set de filmagens. Entre acusações de assédio que Bryan Singer nega, consumo de drogas e uma acalorada discussão entre argumentistas, há uma panóplia de acontecimentos que marcaram as filmagens onde se inclui uma visita do Rei da Pop.

Um dos produtores executivos que a revista norte-americana cita fala de um Bryan Singer tão talentoso quanto errático no set. E admite ainda que, ao terem dado cobertura ao comportamento do realizador, neste e nos filmes seguintes, criaram “um monstro”.

O realizador levava jovens rapazes para reuniões do projeto que causaram desconfiança. Um dos produtores diz que Singer era “generoso” nesse aspeto, a tal ponto que a dada altura perdeu conta aos amigos que passavam pelo set. Mas há histórias mais sórdidas.

Singer seria acusado, nas filmagens da sequela, três anos depois, de violação. Este caso terminou com acordo entre as partes a outra parte, entenda-se, era um jovem que tinha na altura do alegado episódio 17 anos. Mas houve um outro acordo confidencial nas filmagens do primeiro “X-Men”.

Em causa está um caso envolvendo funcionários da Digital Entertainment Network, que terão sido abusados sexualmente e coagidos a consumir drogas. O caso não envolvia diretamente o realizador. Mas é um dos episódios lembrados na carreira de Singer, onde ao longo dos anos acumulou elogios pelos filmes, sucesso nas bilheteiras e histórias polémicas de bastidores.

Um encontro imediato com o Rei da Pop

As filmagens tiveram ainda birras de atores e discussões menores, algo comum em Hollywood. Mas o casting foi também uma das áreas em que Singer se destacou. Afinal de contas, era precisamente o seu talento, e capacidade de faturar nas bilheteiras, que o protegia.

A escolha de elenco foi um daqueles casos de sucesso. Halle Berry e Hugh Jackman eram duas estrelas que estavam em ascensão quando foram escolhidos. Havia ainda uma combinação de jovens atores, de modelos, como Rebecca Romijn, wrrestlers (Tyler Mane) e atores de renome, com experiência a desempenhar Shakespeare em palco.

Nesta última categoria tínhamos, por exemplo, Patrick Stewart, que desempenharia o papel de Professor X, o telepata e poderoso tutor do grupo de mutantes super-heróis. Curiosamente, foi este o papel que Michael Jackson quis desempenhar.

O Rei da Pop apareceu a dada altura nos antigos estúdios da Fox com o intuito de interpretar o famoso líder dos X-Men. Chegou com os seus característicos óculos de sol e não apertou as mãos a ninguém algo comum nos dias pandémicos de hoje mas que na altura não o era de todo. Michael Jackson lá disse ao que ia.

“Sabe que o Professor Xavier é um homem branco de idade”, disseram-lhe. “Ah, sim. Sabe, eu posso usar maquilhagem”, terá respondido. O cantor fez depois uma elaborada apresentação em que recorreu ainda a “Ghosts”, videclipe em modo curta-metragem de terror que desempenhara. Mas, sabemos bem, não foi o escolhido.

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