Cinema

Vem aí um documentário para celebrar os 80 anos de carreira de Eunice Muñoz

Tiago Durão é o realizador do filme que observa a vida quotidiana na casa de Eunice e da neta Lídia Muñoz, também ela atriz.
a atriz e a neta

“Eunice, Ou Carta a Uma Jovem Actriz”. É este o título do mais recente filme dirigido por Tiago Durão sobre a atriz Eunice Muñoz e a sua neta, Lídia Muñoz, na sua convivência diária, fora dos palcos. A antestreia está marcada para 3 de outubro, chegando a 32 salas de cinema a nível nacional cerca de um mês depois, a 4 de novembro. Os lucros de bilheteira reverterão para a Casa do Artista.

Quase como uma passagem de testemunho para Lídia Muñoz, também ela atriz, este filme foi também produzido para celebrar os 80 anos de carreira de uma atriz e tornar-se ainda a memória derradeira de uma “mulher normal, como todas as outras”. Eunice vem de uma família de atores e estreou-se há 80 anos, em 1941, com a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro. As duas atrizes, avó e neta, têm partilhado palco naquela que será a derradeira peça de Eunice. “A Margem do Tempo” está em cena no Auditório Municipal de Oeiras até 26 de setembro.

“Decidi que era altura de passar o testemunho e de ver continuado o sonho do teatro pela minha neta Lídia. Um testemunho que passo orgulhosamente e que quis ver registado pelo cinema”, disse Eunice Muñoz na apresentação do filme à imprensa, esta terça-feira, no Cinema São Jorge. “O cinema, mais eterno do que o teatro, conseguiu registar pela lente do Tiago uma passagem de testemunho que era minha vontade manifesta e procurou filmar-me como eu sou, uma mulher normal, como todas as outras, mas que é atriz. Não por escolha apenas, mas por imposição do teatro.” 

A jovem atriz, nos excertos antecipados esta terça-feira, surge junto da avó, na casa em que moram, a dar de comer aos pombos e ver fotografias antigas de Eunice. Lídia Muñoz começa por dizer: “Não sei se é um filme, se é um documentário, se é um lugar de verdade ou de memória. Sei que ali vejo a minha avó como a vejo todos os dias. Sei que existe verdade e que um dia será uma memória, uma memória que julgo necessária a um País que teima em não se lembrar dos seus mais velhos com que temos uma dívida de gratidão que nunca poderemos pagar”.

O filme agora produzido conta com o alto patrocínio do Presidente da República e da Assembleia da República, que se destacam entre os demais apoios. “Assisti a todas as etapas do trabalho e achei que não podia existir melhor lugar de memória, porque é assim que eu sou, porque é assim que quero que guardem uma memória de mim”, sublinhou Eunice Munõz, de 93 anos.

Além das imagens inéditas da família, o filme inclui imagens de arquivo e conta com três participações especiais: na narração, de Ruy de Carvalho e Luís Miguel Cintra; e, no piano, de Maria João Pires.

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