Cinema

Esta frase no final de “Michael” pode ter revelado que vem aí um segundo filme

O enorme sucesso nas bilheteiras da biopic já levou Hollywood a discutir uma sequela que retrate os anos mais polémicos do cantor.

O filme ainda agora chegou aos cinemas, mas em Hollywood já se fala numa continuação. “Michael”, a biopic dedicada a Michael Jackson, termina com a frase “His story continues” (“A história dele continua”) antes dos créditos finais e tudo indica que essa não foi apenas uma provocação para os fãs.

Segundo o “Hollywood Reporter”, a possibilidade de um segundo filme começou a ganhar força nos bastidores durante os últimos meses, à medida que os estúdios perceberam o potencial comercial da produção. O filme estreou a 24 de abril e está a tornar-se um fenómeno de bilheteira: a “Forbes” refere que já ultrapassou os 100 milhões de dólares em receitas e poderá aproximar-se dos mil milhões a nível global.

A frase final terá sido adicionada relativamente tarde no processo de montagem do filme. Segundo a “Forbes”, só foi incluída há cerca de um mês, quando os estúdios Lionsgate e Universal perceberam que a obra poderia tornar-se um sucesso mundial.

Embora a continuação ainda não tenha sido oficialmente confirmada, vários responsáveis do projeto admitem que está a ser discutida. Adam Fogelson, presidente da Lionsgate Motion Picture Group, disse que “há claramente mais história para contar”, aqui citado pelo “Hollywood Reporter” e garantiu que a equipa já se preparou para essa possibilidade. “Se o público mostrar que quer mais, estamos prontos para avançar mais cedo do que tarde”, afirmou.

Também Graham King, produtor da biopic, confirmou que existem ideias em cima da mesa. “Estamos definitivamente a pensar em algumas possibilidades”, revelou.

O mais curioso é que “Michael” nunca foi pensado originalmente como um projeto dividido em duas partes. No entanto, os vários atrasos, regravações e mudanças no argumento acabaram por abrir espaço para essa hipótese.

Segundo o “Hollywood Reporter”, versões iniciais do filme incluíam as acusações de abuso sexual contra Michael Jackson e cenas relacionadas com as investigações policiais em Neverland. Mas acabou por ser alterado depois de surgirem problemas legais ligados a um acordo antigo entre o espólio de Michael Jackson e um dos acusadores do cantor, que impedia a sua representação em projetos comerciais futuros.

O realizador Antoine Fuqua chegou mesmo a explicar à revista “The New Yorker” que filmou cenas duras relacionadas com as investigações policiais, dizendo que Michael Jackson foi “tratado como um monstro”. No entanto, o filme acabou por seguir outro caminho, focando-se sobretudo na música, nos concertos e na ascensão artística do cantor.

Michael” acompanha o percurso do artista até 1988, depois da digressão “Bad”, deixando de fora toda a fase mais polémica da sua vida, precisamente o período que poderá servir de base para a sequela. Um eventual segundo filme deverá mergulhar nos anos 90 e 2000, incluindo as digressões “Dangerous” e “HIStory”, os casamentos com Lisa Marie Presley e Debbie Rowe, mas também as acusações de abuso sexual, os julgamentos e a morte do cantor em 2009.

A publicação refere ainda que já existe bastante material filmado que poderá ser reutilizado numa continuação, incluindo imagens de concertos e sequências ligadas às grandes digressões mundiais. Isso poderá acelerar bastante a produção. Colman Domingo, ator que interpreta Joe Jackson, já tinha sugerido essa possibilidade numa entrevista anterior. “Há hipótese de existir uma segunda parte que lide com outras coisas que aconteceram mais tarde”, afirmou.

Ainda assim, a eventual continuação levanta várias dúvidas em Hollywood. Uma delas passa precisamente pela forma como o filme irá abordar as polémicas mais delicadas da vida de Michael Jackson. O “Hollywood Reporter” sublinha que muitos críticos continuam a acusar a primeira biopic de “branquear” ou evitar as zonas mais sombrias da história do cantor.

Apesar disso, o sucesso comercial parece estar a falar mais alto. A “Forbes” refere que a produção poderá tornar-se a biopic mais lucrativa de sempre, ultrapassando até “Bohemian Rhapsody” que retrata a história de Freddie Mercury, líder dos Queen, também produzido por Graham King.

Carregue na galeria para conhecer os filmes que estrearam em maio no streaming.

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