Mesmo quando já estava inconsciente no chão, os agressores não pararam. Durante mais de dez minutos, Fernando José Báez Sosa foi espancado e pontapeado. As hemorragias internas sucederam-se e acabou por morrer, minutos depois de viver uma das melhores noites com os amigos numa discoteca.
Filho de Silvino Báez e Graciela Sosa, dois migrantes paraguaios, estava de férias com o grupo quando, de madrugada, foi atacado por oito jovens, todos ligados ao rugby, à saída da discoteca Le Brique, na zona turística de Villa Gesell, em Buenos Aires.
A sua morte, a 18 de janeiro de 2020, abalou a Argentina, mas a comoção foi rapidamente abafada pela chegada da pandemia da Covid-19. Quase quatro anos depois, o caso volta a ser lembrado em “50 Segundos: O Caso Fernando Báez Sosa”, série documental que estreou esta quinta-feira, 13 de novembro, na Netflix.
A investigação revelou que Fernando, com 18 anos, e os amigos tinham sido expulsos do espaço após um confronto com o outro grupo. Já no exterior, foi reconhecido ao longe pelos agressores, atacado por trás e agredido com socos e pontapés. Ainda consciente, caiu no chão, onde continuou a ser brutalmente agredido, sobretudo na zona da cabeça, o que provocou as lesões internas fatais.
O ataque foi registado por um telemóvel e as imagens partilhadas em grupos de WhatsApp, onde os agressores se vangloriaram do que tinham feito. Essas mensagens tornaram-se provas cruciais no processo.
Desde o início da investigação, o Ministério Público considerou o crime como homicídio duplamente agravado, por premeditação e por se ter formado um grupo contra uma única vítima. A hipótese de rixa foi afastada, e, em audiência, o procurador afirmou que “os oito acusados são co-autores” porque “tiveram a possibilidade de empreender, prosseguir e deter o curso causal do delito”.
O julgamento teve início em 2023, no Tribunal Oral Criminal N.º 1 de Dolores, a cerca de 220 quilómetros da capital argentina, e foi acompanhado de perto pelos meios de comunicação. A 6 de fevereiro, foi lida a sentença: cinco dos jovens — Máximo Thomsen, Ciro Pertossi, Matías Benicelli, Luciano Pertossi e Enzo Comelli — foram condenados a prisão perpétua por homicídio duplamente agravado. Os outros três — Ayrton Viollaz, Blas Cinalli e Lucas Pertossi — receberam penas de 15 anos de prisão por participação secundária.
Após a leitura, o pai de Fernando, Silvino Báez, disse estar surpreendido. “Esperava pelo menos 25 anos para os outros três”, confessou. “O meu filho era a luz na vida de todas as pessoas à sua volta e mataram-no. Tem de ser feita justiça”, acrescentou.
O advogado da família, Fernando Andrés Burlando, declarou a vários meios de comunicação, à saída do tribunal, que esperava que a morte do jovem marcasse um ponto de viragem. “Algumas estruturas sociais e que sirva para melhorar as relações familiares e o cuidado dos filhos, que são o nosso dom mais precioso”. Os recursos pendentes continuam a decorrer para os condenados às penas mais leves.
A série da Netflix explora não só a infância e personalidade de Fernando José Báez Sosa, mas também a violência em grupo, o funcionamento da justiça e a forma como os media cobriram o caso. É o retrato de uma família destruída, que descreve o seu dia a dia como “uma vida que já não é vida”.
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