Cinema

Lanthimos critica violência nos ecrãs. “Depois somos uns puritanos com o sexo”

O realizador grego e a protagonista de "Pobres Criaturas" falaram sobre as cenas íntimas do filme — e no cinema.
Stone protagoniza várias cenas de sexo.

Para Yorgos Lanthimos, a inclusão de cenas íntimas e sexuais nos seus filmes “nunca foi um problema”. Talvez por isso não entenda o “puritanismo excessivo” que existe no cinema e na televisão, confessou o cineasta numa entrevista ao jornal “The New York Times”, onde se fez acompanhar de Emma Stone, protagonista do seu mais recente filme “Pobres Criaturas”, que só chega a Portugal em janeiro de 2024.

A obra é uma adaptação do romance de 1992 escrito por Alasdair Gray. Conta a história de uma mulher que se afoga para fugir do marido abusivo e é ressuscitada com o cérebro do seu filho que não chegou a nascer, agora sob o nome de Bella Baxter. Ao longo do seu amadurecimento, Bella acaba por descobrir a vida sexual e chega mesmo a trabalhar como prostituta em Paris. O filme conquistou o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza.

“Para mim, esse aspeto [do sexo] nunca foi um problema”, disse Lanthimos ao “The New York Times”. “Sexo ou nudez nos filmes… nunca compreendi o puritanismo em torno desses temas. Sempre me irritou a forma como as pessoas são liberais com a violência e permitem que os menores tenham acesso a ela de qualquer forma, mas depois somos tão pudicos em relação à sexualidade.”

Stone concordou e sublinhou os cuidados do realizador grego em manter a intimidade nas cenas. “Sempre que havia uma cena assim, só havia quatro pessoas na sala além dos atores. Yorgos, o nosso diretor de fotografia Robbie Ryan, que depois de me ver nua tantas vezes, já olha para mim como se eu fosse um candeeiro, Hayley [Williams, a assistente de realização] e Olga [Abramson], a nossa assistente de focagem. E também, uma incrível coordenadora de intimidade [Elle McAlpine].”

Stone fez questão de dizer que se sente “orgulhosa” das cenas de sexo em “Pobres Criaturas”. “Essa é a Bella. Não tem vergonha do seu corpo, da sua sexualidade e de quem é.”

O tema foi igualmente debatido na estreia mundial, no Festival de Cinema de Veneza, em gosto. “Porque é que não há sexo nos filmes?”, questionou Lanthimos. “Desde logo, o sexo é uma parte intrínseca do próprio romance, da liberdade [da personagem] em relação a tudo, incluindo a sexualidade. E, em segundo lugar, era muito importante para mim não fazer um filme que fosse pudico. Seria trair completamente a personagem principal. Tínhamos de ser confiantes e, tal como a personagem, não ter vergonha.”

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