Cinema

Luxúria, ciúmes e uma casa (quase) em chamas. Chegou o filme que conquistou Berlim

"Céu em Chamas" levou para casa o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim. Mistura drama, romance e comédia.
Foi um sucesso em Berlim.

“Céu em Chamas” foi um dos grandes vencedores da mais recente edição do Festival de Cinema de Berlim, que decorreu entre 16 e 26 de fevereiro. Levou para casa o Urso de Prata e foi um dos filmes mais elogiados do evento. Nesta quinta-feira, 23 de novembro, chegou aos cinemas portugueses.

Realizado por Christian Petzold, o filme que mistura o drama e a comédia acompanha um grupo de jovens cujos sentimentos entram em ebulição numa pequena casa de verão junto ao mar Báltico. Leon (Thomas Schubert) é um escritor que está a passar por um bloqueio criativo enquanto tenta escrever o seu segundo livro. Para se inspirar, Leon aceita o convite de Felix (Langston Uibel), um amigo fotógrafo, para passar algum tempo com ele na sua casa de férias.

É lá que ambos conhecem Nadja (Paula Beer), uma mulher enigmática e muito misteriosa que estava a viver naquele mesmo local durante o período do verão. Embora sejam eles os três principais elementos, a narrativa conta com a entrada e saída de muitas outras personagens que ajudam a criar um enredo ainda mais dramático — e que despertam diferentes sentimentos nos protagonistas, como felicidade, luxúria, amor, ciúmes e ressentimento.

Como se isto não bastasse, têm de tentar sobreviver a um incêndio que queima rapidamente a floresta à sua volta. O fogo é, então, outro elemento bastante presente no filme — e não é uma mera coincidência. Em “Undine”, a água era uma parte da natureza que tinha um grande destaque. Agora, são as chamas. No futuro, vai ser a terra, tal como o próprio realizador já afirmou em várias entrevistas.

“Para criar a personagem principal, inspirei-me em muitas fases da minha vida enquanto artista”, explica o realizador à “NPR”. Quando foi idealizado pela primeira vez por Petzold, o projeto era completamente diferente. Os toques de comédia não estavam presentes, e a ideia passava por criar drama puro. A pandemia fê-lo mudar de planos.

“Durante a época do primeiro confinamento, estive infetado com Covid durante quatro semanas. Deitava-me com um guião ao lado e a história decorria num futuro distópico. Enquanto passava mal decidi que não iria seguir esta linha mais pesada. Queria fazer um filme sobre a vida, a juventude, as suas ambições e o mundo incrível que temos”, revela à “NPR”.

O que nunca mudou foi a participação de Paula Beer no filme. A atriz e o cineasta já tinham trabalhado juntos no passado, em “Undine” (lançado em 2020). “Quando li o novo guião pela primeira vez fiquei imediatamente fascinada. Explica muito bem o que é ser humano nos dias de hoje e tem um grande espírito de liberdade”, diz Beer à “IndieWire”.

No Rotten Tomatoes, “Céu em Chamas” conta com uma avaliação média de 91 por cento por parte da crítica especializada. “O guião, que também foi escrito pelo realizador Christian Petzold, tem muitos bons (e subtis) momentos de comédia, que são depois interpretados por um elenco impecável de atores”, diz o “Los Angeles Times”. “Inteligente e triste, constrangedor e surpreendente”, descreve, desta vez, o “Times”, que lhe deu uma pontuação de quatro estrelas em cinco.

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