Cinema

Foi lançada uma campanha de fundos para fazer um documentário sobre Alcindo Monteiro

A produção quer contar a história do jovem que foi assassinado em 1995 no Bairro Alto por um grupo de nacionalistas portugueses.
Tinha apenas 27 anos.

A 10 de junho de 1995, sob o pretexto de celebrar o “Dia da Raça” e a vitória da Taça de Portugal para o Sporting, um grupo alargado de nacionalistas portugueses foi para as ruas do Bairro Alto e do Chiado, em Lisboa, espancar pessoas negras que encontrou pelo caminho. O resultado foram 11 vítimas — uma das quais morreu.

Nascido em Cabo Verde, o português Alcindo Monteiro tinha apenas 27 anos. Vivia no Barreiro e tinha ido para o Bairro Alto dançar naquela noite — sem nunca poder adivinhar o que iria acontecer. Pelas suas circunstâncias, o caso de Alcindo Monteiro tornou-se um dos mais mediáticos nos anos 90 em Portugal.

25 anos depois, Miguel Dores quer fazer um documentário sobre a sua história. Nasceu como um projeto integrado no mestrado de Antropologia Visual que frequenta, mas com o processo tornou-se numa longa-metragem documental que tem como objetivo chegar mais longe e não ser apenas uma publicação académica.

Para isso, Miguel Dores lançou online uma campanha de crowdfunding para que todos aqueles que queiram ajudar possam fazer a sua contribuição. Como explica na página, “Alcindo” encontra-se agora em fase de pós-produção, que necessita de uma série de trabalhos técnicos: coloração, grafismo, sonoplastia, mistura de som, direitos de imagem, entre outros. 

Miguel Dores fez entrevistas com familiares, amigos e colegas de trabalho de Alcindo Monteiro. Além disso, o documentário terá depoimentos de ativistas anti racistas, advogados envolvidos no processo e pessoas que estavam no Bairro Alto naquele dia trágico.

O objetivo é contar a sua história mas também usá-la como ponto de partida para abordar questões como o passado colonial de Portugal e os problemas raciais na atualidade, entre outros temas relacionados. Miguel Dores compilou uma série de imagens de arquivo da altura — bem como recortes de jornais e revistas — para contar a história de “Alcindo”.

As contribuições são livres, mas, em troca de determinado valor, pode conseguir uma recompensa. Por 15€ tem acesso a um link (supomos para que, no futuro, possa assistir ao documentário), por 20€ ganha um tote bag, por 50€ recebe uma T-shirt de Vhils (que se juntou à causa), e por 100€ recebe isto tudo. Também é possível ser um parceiro profissional por valores mais elevados.

O objetivo é angariar 10 mil euros até 30 de junho. Até à data de publicação deste artigo, houve doações no valor de 3945€, o que equivale a 39 por cento do total. A campanha começou esta quarta-feira, 5 de maio, e já teve 122 apoiantes.

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