Cinema

Elon Musk é um super-vilão do James Bond (mas na vida real)?

O homem mais rico do mundo quer fazer explodir bombas nucleares em Marte e colocar um chip no cérebro dos seres humanos. E tem outros planos mais originais.
É o homem mais rico do mundo

“Podemos transformar Marte num planeta como a Terra”, explicava Elon Musk no talk show de Steven Colbert, numa conversa sobre o seu plano para habitar o planeta por enquanto inóspito e inabitável. “Podemos aquecê-lo. Há uma forma rápida de o fazer e uma forma lenta.” 

“Qual é a forma rápida”, questionou o apresentador. “A rápida? Explodirmos bombas termonucleares nos polos de Marte.” “És um super-vilão”, concluiu Colbert. “É isso que um super-vilão faz.”

A conclusão parece algo disparatada, mas a verdade é que esta não é a primeira vez que Musk é comparado a figuras como Tony Stark, Dr. Evil ou, mais certeiro ainda, um vilão de um filme de James Bond. A verdade é que as semelhanças estão lá todas.

Na origem desta comparação está sobretudo — mas não só — o plano do homem mais rico do planeta para aquecer a superfície de Marte. O sul-africano acredita que a explosão de milhares de bombas nucleares poderia ajudar os polos a derreter, de forma a libertar dióxido de carbono para a atmosfera, o que provocaria um efeito de estufa que elevaria a temperatura média. Uma espécie de aquecimento global instantâneo.

Musk é, aliás, um fã da saga Bond. Numa reunião com accionistas da Tesla, foi questionado sobre os planos para criar um carro aquático. “É curioso que falem disso. Na verdade, temos um plano para um carro submarino”, confessou o homem que fez questão de gastar mais de um milhão de euros num leilão para adquirir o Lotus submarino usado em “O Espião Que Me Amava”.

O bilionário criador da Tesla é apelidado por muitos de visionário, sobretudo pelo investimento em tecnologias inovadoras. Ergueu do zero a construtora de automóveis elétricos que ajudou a revolucionar a indústria, mas não se ficou por aí. Gradualmente, as suas ideias parecem cada vez mais megalómanas.

Imagine-se um mundo onde os humanos têm um chip implantado no seu cérebro. Uma tecnologia que permite estimular a atividade cerebral e, de certa forma, tornar-nos mais ligados às máquinas, onde tudo ficaria registado. Parece a ideia saída de um guia para o vilão que quer dominar o mundo, mas é apenas mais um dos projetos de Musk.

Claro que, como todos os bons vilões, a tecnologia assenta numa ideia aparentemente benévola: o bilionário espera que o Neuralink, como o batizou, possa ajudar vítimas de lesões na coluna vertebral e com problemas neurológicos. Mais: o projeto já está a ser testado em macacos.

“Esperamos poder testá-lo em humanos — que serão pessoas com problemas de saúde como tetraplégicos ou quadriplégicos — já no próximo ano, enquanto esperamos pela aprovação da FDA”, explicou recentemente.

Na visão de Musk, são estes chips que nos vão proteger de um cenário apocalíptico como o de “O Exterminador”, onde as máquinas adquirem consciência e eliminam os seres humanos. “Quero vigiar o que está a acontecer com a inteligência artificial”, explicou em 2014. “Já foram feitos alguns filmes sobre isso, como ‘O Exterminador’ e há visões futuras assustadoras.” Voltou a tocar no tema em 2017, onde citou a sua Neuralink com uma ferramenta preventiva para esta ameaça, ligando desde logo os seres humanos às máquinas.

Não é o único projeto revolucionário que Musk tem na manga. Além da Tesla e da Neuralink, é também o criador do Hyperloop, um meio de transporte de alta velocidade que viajará através de túneis — e que teve o seu primeiro teste real com humanos em 2020.

Igualmente com cobaias humanas, mas desta vez no espaço, Musk é um dos bilionários na corrida pelo espaço, graças à sua SpaceX. Não só arrancou com as viagens turísticas, mas é uma empresa detentora de várias tecnologias revolucionárias que pretendem simplificar as viagens espaciais. A empresa está até a trabalhar em conjunto com a NASA.

E nos tempos livres? A sua The Boring Company dedica-se também a desenvolver produtos bizarros, como o lança-chamas que foi um êxito de vendas, com 20 mil unidades vendidas num ápice. Hoje, a arma — que a lei diz que é ilegal, quando usada para outros fins que não agricultura ou construção — é vendida por valores acima dos quatro mil euros.

É fácil de perceber porque é que Musk é tantas vezes associado às figuras dos vilões de Bond. Quem não se recorda de Max Zorin e do seu plano para rebentar uma bomba nuclear nas falhas tectónicas de Silicon Valley, de forma a aniquilar a concorrência e torná-lo no único magnata dos microchips? Ou do raio laser disparado do espaço pelo Coronel Tan-Sun Moon?

Certamente que não ajudou à sua fama o facto de ter batizado o seu sexto filho — e primeiro da relação com a artista Grimes — de X Æ A-12, numa mescla de termos que significam Inteligência Artificial e o seu avião favorito, o A-12.

Enquanto o veredito não sai sobre se Musk é verdadeiramente um visionário ou um vilão — ou ambos? —, o bilionário parece cada vez mais interventivo no cenário político. Das suas lutas contra leis laborais — é acusado de suprimir a formação de sindicatos nas suas fábricas — aos pacotes legislativos de incentivos à economia de Joe Biden, parece cada vez mais um opositor à atual administração norte-americana. E, quem sabe, se não será um futuro candidato à Casa Branca?

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