Gravar o filme “Sonhar com Leões” foi como estar numa montanha-russa de emoções. Por vezes, os atores riam e, momentos depois, choravam. Houve um momento em específico que ficou gravado na memória de Paolo Marinou-Blanco, o realizador.
Durante uma cena que recriava um grupo de apoio a doentes terminais, um dos figurantes começou a chorar enquanto a equipa preparava as câmaras. “Ele próprio tinha passado por uma situação semelhante com a mulher dele. Foi muito difícil para o senhor, que já tinha uma certa idade”, conta o cineasta à NiT.
A obra estreou nos cinemas nacionais a 8 de maio do ano passado e esta quinta-feira, 23 de abril, chegou ao catálogo da HBO Max.
A história de “Sonhar com Leões” acompanha Gilda, uma imigrante brasileira a viver em Lisboa. Reformada do ensino secundário, vive com um humor sarcástico e um diagnóstico terminal: tem um ano de vida devido a um cancro maligno na medula espinal. O seu único desejo é morrer enquanto ainda se reconhece, com dignidade e sem sofrimento.
“No entanto, depois de quatro tentativas falhadas de suicídio, Gilda tem medo de tentar novamente, o que a leva a procurar a multinacional Joy Transition International, que organiza caros workshops sobre eutanásia e suicídio para pessoas numa fase terminal. É lá que conhece Amadeu, um português, introvertido funcionário numa agência funerária, numa situação de vida aparentemente semelhante”, avança a sinopse do filme.
Apesar do tema pesado, Marinou-Blanco introduziu vários elementos de comédia na obra. “Gosto de ver as situações mais trágicas do mundo através de um certo prisma cósmico ou satírico. Rapidamente decidi que queria abordar estas questões de forma mais inesperada, ou seja, com a comédia.”
O realizador sublinha que esse tom não minimiza a gravidade do assunto. “Falar destes temas dolorosos com humor não significa que não tenha respeito pela seriedade e peso emocional” da eutanásia e do suicídio assistido. “Conseguir esse tom certo e equilíbrio sem nunca desrespeitar o assunto foi um desafio”, acrescentou.
O elenco da obra conta com Denise Fraga, Joana Ribeiro, João Nunes Monteiro, Victoria Guerra, Roberto Bomtempo, António Durães, Felipe Rocha, entre outros.
Leia a entrevista da NiT ao realizador. Conheça também a história da espanhola Noelia Castillo, a jovem que esperou 601 dias pela eutanásia.
Aproveite e carregue na galeria para conhecer outros filmes que chegam em abril às plataformas de streaming.








