Cinema

“Fantasia fashion”. Crítica diz que “O Diabo Veste Prada 2″ é melhor do que o original

As primeiras crónicas elogiam os temas que o filme explora, numa narrativa criativa. Estreou esta quarta-feira em Portugal.

Numa era de reboots e revivals — muitos deles desnecessários —, o regresso de “O Diabo Veste Prada” parece ter escapado à armadilha. A sequela estreou nas salas portuguesas esta quarta-feira, 29 de abril, mas agora num mundo onde tudo é diferente: o mercado editorial, as tendências de moda e acessórios e até o cinema.

Para surpresa dos mais pessimistas, a produção está a ser elogiada pelos espectadores como “encantadora” e “deliciosa”, começa por mencionar o jornal “The Independent”, que destaca a forma como vários críticos aplaudem o uso da atualidade e a “exploração dos média modernos”.

“Por mais cínicos que nos possamos ter tornado em relação ao estado da escrita, da alfabetização, da capacidade de atenção e de um público que continua à procura de conteúdo clicável, ‘O Diabo Veste Prada 2′ tem muito a dizer sobre para onde o mercado editorial ainda pode ir”, concorda a “Rolling Stone”. 

Nesta sequela, a história foca-se no regresso de Andy Sachs, interpretada por Hathaway, ao mundo da moda, mais precisamente à revista “Runway”, numa altura em que Miranda Priestly (Streep) enfrenta o declínio da imprensa escrita. A veterana vê-se ainda obrigada a confrontar a sua antiga assistente, Emily (Blunt), que controla receitas publicitárias essenciais para a publicação.

Além de Meryl Streep, Anne Hathaway e Emily Blunt, o ator Stanley Tucci regressa ao papel de Nigel, o braço direito de Miranda e confidente de Andy. Tracie Thoms e Irv Ravitz fazem igualmente parte do elenco da sequela. No meio de todo este elenco surge ainda Lady Gaga.

Ao descrever o filme de David Frankel como “uma sequela que não só mostra o crescimento das personagens, mas também reflete como o mundo mudou”, o redator do canal “WatchMojo”, Nick Space, frisou que se trata “de uma exploração surpreendentemente oportuna e como até mesmo ícones se esforçam mais do que nunca para se manterem visíveis nesse cenário”.

Apesar de várias “imperfeições”, é apontado pela revista “Time” como um filme “melhor do que o seu antecessor”. “Trata-se de uma fantasia fashion melancólica, um filme que é surpreendentemente honesto sobre o estado das revistas e como isso afeta nossa percepção da moda hoje”, acrescentou a publicação.

Entre os problemas na narrativa, destaca-se uma “tensão insuficiente para sustentar a história” e personagens que “afirmam importar-se com o jornalismo sério acima de tudo, mas que se deixam levar com muita facilidade pelo fascínio dos imóveis luxuosos e caros de Nova Iorque, que poucos jornalistas de verdade poderiam pagar.

Outra das principais críticas tem a ver com “o romance inexplicavelmente monótono e sem química de Andy com um magnata imobiliário australiano tedioso”, segundo o jornal britânico “The Guardian”. 

Ainda assim, esta produção não deixa de ser uma evolução para a “Time”, que recorda que, no original, não era demonstrado “qualquer apreço pela moda” e que, em vez disso, a indústria era apresentada como “algo ridículo” e “merecedor do nosso escárnio”.

Em “O Diabo Veste Prada 2”, a abordagem é completamente diferente. “Torna-se, ao mesmo tempo, mais afetuoso com a moda e mais ferozmente protetor daquilo que, na sua melhor forma, ela pode ser”, diz o crítico da revista norte-americana. “De maneira ainda mais ampla, reflete sobre o que significa viver num mundo que parece importar-se mais com a busca pela próxima emoção do que com a busca pela beleza.”

A “Variety” concorda que a sequela foi realizada “com inteligência e respeito tanto pelo seu antecessor quanto pelas legiões de fãs que ainda o amam, ao ponto de funcionar menos como uma continuação do que como uma espécie de tributo, embora com todo o elenco original “.

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