Cinema

A história real do primeiro agente do FBI condenado por homicídio

É contada num novo filme, “Acima de Qualquer Suspeita”. Emilia Clarke é uma das protagonistas.
"Acima de Qualquer Suspeita" tem 1h44 de duração.

Chama-se “Acima de Qualquer Suspeita” e foi o primeiro projeto de Emilia Clarke após as gravações da última temporada de “A Guerra dos Tronos”, série onde interpretava Daenerys Targaryen. Dois anos depois, o filme chegou aos cinemas portugueses a 5 de agosto.

Realizado por Phillip Noyce, o enredo baseia-se no livro com o mesmo título escrito por Joe Sharkey, que relata a história real do primeiro agente do FBI condenado por homicídio. O elenco inclui ainda Jack Huston, Sophie Lowe, Johnny Knoxville, Austin Hébert, Thora Birch e Kevin Dunn, entre outros.

Apesar de o filme não estar a ser elogiado pela crítica, conta uma narrativa envolvente e verdadeira que foi chocante na época. Esta é a história de Mark Putnam e Susan Smith — amantes com uma ligação profissional cuja relação teria um desfecho trágico.

Mark Putnam era um jovem agente do FBI, com 27 anos, acabado de sair da academia, quando foi posicionado na pequena cidade montanhosa de Pikeville, no estado do Kentucky. Era um posto pequeno do FBI, sem grande supervisão e com muito poucos agentes. Putnam mudou-se em 1987 com a sua mulher Kathy e os seus dois filhos pequenos.

Alguns meses antes, um assaltante tinha roubado o equivalente a cerca de 15 mil euros de um banco nas redondezas. Depois de algumas pistas que não deram em nada, as autoridades locais começaram a centrar-se em Carl Edward “Cat Eyes” Lockhart, um ladrão excêntrico e quase profissional, que tinha a fama de gastar aquilo que roubava de forma descarada.

Mark Putnam e Susan Smith.

Já com o apoio do FBI, as autoridades começaram a abordar pessoas próximas de Lockhart para tentarem descobrir provas. O seu melhor amigo, Kenneth Smith, não se mostrou ser fiável, por isso, Mark Putnam começou a insistir com a ex-mulher de Kenneth, Susan Smith, que ainda vivia com ele. Foi assim que ela se tornou uma informadora.

O agente do FBI e Susan Smith encontravam-se várias vezes por semana. Em troca de informações, Putnam pagava milhares de dólares à sua informadora. Susan revelou que Lockhart provavelmente estaria a preparar outro golpe, já que ela tinha encontrado um saco com armas e máscaras.

Aos poucos, Susan Smith pareceu tornar-se obcecada com este caso. Começou a ligar repetidamente para a casa de Mark Putnam — falando inclusive com a sua mulher, Kathy.

“Por um lado, parecia que ela tinha a ideia de que isto era um trabalho constante, e que o Mark era o chefe dela”, conta Kathy no livro de Joe Sharkey. “Por outro, parecia que ela via isto como uma espécie de Bonnie e Clyde.”

A situação começou a escalar. Além dos telefonemas constantes, Susan cortou o cabelo igual ao de Kathy. No Natal, comprou sapatilhas de desporto e uma T-shirt da Nike para oferecer ao agente do FBI. Num certo dia, Smith foi até a um tribunal e mostrou o peito aos seguranças, alegadamente para provocar ciúmes em Putnam.

Segundo o livro no qual este filme se baseia, Kathy estava tão preocupada que avisou o marido. “Nunca te envolvas com esta mulher… Ela vai engravidar e vai-te arruinar.”

O casamento ficou numa situação tensa — e Susan e Mark acabaram mesmo por se envolver. Uma semana antes do Natal, Putnam levou Susan numa viagem de carro às montanhas, onde se envolveram fisicamente. Segundo Putnam, durante um período de duas semanas tiveram cinco relações, até que o agente do FBI decidiu terminar com o caso extraconjugal.

Depois de outras pessoas locais ameaçarem a família de Putnam, tendo em conta o seu envolvimento noutros casos, o agente foi transferido para Miami, para seu grande alívio. O problema é que, no Kentucky, Susan Smith terá começado a espalhar boatos sobre a relação entre os dois. Dizia que estavam apaixonados e que ela estava grávida de um filho seu.

Mark Putnam regressou a Pikeville para terminar um caso — e nessa viagem voltou a conduzir Susan até às montanhas. Desta vez, contudo, o ambiente não era romântico nem amistoso. O agente do FBI disse que ia fazer um teste de paternidade ao bebé — e que, caso fosse mesmo dele, ia adotá-lo com a mulher Kathy. Susan Smith terá ficado cheia de raiva e violenta durante a discussão e os dois começaram a lutar. Mark Putnam acabou por estrangular Susan Smith até à morte.

Colocou o corpo da sua antiga informadora e amante no porta-bagagens, onde ficou durante um dia inteiro, e na noite seguinte colocou-o numa ravina. Provavelmente teria ficado lá durante bastante tempo, se o agente do FBI, atormentado pela culpa e cheio de remorsos, não tivesse confessado o crime e levado as autoridades até ao local do corpo, passado um ano.

Na altura, o procurador responsável pelo caso, John Paul Runyon, disse à Associated Press: “Não tínhamos qualquer prova. Nada que pudesse levar a uma acusação ou condenação deste homem. Nos 28 anos que trabalhei como procurador, é a primeira vez que um advogado me liga e diz ‘Tenho um homem que quer confessar um homicídio e quer ir para a prisão’ sem nós termos qualquer prova.”

Mark Putnam foi condenado a uma pena de 16 anos, mas só cumpriu 10, por bom comportamento na penitenciária. Saiu em 2000. Dois anos antes, a mulher de Putnam, Kathy, morreu de falhas de órgãos, provavelmente provocadas pelo seu alcoolismo, que desenvolveu durante este período. Tinha 38 anos.

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