Cinema

Espectadores dizem que o novo “365 Dias” tem demasiadas cenas de sexo

Os subscritores da Netflix alegam que o filme não tem história suficiente. “É um longo videoclipe com má pornografia.”
Está confirmado um terceiro filme.

Foi a 27 de abril que chegou à Netflix “365 Dias: Naquele Dia”, o segundo filme da saga polaca baseada nos livros de Blanka Lipinska. Conta uma história de contornos eróticos sobre um mafioso italiano e a sua mulher — além dos ciúmes e traições que enfrentam na relação.

Se o primeiro filme se tornou num enorme êxito de audiências — e também um projeto controverso — graças às cenas íntimas, neste segundo filme (em que a Netflix já esteve diretamente envolvida na produção) parece que esses momentos são ainda mais intensos e presentes ao longo de uma hora e 46 minutos de história.

Nas redes sociais, esses têm sido os comentários mais publicados pelos espectadores que têm assistido ao filme. Muitos apontam mesmo a falta de qualidade de “365 Dias: Naquele Dia”, alegando que apenas se foca nas cenas de sexo. Isso não tem impedido o filme de ser visto, pelo contrário: em Portugal ocupa a liderança do top 10 das tendências.

“Estou a ver a sequela do ‘365 Dias’, já vi 40 minutos e não aconteceu absolutamente nada. Não há história, só cenas de sexo”, escreveu um subscritor da Netflix. Outro comentou: “‘365 Dias: Naquele Dia’ é tão horrível. Quer dizer, eu ia com expectativas baixas, mas já passaram 15 minutos e o que temos são apenas cenas sexuais constrangedoras que se parecem muito mais com uma versão alargada de um videoclipe para uma playlist sensual”.

Os “15 minutos de ‘365 Dias’ e já são demasiado sexo para mim”, escreveu outra pessoa. “O novo filme não tem história, não sei se sou pudico mas não consigo lidar com uma cena sexual literalmente a cada cinco minutos”, acrescentou outro espectador.

Há muitos mais comentários. “Acabei agora o novo ‘365 Dias’, as cenas de sexo são 10/10. Contudo, tudo foi hipersexualizado e exagerado. Aquela cena sexual de golfe desnecessária…” Outra pessoa escreveu: “É um longo videoclipe com má pornografia”.

A cena que se passa no campo de golfe foi bastante comentada. “Vi 17 minutos do ‘365 Dias’ e até agora tudo o que tivemos foi cena de sexo atrás de cena de sexo, não há diálogos e um plano de ele a usar a vagina dela como buraco de golfe.”

O primeiro filme, que estreou em 2020, está novamente no top 10 das tendências nacionais do catálogo — neste momento ocupa o quarto lugar. Na altura da estreia, chegou às tendências da plataforma de streaming em mais de 90 países e foi o quarto filme mais pesquisado do ano em todo o mundo no Google — o que é impressionante, tendo em conta que se trata de uma produção polaca sem atores mundialmente famosos.

A polémica gerada também terá atraído mais espectadores curiosos. O filme foi acusado de contribuir para a cultura da violação, num abaixo-assinado enviado à Netflix que apelava a que “365 Dias” fosse retirado da plataforma. A cantora Duffy também se dirigiu publicamente à empresa e arrasou o filme por romancear “a brutal realidade do tráfico sexual”. A empresa recusou as alegações, lembrando o aviso que alerta para as cenas de sexo e violência, e explicando que era um conteúdo adquirido, não uma produção própria.

Ambos os filmes foram realizados por Barbara Bialowas e Tomasz Mandes. O diretor de fotografia Bartek Cierlica, que também trabalhou em ambos os projetos, falou em 2020 com a revista “Variety” sobre como foi criar um “ambiente íntimo” para que os atores pudessem desempenhar as cenas mais explícitas.

“Queríamos que o sexo parecesse real. Queríamos que o espectador ouvisse os sussurros, as respirações profundas e queríamos mostrar o suor, a paixão. Que fosse natural, autêntico, mas sem ultrapassar a fronteira da pornografia”, frisou o profissional na altura.

“Não queríamos criar pornografia, mas, ao mesmo tempo, queríamos fazer justiça ao livro, que está recheado de descrições muito íntimas sobre sexo apaixonado. Sabia que, como diretor de fotografia, estava a pisar uma linha muito ténue. É sempre desafiante quando tens que concretizar uma história que as pessoas já conhecem. Aqui o desafio foi duplo — como torná-la sedutora e erótica sem ultrapassar as fronteiras do bom gosto e da minha estética”, acrescentou.

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