Cinema

A história surreal (e pouco conhecida) de quando Benedict Cumberbatch foi raptado

Tudo aconteceu em 2004 na África do Sul — o incidente mudou a vida do ator para sempre. O seu novo filme é “O Espião Inglês”.
O ator tem hoje 44 anos.

Chama-se “O Espião Inglês” e é o novo filme de Benedict Cumberbatch. Na produção realizada por Dominic Cooke que estreia nos cinemas portugueses esta quinta-feira, 10 de junho, o ator britânico de 44 anos interpreta o empresário Greville Wynne. 

Após alguns rumores sobre um infiltrado no governo da União Soviética chegarem ao agente especial britânico Dickie Franks e à oficial da CIA Emily Donovan, Greville é convocado a servir o seu país — precisamente por ser alguém que leva uma vida pacata e banal.

É atirado para o centro do conflito político, durante os anos da Guerra Fria, e enquanto se esforça para terminar com a crise dos mísseis cubanos, cria uma ligação com o seu informante, Oleg, que será posta à prova. Por tudo isto, vai ter de mostrar que não é um cidadão comum — porque tem de ser alguém capaz de alcançar coisas extraordinárias.

Vários anos antes de Benedict Cumberbatch se tornar um dos atores mais conhecidos da sua geração — antes de protagonizar a série “Sherlock” e de interpretar um super-herói da Marvel — houve uma acontecimento surreal que mudou a sua vida.

O ano era 2004 e Cumberbatch estava a gravar uma minissérie da BBC chamada “To The Ends of The Earth”, em KwaZulu-Natal, na África do Sul. Numa folga que teve durante os dias de rodagem, foi fazer mergulho com dois dos seus colegas atores, Theo Landey e Denise Black.

Quando estavam a voltar dessa sessão de scuba-diving, um dos pneus do carro rebentou — numa estrada que aparentemente era conhecida por ser algo perigosa em termos de criminalidade.

“Estava frio, estava escuro, eu estava podre. Estávamos cautelosos porque aquele é um sítio perigoso para conduzir. E então, de repente, o pneu da frente da direita rebentou. Fomos buscar o suplente, mas isso significava tirar toda a nossa bagagem para fora”, contou o ator numa entrevista à revista “The Hollywood Reporter”. “Éramos isco — não necessariamente de prosperidade, mas de materialismo.”

Um grupo de seis homens armados apareceu e cercou os três atores. O trio foi atado com os próprios atacadores e foram enfiados dentro do carro dos assaltantes. Benedict foi enfiado na bagageira depois de dizer que os atacadores estavam demasiado apertados e que não estava a conseguir sentir os seus membros corporais. Depois, pontapeou com força o porta-bagagens e gritou tudo o que conseguia, mas sem qualquer efeito. Os seus telemóveis e cartões de créditos já tinham sido roubados.

Após alguns minutos de viagem, os raptores disseram aos atores para saírem do carro, debaixo de uma ponte, fazendo com que se ajoelhassem — como se fossem executá-los. “Eu estava assustado, mesmo assustado. Só dizia: ‘O que é que nos vão fazer? Vão matar-nos’?”, contou Cumberbatch na mesma entrevista.

“Eu estava mesmo preocupado que fosse violado ou abusado ou torturado ou usado de alguma forma, nalgum ato de controlo e de selvajaria”, acrescentou. “Eles disseram coisas como: ‘Olhem para baixo! Olhem para baixo! Ponham as mãos na cabeça, olhem para o chão! Onde está o vosso dinheiro? Onde estão as vossas drogas?’ E nessa altura, esta adrenalina de lutar ou escapar explodiu no meu corpo. Eu estava: ‘foda-se, estamos fodidos’.”

Quando os três estavam ajoelhados, o ator chegou a implorar pela vida, mas depois perceberam que os atacantes tinham ido embora, deixando-os ali sozinhos. Pouco tempo depois, um grupo de mulheres locais encontrou-os ali e ajudou-os a recomporem-se e a voltarem ao seu carro. Com o telemóvel de uma delas, conseguiram chamar ajuda. Benedict Cumberbatch disse que chorou “de gratidão” quando viu aquelas mulheres a virem na sua direção para os ajudar.

Este incidente mudou a sua vida, como assume numa entrevista mais recente, com a revista “Vanity Fair”. “Definitivamente fiquei mais impaciente para viver uma vida menos normal. Eu queria nadar no mar que vi na manhã seguinte. Se sentes que vais morrer, pensas que nunca mais vais ter aquelas sensações — uma cerveja gelada, um cigarro, sentires o sol na tua pele. Todas essas coisas parecem novas outra vez.”

E acrescentou: “É, de certa forma, um novo começo. Mas nós estávamos no regresso de uma sessão de mergulho, por isso não era como se eu já não fosse… Acho é que isto me fez querer mais coisas, mesmo de forma imprudente. Ensinou-me que vais embora do mundo como vieste, sozinho”.

Antes do pneu rebentar, estavam a ouvir no carro a canção “How to Disappear Completely”, dos Radiohead. Desde então, sempre que ouve o tema, Benedict Cumberbatch diz que tem uma “sensação de realidade” e uma “razão para ter esperança”.

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