Cinema

Já estreou na Netflix o filme sobre a Eurovisão — com Salvador Sobral e Will Ferrell

Tem cerca de duas horas e está disponível na plataforma de streaming a partir desta sexta-feira, 26 de junho.
Will Ferrell e Rachel McAdams são os protagonistas.

Gostemos mais ou menos, não podemos negar que o Festival da Eurovisão faz parte da cultura europeia e, claro, da portuguesa. É algo familiar, tradicional, que acompanhamos de uma forma ou outra há décadas através da televisão.

No entanto, aquele que é habitualmente descrito como o maior evento televisivo do mundo não é propriamente conhecido do outro lado do oceano, nos Estados Unidos. Will Ferrell, um dos poucos fãs americanos do concurso, quis mudar isso e apresentar aos seus compatriotas este mundo de visuais excêntricos, coreografias elaboradas e músicas pop de vários géneros.

Por isso mesmo, escreveu a história de “Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga”, que estreia na Netflix esta sexta-feira, 26 de junho. O filme tem cerca de duas horas de duração.

Além de ter escrito o guião (em conjunto com Andrew Steele), Will Ferrell interpreta um dos protagonistas. Quando convidou David Dobkin (“Os Fura-Casamentos”) para ser o realizador do projeto, Dobkin nem sequer conhecia a Eurovisão, mas disse que aceitava com uma condição: o filme tinha de ser uma carta de amor ao concurso, e não uma paródia.

“Queríamos que fosse algo que as pessoas que adoram o festival dissessem: ‘Meu Deus, eles acertaram’”, disse o realizador à revista “Entertainment Weekly”. “Lembro-me que eu e o Will estávamos ao telefone. ‘Milhões de pessoas adoram isto. Não quero gozar com isto. Não estou interessado, isso não funciona para mim.’”

Rapidamente, depois de perceber que o tom do filme poderia encaixar naquilo que queria, Dobkin começou a estudar afincadamente o Festival da Eurovisão. Viu diferentes galas que aconteceram há várias décadas e esteve na final de 2019 em Telavive, em Israel — onde o representante português foi Conan Osíris. Will Ferrell tinha estado na final anterior, na Altice Arena, em Lisboa, apesar de ser um fã desde o final dos anos 90.

“Apaixonei-me pela Eurovisão”, disse David Dobkin à mesma publicação americana. “O que é incrível sobre o programa, por divertido que seja, é que é incrivelmente bem produzido. É o expoente máximo da produção. Não há nada na televisão na América a este nível.”

A ideia inicial era que o realizador apenas assistisse à final para perceber como era, ver os bastidores da produção e as reações do público aos temas que estavam a ser interpretados em palco. No entanto, rapidamente percebeu que queria filmar alguns excertos — e foi precisamente o que fez.

“Precisava de gravar aquilo porque nunca iria conseguir recriar aquela plateia específica, a forma como se apresentam, a forma como são. As performances da Eurovisão são dinâmicas e inesperadas. A escala é enorme e o público é único.”

Em coordenação com a organização, o realizador até pôs a tocar uma versão reconfigurada (para evitar que fosse parar à Internet e toda a gente passasse a conhecer a verdadeira) da música que a dupla de protagonistas deste filme, os Fire Saga, tocam durante a narrativa — tudo para captar a reação do público.

Nesta história, Will Ferrell e Rachel McAdams interpretam Lars Erickssong e Sigrit Ericksdottir, uma dupla de músicos da Islândia, que têm como objetivo chegar à Eurovisão e, depois, vencê-la. Contudo, vão ter de enfrentar muitos obstáculos pelo caminho — primeiro vão ter de convencer os islandeses, depois o público da Eurovisão.

O pai da personagem de Ferrell é interpretado por Pierce Brosnan — alguém que duvida das capacidades do filho, que só o quer impressionar. O elenco inclui ainda Dan Stevens, Demi Lovato, Natasia Demetriou, Jamie Demetriou, Ólafur Darri Ólafsson, Tómas Lemarquis, Graham Norton e Jon Kortajarena, entre tantos outros.

Para a final da Eurovisão de Telavive, Dobkin levou consigo a figurinista Anna B. Shepard, para que conseguisse olhar para os fatos dos artistas e criar os próprios — sem destoar daquele universo colorido e diverso, por vezes quase psicadélico e surreal.

A atribulada participação de Salvador Sobral no filme

Salvador Sobral, o único músico português que alguma vez venceu a Eurovisão (em 2017), entra neste filme. Foi o próprio artista quem o revelou numa entrevista em janeiro deste ano no programa “Prova Oral”, da RTP1. 

Quase no final da emissão, Fernando Alvim e Xana Alves lhe perguntaram se alguma vez se tinha zangado com alguma celebridade. A resposta foi surpreendente: Will Ferrell.

“Por acaso tenho uma com o Will Ferrell, por mais incrível que isso pareça”, disse Salvador Sobral. “Fui convidado para fazer um filme com ele, com a Rachel McAdams e o Pierce Brosnan. Quando cheguei lá a Edimburgo para fazer as filmagens, os gajos meteram-me outra cena em que eu dialogava com o Will Ferrell, ao que eu disse claramente que não ia fazer, não foi isso que a gente tinha acordado”.

Salvador Sobral só ia fazer uma cena no filme. “Pensava que aquilo não ia acontecer, pedi demasiado dinheiro e afinal eles pagaram aquilo. Cheguei lá, fiz a minha cena e eles queriam que eu fizesse outra e eu disse que não. O gajo ficou claramente chateado.”

“Amar pelos Dois”, a canção que fez com que Salvador Sobral vencesse a Eurovisão — e que foi composta pela irmã, Luísa Sobral — é o único tema real do concurso que faz parte da banda sonora oficial deste projeto.

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