Cinema

Jackie Sandler, a mulher que comanda o fenómeno Adam Sandler

Conheceram-se durante gravações de um filme e estão juntos há quase 20 anos. Também lê e aprova os guiões das produções em que o marido participa.
O casal está junto há mais de 20 anos

Jackie Titone era uma modelo com ambições de se tornar numa estrela de cinema. Foi por um feliz acaso que conseguiu um diminuto papel numa comédia chamada “Big Daddy”.

No papel principal estava Adam Sandler, longe de ser a estrela do mundo da comédia que é hoje, mas num claro caminho ascendente, depois de “Billy Madison” e “The Waterboy”. Em “Big Daddy”, Sandler ousava combinar a comédia com o drama, ao interpretar um universitário que, na tentativa de impressionar a namorada, acaba por adotar um miúdo.

Titone, por sua vez, estava apenas feliz por ter conseguido dar o primeiro passo na carreira. No guião, coube-lhe o papel de funcionária do bar que Sandler visita na companhia do filho adotivo. “Faz hoje 22 anos que os nossos olhares se fixaram um no outro e nos apaixonámos”, recordou o ator de 55 anos em 2020.

O par acabou por se conhecer durante as gravações e dar início a uma relação. Foi também uma oportunidade para Titone saltitar de comédia em comédia e, pelo caminho, fazer companhia a Sandler em filmes como “Little Nicky” ou “50 First Dates”, sempre em papéis secundários, mas também em filmes de Kevin James e Rob Schneider.

Cinco anos depois do primeiro encontro, a atriz de 47 anos mudou de religião por Sandler. Cristã, converteu-se ao judaísmo e casaram-se em 2003, num casamento que, contrariamente à tradição de Hollywood, se mantém firme.

Menos firme tem sido a carreira como atriz, que apesar de a ter elevado, mais recentemente, a papéis com maior destaque, nunca fez dela uma atriz reconhecida na indústria. Contudo, o papel nos bastidores é mais do que meramente passivo, conforme explica Sandler.

Jackie em “Big Daddy”

Regularmente emparelhado com Drew Barrymore em cenas românticas, garante que nunca se sentem intimidados, mesmo quando Jackie está a poucos metros de distância, atrás das câmaras. Pelo contrário.

“A minha mulher gosta tanto da Drew que está sempre a incentivar-me. Não há ciúmes. Diz-me ‘vai-te a ela'”, revelou em entrevista a Ellen Degeneres.

Barrymore e Sandler fizeram par romântico em “50 First Dates” e foi durante uma das cenas que Jackie mostrou ao que ia. “Estávamos num encontro romântico em África achava que me estava a sair bem, a ser o mais romântico possível. Acabou a cena, passei à frente a pensar que me tinha safado e vi a Jackie a abanar a cabeça. ‘Por favor, em nome de todas as mulheres, volta para ali e faz de conta que estás um bocadinho mais vivo’, disse-me.”

Os incentivos da mulher voltaram a ser tema em 2019, depois de Sandler ter que protagonizar cenas românticas com Jennifer Aniston em “Murder Mystery” — filme onde Jackie volta a ter um pequeno papel de assistente de bordo. “A parte mais estranha [de partilhar o set com ela] é o de a ter lá [nas cenas românticas] a gritar: ‘Vai, com mais força. Beija-a com mais força.'”

Sobre o segredo de manter a união estável, Sandler revela: “Se sinto aquela energia do ‘já não te consigo aturar, Adam’, convido-a para irmos a qualquer lado comer e conversar. E ouço-a sobre tudo o que ela tem para dizer”, explica. O casal tem dois filhos, Sadie de 15 anos e Sunny de 13.

“Agora sim, percebo o que os meus pais queriam dizer quando me aconselhavam a ‘estar bem e seguro’ e a certificar-me de que ‘toda a família estava bem’. Isso é o mais importante, ter a certeza de que todos estão bem. Se a família tem problemas, tu tens problemas.”

Embora Adam tenha o monopólio familiar da atividade cinematográfica, garante que quase tudo passa pelas mãos de Jackie. Sobretudo a mais recente transformação.

Quase sempre associado a papéis cómicos e disparatados, o talento de Sandler tem sido quase sempre diminuído pela crítica. Sobressaem, contudo, pequenos vislumbres da sua capacidade em “Punch-Drunk Love” de Paul Thomas Anderson ou “The Meyerowitz Stories” de Noah Baumbach.

Foi preciso esperar por 2019 para a crítica se render finalmente a Sandler. Em “Uncut Gems”, dos irmãos Safdie, Sandler é o improvável protagonista de um drama/thriller onde interpreta Howard Ratner, um viciado em apostas que se mete constantemente em sarilhos. Assim que deita as mãos a uma valiosa pedra preciosa, a ganância incontrolável arrasta-o para uma espiral de problemas.

Num filme absolutamente estonteante (e stressante), Sandler toma muito bem conta de si. De tal forma que os críticos não tiveram dúvidas em elevá-la à melhor performance da carreira do ator. E se, dado o contexto, isso poderia não ser um grande elogio, “Uncut Gems” esgravatou um lugar na maioria das listas de melhores filmes do ano — e chegou mesmo a falar-se de nomeações aos Óscares, que acabariam por não chegar.

Curiosamente, nem Sandler acreditava na sua capacidade para brilhar no papel principal. “Li o guião, adorei o filme mas estava aterrorizado”, explicou sobre o receio de não ser capaz de fazer justiça ao papel dramático.

“Falei com a Jackie sobre isso, ela leu-o e convenceu-me”, diz. “Fazemos isto juntos, sempre. Discutimos o que vou fazer e ela dá-me coragem e força para avançar. Foi ela que me disse que tinha de fazer este filme.”

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT