Cinema

O filme que junta Sean Penn e a filha já estreou nos cinemas portugueses

"Flag Day: Dias Perdidos" é baseado em acontecimentos reais. Conta a história de um pai que roubava e enganava para conseguir apoiar a filha.
Já estreou.

Não é muitas vezes que pais e filhos contracenam em filmes de Hollywood, nesses mesmos papéis. Temos alguns casos notórios, como Will Smith e Jaden Smith que trabalharam juntos em “Em Busca da Felicidade” e “Depois da Terra“, ou Tom Hanks e Colin Hanks que contracenaram em “The Great Buck Howard”. Mais recentemente, a Netflix usou a mesma abordagem, pondo Andie MacDowell e Margaret Qualley a interpretarem mãe e filha, respetivamente, em “Criada”.

Agora, há um novo filme que junta Sean Penn e a filha, Dylan Penn. Realizado pelo ator, “Flag Day: Dias Perdidos”, é um filme inspirado numa história real. Estreou esta quinta-feira, 7 de outubro, em Portugal.

A produção acompanha a batalha de Jennifer Vogel (Dylan Penn) em aceitar o passado conturbado do pai, John Vogel, interpretado por Sean Penn. No seu passado, John vivia uma vida dupla enquanto falsificador, assaltante de bancos e vigarista. Estes crimes eram, no entanto, bem intencionados, visto que o fazia para conseguir ajudar financeiramente a filha.

Sean Penn já tinha lido o guião há uma década e meia atrás, e logo aí quis que o papel de Jennifer fosse interpretado pela sua própria filha: “Depois de ler muitas poucas páginas já tinha uma imagem embutida para uma das personagens e era a minha filha. Entre o liricismo do guião, as dinâmicas familiares interessantes e ela a interpretar o papel, eu fiquei imediatamente agarrado”, contou à “USA Today”.

Demorou 15 anos até o filme estar no ponto desejado para que a sua filha, com agora 30 anos, pudesse encarnar a personagem daquela jornalista num turbilhão de sentimentos. “Originalmente, o meu pai ia realizar o filme com um outro ator; uma coisa levou a outra e acabou por não resultar. Sinceramente, Jon Kilik, o produtor, e a minha mãe [Robin Wright] é que me incentivaram a fazê-lo. Ela disse-me: ‘trabalhar com o meu pai enquanto realizador foi a melhor experiência que já tive.’ Eu acreditava que se ela o conseguiu fazer eu também conseguiria”, explica à “Indiewire”.

Originalmente, o papel agora encarnado por Sean Penn estava reservado para Casey Affleck (“Manchester by the Sea”), mas foi o próprio produtor que incentivou Sean Penn a subir ao papel ao lado da sua filha. “A dinâmica entre eles os dois era exatamente aquilo que eu queria ver”, recorda-se Kilik.

Embora já tivesse tido pequenos papéis noutros projetos, como “Elvis & Nixon”, Dylan não cresceu no palco, nem num mundo rodeado de celebridades e todo o glamour de Hollywood, excetuando, claro, a presença dos pais. Em conversa com a “USA Today” recorda-se da sua primeira memória num set: “a minha mãe fez um filme com o Morgan Freeman (“Moll Flanders”) quando eu era muito nova, tinha três ou quatro anos”. Lembra-se daquela experiência tão vivamente pois, segundo conta, estava loucamente apaixonada pelo neto de Freeman, que na altura tinha 18 anos.

A gravação de “Flag Day” foi feita em 37 dias, e o ensaio de Sean e Dylan Penn resumia-se a pequenas cenas em cada novo espaço. A primeira vez que contracenaram juntos, Sean Penn lembra-se de olhar para a equipa técnica e de dizer que a sua filha “era talento, aquilo era algo especial”. O seu principal objetivo enquanto diretor era conseguir que o rosto de Dylan passa-se as emoções necessárias, conta no Festival de Cannes.

Quem já viu o filme diz que o brilho começa quando ambos estão juntos em cena pela primeira vez. “Um pai e filha a interpretar um pai e filha faz-nos investir emocionalmente naquilo. “Todos aqueles sentimentos, raiva ou alegria ou o que quer que seja que estejamos a sentir, nós temos ligação familiar com aquilo. Uma ligação que provavelmente não seria partilhada com outras pessoas”, diz à “Indiewire”.

Dylan e Sean Penn.

Para Dylan, aquela experiência foi tão stressante quanto gratificante: “Eu sabia que tinha o seu apoio e atenção total enquanto realizador e pai. Mas depois, ao atuar ao pé dele, eu estava muito nervosa, eu sabia que ia ser uma experiência intensa. Mas foi um dos maiores presentes que podia ter recebido, porque ele dá tudo enquanto parceiro de cena.”

Desde o início da sua carreira que Sean Penn tem tido problemas com o sistema em Hollywood, saindo várias vezes dos sets de gravações e recusando-se a dar conferências de imprensa. Se alguma vez teve dúvidas em apoiar a carreira cinematrográfica da filha, acabou por as ultrapassar, nunca a impedindo de fazer aquilo que ela gostasse de fazer.

“É difícil trabalhar dentro de uma grande burocracia, ou na indústria cinematográfica, onde há tanta merda quanto pessoas boas”, confessa. E acrescenta: “Mas ao final do dia, é esse o meu trabalho.”

Embora tenha adorado a experiência de representação, e admita que não fechará “essa porta definitivamente”, a sua “grande paixão é mesmo atrás das câmaras, seja a escrever, produzir ou realizar.”

Visto que o filme foi produzido pelos estúdios da MGM, é expectável que chegue brevemente ao streaming, mais especificamente, à Amazon. Sean Penn agradece à empresa por “convidar as pessoas a irem ao cinema antes daquilo acabar em streaming. Eu quero que as pessoas vejam este filme. Não quero que as pessoas que não estejam vacinadas vejam já o filme — eles que esperem para que chegue ao streaming”, remata o ator.

Carregue na galeria para descobrir outras estreias que chegarão aos cinemas e plataformas de streaming do País até ao fim do ano.

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