Cinema

Leiria tem novo cineclube para compensar o fecho de várias salas. Conceito vai andar pelo País

O espaço vai ter sessões quinzenais na cidade e levará o conceito a Lisboa, Braga e Caldas da Rainha nas próximas semanas.

Os encerramentos consecutivos de salas cinemas em Leiria deixou os cinéfilos com poucas opções na cidade. No entanto, parece que agora chegou uma alternativa. Este sábado, 18 de abril, vai abrir um novo cineclube na região, que tem como objetivo divulgar programação independente.

Segundo Sal Nunkachov, um dos fundadores, ao lado de Edite Santos e Raquel Quintino,este espaço era “um desejo antigo” que ganhou mais força quando foram fechados dois complexos na região, apontou à “Lusa”, aqui citado pelo “Observador”.

“Depois da tempestade, perdemos a única sala que tínhamos dedicada ao cinema, que já de si tinha cinema mais convencional. Estamos a querer afastar-nos do que o cinema se tem tornado – uma indústria –, afastando-nos dessa ideia de cinema de entretenimento. Queremos um cinema que obriga a ter tempo. E depois esse tempo potencia uma reflexão. É esse o objetivo principal deste tipo de trabalhos que vamos apresentar”, comenta.

O Cineclube de Leiria vai, então, “divulgar um cinema com menor circulação”. A programação aposta em “primeiras obras, extensões de festivais menores, filmes que caíram em desuso, filmes do protocinema — de 1910, 1920, etc. — ou obras de videoarte, filmes de Super 8 caseiros.”

“Todas estas coisas não têm lugar, normalmente, nos cinemas. E essa será uma das partes que tentaremos divulgar, não somente, mas essencialmente. Embora tenhamos um interesse próprio, estar num sítio implica perceber que dinâmicas podem ser feitas. Teremos de auscultar as pessoas, ver o que faz falta e tentar entregar algum cinema porque, lá está, ficámos sem ele”, explica Sal Nunkachov.

A primeira sessão decorrerá pelas 21h30 deste sábado, nas instalações da empresa Void, situada no Centro Comercial D. Dinis. Também haverá performances com textos musicados e projeção de filmes de família em formato Super 8 (um formato de filme cinematográfico lançado pela Kodak em 1965 que ajudou a popularizar os filmes caseiros e experimentais entre os anos 60 e 80).

“Esses filmes são muito interessantes, porque oferecem uma visão doméstica do mundo. Vemos carros que já não existem, fachadas de edifícios que não coincidem com o que vemos hoje nas cidades, o próprio modo de vida. Há uma certa dose de antropologia e sociologia, política, inclusive, que se podem observar nessas coisas, que são muito interessantes”, descreve.

Em Leiria, o cineclube vai ter sessões quinzenais. Além disso, vai circular pelo País. A 24 de abril, por exemplo, vai leva os filmes Super 8 à Barraca, em Lisboa. Também vai colaborar com os cineclubes de Braga e Caldas da Rainha.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos filmes que estreiam em abril nas plataformas de streaming.

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