“O amor não morre, transforma-se”, resume a cineasta Chloé Zhao, ao descrever o seu mais recente filme, “Hamnet”. A longa-metragem é baseada no bestseller homónimo da escritora irlandesa Maggie O’Farrell, publicado em 2020. A história deste romance é, por sua vez, inspirada “na mais longa tragédia de Shakespeare”.
“Hamlet” acompanha a sede de vingança de um príncipe dinamarquês pela morte do pai. Hesitante em levar adiante a procura pelo culpado, interroga-se sobre a própria existência e equaciona o suicídio. Este dilema existencial do protagonista é resumido na inquietação “ser ou não ser, eis a questão”. A expressão tornou-se, porventura, “numa das mais citadas da literatura universal”.
O filme de Zhao foca a tragédia familiar que estaria na origem da peça (segundo os biógrafos do dramaturgo); a morte do único filho homem de “um casal ligado pelo amor, pela perda e pelo poder criativo que converte o sofrimento em arte”. Adaptado pela própria cineasta, o argumento dá voz a uma figura que a história muitas vezes deixou nas sombras, Agnes, a mulher de William Shakespeare.
A narrativa situa-se na Inglaterra de 1580, quando o modesto professor de latim, conhece uma mulher de espírito indomável, guiada pela intuição e em sintonia com a natureza. Da paixão avassaladora entre ambos surge o casamento, e nascem três filhos, Susanna e os gémeos Hamnet e Judith. A morte prematura do rapaz, aos 11 anos, com peste bubónica, abala o casal, onde cada um lida com a dor e a perda à sua maneira.
“É uma história sobre amor e morte, sobre a forma como estas experiências fundamentais se transformam mutuamente através da arte”, descreve a cineasta Chloé Zhao, também autora de “Nomadland”, distinguido com seis Óscares em 2021.
A estética poética e naturalista da realizadora ganha forma com um elenco de peso, com Jessie Buckley (Agnes), Paul Mescal (Will) e Emily Watson (que interpreta Mary, mãe de William Shakespeare), nos papéis principais. Considerado um dos melhores filmes de 2025, “Hamnet” tem conquistado prémios por onde passa, incluindo dois Globos de Ouro. É também um forte candidato aos Óscares, com sete nomeações, entre elas a de Melhor Filme e Melhor Realização.
Esta é apenas uma das produções que chega às salas de cinema esta quinta-feira, 5 de fevereiro. O conjunto de estreias é marcado pela diversidade; que abrange estilos que vão desde o suspense ao terror mistério, passando pelo cinema de autor e sem esquecer a animação. Há também um filme-concerto de um fenómeno do K-pop e a comédia que foi a produção mais vista em Itália no ano passado.
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