Cinema

A emocionante história da primeira Barbie negra já chegou à Netflix

A boneca permitiu que milhões de miúdas se vissem representadas num brinquedo — e alterou para sempre o curso da história.
Tornou-se um ícone.

A saga da Barbie continua. Após o sucesso estrondoso do filme protagonizado por Margot Robbie, chegou à Netflix um documentário sobre a história da primeira boneca negra da Mattel. “Black Barbie” foi lançado esta quarta-feira, 19 de junho.

É precisamente neste dia que se assinala o Juneteenth, uma data comemorativa nos Estados Unidos que marca a libertação dos últimos escravos no estado do Texas, a 19 de junho de 1865. Atualmente, é um dia em que se celebra a emancipação dos afro-americanos e a sua luta contínua por igualdade e justiça social.

O novo documentário da Netflix aborda a conceção da primeira Barbie negra em 1980 e apresenta os relatos de figuras afro-americanas que possuíram um exemplar — quer da versão original, quer das subsequentes. Entre os participantes encontram-se Shonda Rhimes, que produziu o filme, a bailarina Misty Copeland e a atleta olímpica Ibtihaj Muhammad.

Na produção, alguns psicólogos também mencionam os benefícios dos jovens negros poderem escolher entre uma variedade de bonecos que se assemelhem a eles. A expectativa dos produtores é que os espectadores possam perceber que estas Barbies representam apenas uma parte do que “é ser negro na América”, explicou a realizadora, Laqueria Davis, à revista “Time”.

A cineasta explica que não costumava entreter-se com aquele tipo de brinquedos quando era mais nova e vivia no Texas. Depois mudou-se para Los Angeles, onde viveu com a tia Beulah Mae Mitchell enquanto tentava perseguir uma carreira em Hollywood. A casa estava de cheia de bonecas porque a tia trabalhava na fábrica da Mattel, na linha de produção.

Nos anos 60, pouco depois da primeira Barbie ser lançada em 1959, Beulah teve uma breve conversa com Ruth Handler, a criadora deste ícone da história. Isto porque Ruth gostava de tirar um tempo para caminhar pela fábrica e pedir novas ideias aos trabalhadores. Mitchell pediu, sem receios, para criar uma Barbie negra.

Apesar de não ter sido concretizado, o pedido foi ouvido e, no final daquela década, a marca lançou as primeiras amigas negras da Barbie, chamadas Christie e Cara. Por volta da mesma altura, fundou uma fábrica chamada Shindana cujo principal objetivo era criar figuras que tivessem uma aparência semelhante às pessoas negras.

Os responsáveis por este projeto, Lou Smith e Robert Hall, queriam abordar a pobreza e a taxa de desemprego cada vez maior no sul de Los Angeles e por todos os Estados Unidos da América. No documentário, o filho de Lou explica que a solução do pai foi criar bonecos e bonecas negros para que os miúdos conseguissem ter uma “autoimagem mais positiva”.

No entanto, nenhum destes produtos esteve sob a marca Barbie até 1980, quando a Mattel contratou uma designer chamada Kitty Black Perkins — que rapidamente se tornou amiga de Beulah Mae Mitchell, que já tinha um cargo superior na empresa. “Não achas que deviam fazer uma boneca com feições semelhantes às das pessoas negras?”, perguntou Kitty a Beulah.

Num momento enternecedor, reúnem-se no documentário e Perkins explica que desenhou “a Barbie negra para ser o oposto da loira”, com um colar mais grosso, lábios mais carnudos, um nariz maior e uma saia aberta de lado inspirada em Diana Ross. O protótipo do cabelo afro ficou a cargo de Mellie Phillips, que já trabalhava neste departamento dentro da empresa.

Com o passar do tempo, a Mattel tornou-se ainda mais inclusiva. Atualmente existem Barbies com 35 tons de pele, 97 penteados e nove tipos de corpo. “Dizemos que a representatividade é importante, mas muitas vezes isso é apenas utilizado como um cliché sem impacto. Neste filme, demonstramos que realmente faz a diferença e pode transformar vidas”, conclui Laqueria Davis.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estreiam em junho nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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