Cinema

A história do advogado que teve de calcular quanto valia cada vítima do 11 de setembro

Kenneth Feinberg foi o advogado responsável por definir o custo de cada vida perdida no 11 de setembro. O filme chega aos cinemas portugueses esta quinta-feira, dia 9 de setembro.
Merece uma ida ao cinema.

Encontrava-se, há vinte anos atrás, justamente na manhã de 11 de setembro de 2001, a dar uma aula de direito sobre mediação de ações judiciais na Filadélfia. Quando deu por terminada a aula, o advogado Kenneth Feinberg notou que os seus alunos estavam amontoados à volta de uma televisão. Acontecia o inesperado: um avião tinha embatido no World Trade Center. Pouco tempo depois, um segundo avião atingia a outra torres e logo de seguida embatia outro no Pentágono. Era o começo de um dia trágico e de uma tarefa impensável para Kenneth Feinberg.

Dois meses após os ataques de 2001, o advogado de Washington foi incumbido pelo Congresso Norte-Americano de liderar o Fundo de Compensação às Vítimas do 11 de Setembro. Isto significa que passou a ser responsável pela atribuição de valores supostamente justos, em dólares, às mais de três mil vidas perdidas bem como aos milhares de feridos que resultaram daquele dia fatal em Nova Iorque. 

No início de todo o processo, Kenneth Feinberg foi alvo de muitas críticas públicas em reuniões, nos media e em diversos sites. Era descrito como uma pessoa indiferente e arrogante pela forma como lidava com a raiva que lhe era dirigida, muito por culpa da tarefa que tinha em mãos. Afinal de contas, tomar a decisão sobre quanto cada família de uma vítima dos atentados de setembro iria receber era uma coisa que estava longe de não ser brutal e fria. 

Foram cerca de 33 meses em que Kenneth Feinberg trabalhou inteiramente pro bono. O resultado: um orçamento inigualável e ilimitado para reembolsar pessoas daquilo que, na verdade, dificilmente poderia ser reembolsado. O advogado norte-americano desenvolveu todos os regulamentos que administravam o fundo e o programa.

Em 2005, Feinberg publicou um livro, “What Is Life Worth?: The Unprecedented Effort to Compensate the Victims of 9/11”, onde descreve todo o plano que foi aplicado para abordar o Fundo de Compensação às Vítimas de 11 de setembro. Mais do que isso, a obra é também um testemunho poderoso do sofrimento, do luto, medo, frustração, do amor e da coragem das famílias lesadas nos ataques do 11 de setembro.

E é precisamente dois dias antes da data que marca os 20 anos dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono que chega às salas de cinema portuguesas uma adaptação para o grande ecrã da história incomparável que assinala o percurso profissional (e até pessoal) do advogado Kenneth Feinberg.

Valor da Vida” é o nome do filme que estreou em Portugal a 9 de setembro. Numa sinopse breve, para além de ser inspirado em factos reais relatados no livro de Kenneth Feinberg, o drama examina os custos humanos, mas também emocionais de toda a tragédia.

À personagem de Feinberg (Michael Keaton), junta-se a sua colega Camille Biros (Amy Ryan), numa missão impossível de atribuir um valor a cada vida perdida e ferida no 11 de setembro. Surge ainda outra personagem, Charles Wolf (Stanley Tucci), um organizador comunitário que está em luto por ter perdido a sua mulher e que vem transformar o cinismo inicial de Feinberg em compaixão, fazendo-o perceber quais são, afinal, os verdadeiros custos dos atentados de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono.

“Valor da Vida” foi realizado por Sara Colangelo (“A Educadora de Infância” e “Pequenos Acidentes“) e recebeu os mesmos produtores de “O Caso Spotlight” e “12 Anos Escravo“, numa co-produção da produtora de Barack e Michelle Obama: a Higher Ground Productions.

Até lá, carregue na galeria para ficar a par de todas as novidades no universo das séries e dos filmes que vão estrear neste mês de setembro.

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