Cinema

Javier Bardem: “Um homem que se emociona e se permite a sentir, é um homem forte”

O ator participou numa conferência no Festival de Cinema de Cannes, onde falou com a plateia de forma aberta e sincera.
O ator fez várias confissões.

Javier Bardem passou pelo Festival de Cinema de Cannes na passada sexta-feira, 28 de maio, e não deixou ninguém indiferente. Foi recebido com uma ovação de pé da plateia e despediu-se com o mesmo entusiasmo após quase duas horas de uma conversa sincera e emotiva. 

A organização do evento convidou-o para falar sobre o seu percurso profissional e o ator de 53 anos não dececionou: “Ter as suas próprias opiniões hoje em dia é algo arriscado, mas devemos tê-las. Porque se dissermos apenas o que as pessoas esperam que digamos, não há discussão. Ter inimigos e uma opinião é bom. Caso contrário, é impossível crescer”, referiu.

O Festival de Cinema de Cannes não é uma novidade para o ator. Desde 2010 que tem vindo a ser nomeado pelas várias interpretações em filmes. Porém, desta vez, a sua presença foi um mero passeio pelas memórias da sua vida.

Durante a 75.ª edição do evento que reúne várias celebridades ligadas ao cinema, o ator começou por falar sobre o início da carreira: “Tudo começou com um pedaço de carne”, brincou. Em “Las edades de Lulú” (1990), o seu primeiro filme, Bardem foi acompanhar a irmã Mónica a um casting e durante a sua audição foi convidado também a participar. “Só tinha de despir a camisa. Fiz e disse a mim mesmo: Isto é representar? Ok, acho que posso ser ator”.

Nesta viagem temporal, o ator espanhol revelou também como conheceu a mulher Penélope Cruz. 

“Sempre que eu e a Penélope trabalhávamos, olhávamo-nos como quando estávamos na aula a falar com a pessoa de que gostamos. No último dia de filmagens do “Vicky Cristina Barcelona”, pensei: “Fogo, eu não lhe disse nada. E depois foi só conversa de circunstância e agora estamos casados e temos dois filhos”.

Woody Allen, o realizador da comédia romântica em que contracenaram, deu-lhes como presente de casamento a gravação de um dos seus beijos. “Tivemos uma cena em que estávamos a beijar-nos. Estávamos em cima da cama, estávamos a beijar-nos, continuámos a beijar-nos e eu pensei que, apesar de estar a ir mais longe do que o suposto, era bom. Virei-me e não havia câmaras, elas tinham desaparecido”.

O ator espanhol continuou a contar a sua história e confessou ao público: “Quando comecei, nunca pensei que ia ganhar a vida com isto e que ia conseguir papéis dentro e fora de Espanha com os melhores realizadores do meio. É algo com que não me atreveria a sonhar. Sempre que tenho um papel, respiro e agradeço porque não sei quando chegará o momento em que deixarão de me oferecer um”.

Barden falou ainda dos filhos — Leo e Luna — e admitiu que é cada vez mais difícil para ele ver filmes: “Eu vejo-o com os meus próprios filhos. É difícil para eles decidir o que ver e isso preocupa-me, porque tanto para eles como para todos nós, é difícil concentrarmo-nos apenas numa coisa”.

Numa conversa em que as perguntas da audiência o moviam do profissional para o pessoal, a estrela de Hollywood também salientou que educa os seus filhos para saberem que não há problema em mostrar os seus sentimentos: “Quando vejo um homem que é emocional e se permite ser sensível, vejo-o como um homem forte, e não o contrário, e quero ter a certeza de que eles compreendem isso”.

O ator confessou ainda que quando não tem tudo controlado, não sabe representar. Mas sublinhou que com realizadores como Julian Schnabel, com quem trabalhou em “Before Night Falls”, só é possível mesmo deixar-se ir. No final, fez questão de sublinhar que embora o delegado geral do evento, Thierry Frémaux, tenha assegurado que o ator estava a representar Espanha, Javier Bardem afirmou que não representa ninguém a não ser ele próprio.

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