2025 terminou com menos um marco cultural no bairro de Benfica, em Lisboa. A 31 de dezembro, o Cine-Bar Turim encerrou após dois anos em atividade ininterrupta. A decisão resulta de “desafios organizacionais e de um plano de transição para um novo conceito que quer ser mais sustentável e com maior envolvimento da comunidade local”, segundo os responsáveis. Não é, então, o fim do espaço, que deverá reabrir em março com outra identidade.
O projeto nasceu com o intuito de reviver o histórico Cine-Teatro Turim, local emblemático do bairro que abriu originalmente como cinema, a 30 de setembro de 1983. O filme inaugural foi “A Luz da Paixão”, de Costa-Gavras, numa sala situada na cave do centro comercial homónimo.
Ao longo das décadas manteve-se como ponto de encontro para várias gerações, até ao seu primeiro encerramento em 2007. Depois, passaram por ali outros conceitos. Entre 2010 e 2015, por exemplo, foi um teatro. Nessa altura, quando fechou mais uma vez, recebeu uma profunda reabilitação, para reabrir as portas em setembro de 2023.
O Cine-Bar Turim, até agora gerido pela Associação Menino da Lágrima, funcionou como um dos polos deste projeto renovado, combinando bar, programação musical, cinema, jogos retro e outras atividades culturais. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, as dificuldades começaram com a própria estrutura da associação parceira.
“É constituída maioritariamente por pessoas que trabalham em áreas completamente distintas. Tornou-se difícil para eles cumprirem as obrigações públicas do contrato, como a cafetaria e o cinema que nem sempre estavam abertos”, conta à NiT.
O responsável admite que a colaboração foi boa, mas o modelo de funcionamento limitado a sextas-feiras e sábados já não satisfazia as necessidades do espaço e da própria comunidade. “Tem de estar aberto todos os dias”, realça. A 28 de fevereiro, o grupo vai abandonar oficialmente o projeto.
Esta decisão, contudo, não veio apenas da parte da Junta de Freguesia de Benfica, mas também da própria Menino da Lágrima. A abertura de um concurso público para atrair novas entidades candidatas a gerir o Turim tem sido preparada desde o verão passado. Se tudo correr conforme planeado, vai reabrir no primeiro dia de março.
Segundo o autarca, já houve várias reuniões com grupos interessados, sendo um deles liderado pelo rapper Valete, que pensou numa linha mais “cosmopolita e indie” para o espaço. Várias empresas de restauração também mostraram interesse.
“Tem de ser uma entidade que consiga manter o conceito que nós pensámos e que possa manter o espaço aberto todos os dias. Antes, durante a semana, a oferta era escassa e não conseguia atrair o público de Benfica para lá.”
A médio prazo, o objetivo é tornar o Turim num espaço mais diversificado e apelativo à população de Benfica, especialmente para os mais novos. “Queremos que seja um lugar em que os alunos vão para estudar e estarem juntos”, sublinha.
As ideias não param e Ricardo Marques revela que, a partir de março, poderá haver cinema e teatro infantil, um espaço para festas de aniversário — um pedido frequente da comunidade — e ainda iniciativas regulares para o público sénior. Nas “quartas-feiras culturais” serão apresentados novos nomes da música portuguesa, reforçando assim o papel histórico da casa como espaço de lançamento de artistas.

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