Cinema

O filho metaleiro (e desordeiro) de Nicolas Cage quer ser uma estrela como o pai

Foi vocalista de black metal, criou o seu próprio género musical e já recebe papéis de protagonista.
Tal pai, tal filho?

Aparece durante breves segundos, de Kalashnikov na mão. Um papel curto que serviu apenas para fazer companhia ao pai, a estrela de “Lord of War”, Nicolas Cage. Seria o primeiro papel de Weston, mas não o último.

Quinze anos depois e ao fim de várias aventuras noutras áreas, o filho parece querer mesmo seguir os passos do pai. E ao contrário de Nic Cage, o ator de 30 anos puxa de todas as armas, até o seu outro grande apelido: Weston Cage Coppola, mais conhecido por ser do tio-avô e mítico cineasta Francis Ford Coppola.

Agora, foi o vilão em “Assault on VA-33”, filme de ação que estreou a 2 de abril. Nele, assume o papel de Adrian Rabikov, o chefe de um grupo terrorista russo que invade um hospital — e que será combatido por um militar veterano ao bom estilo de “Die Hard”.

A performance de Weston Coppola é um dos pontos altos de um filme para esquecer, revelam os críticos. Um anúncio promissor para a carreira do jovem ator que nasceu da relação com Christina Fulton, em 1988.

Apesar da relação turbulenta dos pais — Fulton tentou processar Cage em 2009 e exigiu o pagamento de mais de 10 milhões, que não procedeu porque o ator estava em dificuldades —, Weston manteve-se por perto do pai. Tanto que chegaram a participar em vários projetos juntos, além da breve interação em “Lord of War”. Mas o cinema nem sempre foi a primeira opção.

Cabelos compridos, olhos azuis, voz gutural e muita maquilhagem. Antes do cinema veio o wrestling na escola e, depois, a música, mais especificamente o black metal.

A “fase rebelde”

Era um adolescente quando se deixou influenciar pelo rock mais pesado, primeiro a ouvir Rammstein e System of a Down, depois sons mais obscuros, de Dimmu Borgir a Cradle of Filth. Acabaria por criar os Eyes of Noctum em 2006, que se iriam separar em 2012.

Weston era um adolescente rico e, com a ajuda do pai, conseguiu levar os colegas de banda ao berço do género para gravarem com Fredrik Nordstrom, conhecido produtor escandinavo.

Para entrar no papel, adotou o estilo habitual dos metaleiros: roupa preta, cabelos pretos e longos, piercings, tatuagens, maquilhagem negra. Não passava despercebido. E o pai? Bem, esse apoiava.

“O meu pai era um grande apoio, mas estava a afastar-me da minha mãe nessa altura”, revelou em entrevista à “Vice”.

O apelido denunciava-o e se por vezes era uma vantagem, noutras ocasiões era um problema com o qual tinha que lidar. Sobretudo quando se mostravam espantados por ver o filho de Nicolas Cage como vocalista de black metal.

“Lidava com isso da mesma forma que alguém lidaria com racismo ou com perseguição religiosa. As pessoas têm uma ideia pré-concebida de que eu cresci recheado de privilégios, mas não imaginam quão negro pode tornar-se viver numa casa daquelas. Usava isso como a minha gasolina”, conta. Talvez por isso tenha adotado um nome de palco: Arcane.

Os Eyes of Noctum terminaram com uma zanga. Os outros membros queriam deixar de usar violoncelos e violinos. Weston passou a “desprezar a banda”. E decidiu lançar-se sozinho e criar um novo género musical, o ghost metal.

“Quero que a música provoque arrepios. Incluo muitos instrumentos antigos para dar esse ar fantasmagórico”, revelou em 2014. A carreira prosseguiu com relativo sucesso. Chegou mesmo a produzir temas para algumas bandas sonoras.

No plano familiar, a coisa não corria lá muito bem. O período do black metal coincidiu com uma relação cada vez mais traumática com a mãe — e era ela a fonte de muita inspiração para as letras dos temas.

Ele criou o ghost metal

“Todas as minhas discussões com ela acontecem porque há coisas que ela não admite. É a parte mais difícil. Ela sofre de duas doenças: o Síndrome de Munchausen — na qual os pais ou tratadores provocam dor nas pessoas a seu cuidado para fingir ou replicar doenças e obterem atenção — e Transtorno de Personalidade. É uma combinação daquelas. Ela é sempre a vítima e eu sou a pessoa mais doente do mundo. É perturbador.”

E o pai? “O meu pai adora a minha música. A única coisa que me pediu foi que nunca perdesse a integridade na minha arte. Por isso pensei em inventar o meu próprio género musical e acho que ele gosta disso.”

Ainda Weston era um adolescente quando Cage se juntou ao filho na sua paixão por banda-desenhada. Juntos, criaram um livro chamado “Voodoo Child”, que foi publicado pela Virgin Comics.

Pai de quatro filhos, Weston também não se livrou dos problemas familiares já na sua fase adulta. Divorciado por duas vezes, está hoje casado com Hila Aronian desde 2018.

Ainda durante o seu primeiro casamento, uma discussão com o treinador levou a que fosse chamada a polícia. Furioso e desorientado, foi depois levado à força para uma instituição psiquiátrica para uma avaliação.

Mudou o visual para vingar como ator

Já em 2017, acabou mesmo detido por conduzir alcoolizado — duas vezes acima do limite legal —, mas também por ter estado envolvido em dois acidentes dos quais fugiu. Havia admitido, anos antes, ter problemas com o consumo de substâncias. “Cheguei a um ponto em que as pessoas achavam que eu estava a cavar a minha própria sepultura”, revelou à “People”.

Durante todos estes anos, a relação com a mãe nunca foi reatada. E em 2020, chegou mesmo a pedir ao tribunal uma ordem de restrição, na qual alegava que Fulton estaria a perturbá-lo e a tentar arruinar a sua carreira. O pedido foi negado.

Em 2010 decidiu tentar uma carreira como ator. O pai, claro, foi uma boa ajuda: levou-o para o elenco de “Rage” (2014). Entre pequenas aparições em séries e filmes, chegou a passar pelo set de “NCIS: Los Angeles”, onde já se apresentou com toda a força dos seus apelidos: Weston Cage Coppola.

Cinco anos depois da mudança de carreira, chegava a grande oportunidade: o primeiro papel como protagonista em “D-Day. Battle of Omaha Beach”, um filme de baixo orçamento sobre um grupo de soldados de elite que combate no Dia D da Segunda Guerra Mundial. Apesar do fracasso e das péssimas críticas, um papel de protagonista é sempre uma boa marca no currículo.

O seu futuro na indústria do cinema parece ser promissor. Vai voltar aos papéis de destaque em “Fear and Loathing in Aspen”, que conta a história de como Hunter S. Thompson tentou concorrer a um cargo de xerife nos anos 70.

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