Cinema

“Imunes”: está a chegar a Portugal o primeiro filme de Hollywood sobre a pandemia

A história passa-se em 2024, quando a doença já evoluiu para Covid-2023 e o mundo é uma completa distopia.
Peter Stormare é um vilão.

Todos sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, iam começar a aparecer obras de ficção inspiradas na pandemia que todos estamos a viver há um ano e meio. O primeiro filme de Hollywood que retrata esta situação foi também o primeiro a ser gravado — logo em julho de 2020. O resultado devia chegar esta quinta-feira, 29 de julho, aos cinemas portugueses: chama-se “Imunes”. Contudo, a estreia do filme foi adiada por tempo indeterminado.

Foi em meados de março de 2020 que, tal como tantos outros milhões de pessoas em todo o planeta, o cineasta britânico Adam Mason (especialista em filmes de terror) deu por si com medo. O filme que ia fazer tinha acabado de ser suspenso, estava fechado no seu duplex de Los Angeles com a mulher e os três filhos, e as notícias que chegavam do Reino Unido, onde vive a restante família, também não eram nada animadoras.

O seu telefone tocou. Do outro lado estava Simon Boyes, o seu colaborador habitual, com quem costuma escrever os guiões. “Ele disse: o que está a acontecer é terrível, mas devíamos reunir-nos e fazer um filme como nos bons velhos tempos”, contou Mason ao “Los Angeles Times”.

Inspirados por aquilo que estavam a experienciar, começaram a pensar e a escrever uma história — que inicialmente envolvia um monstro. “A ideia era que fosse um filme com um monstro, passado durante um confinamento, em que as pessoas pensavam que estavam fechadas por causa de uma pandemia mas na verdade era por causa de um monstro. Eu estava a tentar usar o monstro como metáfora para o vírus”, disse o cineasta. A ideia até seria fazer algo parecido com “Nome de Código: Cloverfield”, usando o registo de found-footage (simulando que se tinham encontrado imagens perdidas daqueles acontecimentos).

Depois, os produtores que se juntaram ao projeto (incluindo o famoso Michael Bay, responsável pela saga de “Transformers”, “Armageddon” ou “Pearl Harbor”) acabaram por convencer Adam Mason e Simon Boyes a centrarem-se no que estava a acontecer na vida real. Foi assim que puseram em marcha um plano de uma produção pequena e limitada que foi gravada em Los Angeles durante o primeiro confinamento — o que ajudou a criar o cenário da história.

O enredo passa-se em 2024. A Covid-19 evoluiu para Covid-23 — e a doença passou a ser muito mais letal e perigosa. Metade da população teve a sorte de conseguir ficar imune, e usa as tão desejadas pulseiras amarelas que o garantem. A outra metade tem de estar fechada em casa, em quarentena — e a taxa de mortalidade é altíssima. Já morreram mais de 100 milhões de pessoas.

Todos os dias, aqueles que não estão imunes têm de fazer testes de temperatura. Se desenvolverem sintomas, são enviados para, basicamente, campos de concentração — onde são deixados para morrer ou, se tiverem muita sorte, sobreviver e recuperar da doença. 

O cenário geral é este, mas o filme centra-se numa história de amor, além de outras peripécias que estão em redor. Nico Price (K.J. Apa) é um estafeta imunizado, que tem como trabalho fazer entregas domésticas de produtos a pessoas bastante ricas. Está numa relação virtual com Sara Garcia (Sofia Carson), uma jovem artista que vive fechada em casa com uma avó.

Bradley Whitford e Demi Moore interpretam um casal rico que vende pulseiras falsas de imunidade; Alexandra Daddario é uma cantora que agora só faz covers online; Craig Robinson interpreta o chefe de Nico Price; Paul Walter Hauser é um veterano de guerra com dificuldades motoras; e Peter Stormare interpreta uma personagem vilã — é o líder da entidade que gere as regras sanitárias da pandemia. Todas as personagens vão acabar por se cruzar de alguma forma.

O filme tem sido bastante criticado, tanto por espectadores como por alguma crítica, por diabolizar as restrições da pandemia e alegadamente contribuir para um clima de medo. O maior elogio que tem sido feito a esta produção é o facto de usar a cidade vazia de Los Angeles para seu proveito.

Há várias características hiperbolizadas daquilo que vivemos no último ano e meio — uma mulher que obriga o marido a queimar as suas roupas quando ele regressa a casa; uma cena erótica com enorme proteção entre os dois parceiros; a experiência de terror de acordar com febre. Trata-se de uma reimaginação distópica do que poderia acontecer ao nosso mundo após o início da pandemia.

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