Cinema

Filmes nacionais vão ter direito a salas de cinema exclusivas

A iniciativa da NOS Lusomundo arranca a 15 de maio. O objetivo é atrair mais espectadores para as produções portuguesas.
Serão três salas: em Lisboa, Coimbra e Porto.

O cinema português está vivo e recomenda-se. Por isso mesmo, e numa tentativa de apoiar a indústria cinematográfica nacional, a NOS Lusomundo Cinemas vai dedicar três das suas 214 salas espalhadas pelo País a produções portuguesas.

Trata-se da maior distribuidora cinematográfica de Portugal, com cerca de 40 por cento de um total de 530 salas do circuito comercial total. A partir de quarta-feira, 15 de maio, a Alvaláxia Shopping, em Lisboa, o Alma Shopping, em Coimbra e o Alameda Shop & Spot, no Porto, passam a apresentar apenas cartazes nacionais. 

A abertura da iniciativa é marcada com uma sessão de três curtas-metragens. Intitulada “Entre Muros”, reúne títulos como “2720”, de Basil da Cunha, “Corpos Cintilantes”, de Inês Teixeiral. e “Natureza Humana”, de Mónica Lima. Às 19h30 terá lugar uma conversa com os autores, moderada por António Brito Guterres.

A programação já definida até setembro, inclui longas-metragens como “Cândido — O espião que veio do futebol”, de Jorge Paixão da Costa, “O teu rosto será o último”, de Luís Filipe Rocha, “Camarada Cunhal”, de Sérgio Graciano, e “Mãos no Fogo”, de Margarida Gil, assim como as reposições de “Pátio das Cantigas” e “O pai tirano”.

“Com estas três salas podemos estimular a que as pessoas venham, criem um hábito e saibam que naquele espaço têm sempre cinema português. Pode ser que se consiga trabalhar um público específico e crescer esta quota do mercado”, afirmou Nuno Aguiar, diretor-geral da NOS Lusomundo à Lusa, citado pelo “Observador”. 

Trata-se do contributo da empresa para que o cinema nacional atinja “uma quota de talvez 10 por cento em número de espectadores, e consequentemente, em receitas de bilheteira”. Ainda assim, os números indicados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual continuam muito abaixo da audiência desejável.

Em 2023, os 47 filmes de produção portuguesa exibidos nas salas de cinema contaram com 328.762 espectadores, resultando em 1,5 milhões de euros em receitas de bilheteira. Os dados representam uma modesta quota de 2,1 por cento em receitas e 2,7 em audiência no conjunto de todos as estreias do País. É uma das mais baixas taxas do mercado europeu. 

Por comparação, o cinema francês representou 39,8 por cento do mercado em 2023, traduzindo-se em 71,9 milhões de espectadores, segundo o Centro Nacional de Cinema e Imagem Animada — embora este se trate de um dos países mais fortes no mercado europeu a nível cinematográfico. 

“Pôr do Sol: O Mistério do Colar de São Cajó”, de Manuel Pureza, foi o filme português mais visto no circuito comercial em 2023. Atraiu 118 671 espectadores às salas de cinema. 

Nuno Aguiar acredita que a opção das três salas retira a pressão da bilheteira aplicada às produções nacionais pelos distribuidores, devido ao intenso fluxo global de estreias. Muitos alertam que a iniciativa se possa transformar num gueto, ideias rejeita pelo responsável da NOS,

“Obviamente que isto não é limitador. Se houver cinema português que justifique ter muito mais salas, todos os filmes que o justificarem – aliás a maior parte dos filmes, pelo menos aqueles que tenham mais impacto nos espectadores – vão estrear em muito mais salas do que nestas três”, assegurou.

“O cinema comercial é o consegue reunir, no mínimo, entre 50 a 100 mil espectadores. Se fizer mil ou menos, admito que os filmes sejam excelentes, mas em termos de exibição comercial não atraem tanto público. A perspetiva da qualidade da obra é outra. Como exibidor, é esta componente comercial, da quantidade de espectadores que consegue atrair, que tem interesse para nós”, define Nuno Aguiar sobre o que é um filme português comercial e com mais impacto no público.

Para o responsável, “o cinema português tem de se habituar a fazer pelo menos dois filmes por ano acima dos 200 mil e outros com, no mínimo, 50 mil”. “Senão nunca chegaremos aos 10 por cento de quota de mercado”, sublinhou.

Áudio deste artigo

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT