Cinema

“Dune”: Um dos filmes mais esperados do ano está a dividir as opiniões dos críticos

Parece que o filme protagonizado por Timothée Chalamet e realizado por Denis Villeneuve não será aquela super obra-prima que tanto desejávamos.
Passa-se num mundo fictício.

É o remake de um filme de sucesso de 1984, com um elenco renovado para um novo público-alvo, não fossem algumas das estrelas de “Dune” as estrelas da nova geração. Como Timotheé Chalamet, protagonista de filmes como “Chama-me Pelo Teu Nome” e “Mulherzinhas”; ou Zendaya, a modelo e atriz que em 2020 ganhou o Emmy de Melhor Atriz num Papel Dramático, ao interpretar Rue em “Euphoria”. O filme é também um presente para todos aqueles que foram ver “Dune” ao cinema quando estreou — ou que descobriram este projeto realizado por David Lynch uns anos mais tarde.

Após um adiamento provocado pela pandemia — visto que devia ter estreado em dezembro de 2020 —, o tão esperado remake de “Dune” foi finalmente lançado no 78.º Festival de Cinema de Veneza. 

Baseado no romance de Frank Herbert, lançado em 1965, tanto o filme original como o remake acompanham o Duque Leto Atreides (Oscar Isaac) que aceita governar um perigoso e deserto planeta chamado Arrakis, embora seja mais vezes chamado de Duna. Lá, é possível encontrar a substância mais valiosa do universo, chamada melange, uma droga que prolonga o tempo de vida de quem o consume. Além disso, a droga fornece um nível avançado da mente e torna possível até viajar mais rápido que a própria velocidade da luz.

O Duque viaja para Arrakis com Bene Gesserit (Souad Faress), Lady Jessica (Rebecca Ferguson) e com Paul Atreides (Timothée Chalamet), o seu filho e herdeiro. Leto Atreides comanda a operação da extração da melange, mas rapidamente percebe que não vai ser uma tarefa fácil, visto que estão rodeados de vermes de areia gigantes, os produtores da droga. Após uma traição, Paul e Jessica são levados aos Fremen, os nativos de Arrakis que vivem nos confins do deserto.

O realizador do filme é um dos principais destaques deste remake. Denis Villeneuve já tinha sido responsável por projetos de ficção científica como “Blade Runner 2049” e “O Primeiro Encontro”.  Porém, e apesar de toda a expetativa criada ao longo dos últimos meses, as avaliações estão a ser mistas entre a crítica especializada.

Owen Gleiberman, da “Variety”, por exemplo, elogia os cenários e as criaturas que vão aparecendo durante o filme, afirmando que a criação daquele mundo fictício merece uma avaliação de cinco estrelas. O problema está, no entanto, na própria narrativa, que é avaliada pelo crítico com apenas duas estrelas e meia, comparando “Dune” a um outro projeto do realizador — “Blade Runner 2049” — afirmando que ambos são bem sucedidos em dar vida a um mundo fantasioso e imersivo, mas que acabam por falhar na parte de contar a história ao público.

Já David Ehrlich, da “Indiewire”, descreve o filme de uma forma mais severa: é uma “desilusão descomunal”. Tal como Owen Gleiberman, Ehrlich baseia grande parte da sua crítica na narrativa, afirmando que embora tenham tentado aprofundar mais as personagens e a sua história, estas acabaram por ser demasiado superficiais num filme que se estende por 155 minutos. O crítico avaliou o filme com um C-.

“Este é um filme tecnicamente brilhante e visualmente maravilhoso com um elenco de luxo e conceitos de ficção científica profundos. É uma pena que a sua primeira metade pareça que está a ser arrastada”, diz Scott Collura, da IGN. Mesmo assim, avaliou o filme com sete estrelas em dez.

Por outro lado, várias críticos têm elogiado o novo projeto de Villeneuve. Ben Travis, da revista “Empire”, afirma que é “uma adaptação absorvente e inspiradora de metade do romance de Frank Herbert que vai surpreender os acólitos já existentes e viciará todos os novatos. Se a segunda parte nunca acontecer, será uma tragédia.” O crítico avaliou o filme com a pontuação máxima de cinco estrelas.

Clarisse Lughrey, do “The Independent”, compara a grandiosidade da adaptação ao cinema de “Dune” com o sucesso cinematográfico da saga “O Senhor Dos Anéis”: “O ‘Dune’ de Villeneuve é o verme da areia a explodir da escuridão. É um filme de tamanha grandiosidade literal e emocional que sobrecarrega os sentidos. Se tudo correr bem, deve restaurar o legado do livro, da mesma maneira que a trilogia de “O Senhor dos Anéis” de Peter Jackson o fez para os livros de J.R.R. Tolkien.” Também Loughrey avaliou a produção com a nota máxima de cinco estrelas.

Stephanie Zacharek, da revista “Time”, não poupou nos elogios aos efeitos especiais do filme, especialmente àqueles dos monstruosos vermes da areia: “Os efeitos especiais, embora extravagantes, são também polidos. Os vermes da areia são motivo de pesadelos, mas a visão de Villeneuve quanto a eles tem uma elegância arrepiante.

Nas redes sociais as opiniões não são tão díspares como as dos críticos, havendo algum consenso sobre os méritos da produção. Lindsey Bahr, membro do “The Associated Press”, descreve o filme como “fantástico”: “Entrei sem saber nada e fiquei completamente hipnotizada por aquele mundo estranho. É entusiasmante e emocionalmente autêntico.” Afirma ainda que chegou mesmo a chorar durante esta experiência visual.

A estreia de “Dune” em Portugal está marcada para o dia 14 de outubro. Até lá, pode carregar na galeria para descobrir os novos filmes que estreiam no País até ao fim do ano.

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