Cinema

Marisa Tomei, a ativista vencedora de um Óscar que não acredita no casamento

Nunca teve filhos e continua a lutar contra o sexismo em Hollywood. O seu novo filme estreou esta sexta-feira, 9 de fevereiro.
O ativismo faz parte da sua vida.

Marisa Tomei não quer parar de representar, mas fazer uma pausa na carreira é uma ideia que lhe passa frequentemente pela cabeça. Se alguma vez o fizer, a atriz de 59 anos já tem muitos planos — e todos passam pelo ativismo para tentar mudar mentalidades e comportamentos.

Enquanto se mantém sob os holofotes, tem participado em filmes de vários géneros. O mais recente (“Upgraded“) chegou esta sexta-feira, 9 de fevereiro, à Prime Video. Aqui, aparece ao lado de Camila Mendes, um nome muito popular entre a geração Z.

“Ana (Camila), uma ambiciosa estagiária, sonha com uma carreira no mundo da arte enquanto tenta impressionar Claire (Marisa), a sua exigente chefe. Quando tem um upgrade para a primeira classe numa viagem de trabalho, conhece o atraente Will que confunde Ana com a sua chefe, uma pequena mentira que desencadeia uma série de acontecimentos, romances e oportunidades até que a sua mentira seja revelada”, lê-se na sinopse.

Quem acompanha a vida da Marisa — que em 1993 ganhou o Óscar de Melhor Atriz Secundária graças ao seu papel em “O Meu Primo Vinny” — sabe que nunca casou, uma opção consciente e não fruto do acaso.

“Não acredito no casamento enquanto instituição, e não percebo porque muitos consideram que as mulheres têm de ter filhos para serem vistas como seres humanos completos”, contou à revista “Glamour”.

A sua posição sobre este tema é sobejamente conhecida em Hollywood, embora raramente o aborde. Sabido é também que “inunca foi algo que tivesse realmente perseguido, mesmo quando estava na casa dos 20 anos. Ela sempre foi movida pelo trabalho, e não pelo amor”, revelou um amigo próximo de Tomei à “Closer Weekly”.

Apesar de nunca falar sobre a sua vida privada, teve alguns romances muito mediáticos. Entre 2008 e 2013 manteve uma relação intermitente com o também ator Logan Marshall-Green. Muitos fãs pensavam que acabariam por casar, mas estavam enganados. Também namorou Robert Downey Jr., com quem contracenou na mais recente saga de “Homem-Aranha”, protagonizada pelo britânico Tom Holland.

“Ela vive ao máximo a sua vida e recebe papéis pelos quais muitos outros atores matariam. O sucesso dela é uma combinação de talento e muito trabalho sem distrações”, acrescentou o amigo.

A luta contra o sexismo e idadismo em Hollywood

“A indústria decidiu que agora sou uma tia, e é difícil ter outros papéis. A verdade é que o sexismo existe em qualquer profissão, mas no meu trabalho, os números não mentem”, contou, em 2021, à “Variety”.

Segundo um estudo lançado naquele ano, apenas 33 por cento de papéis com falas e 22 por cento de protagonistas eram interpretados por mulheres. “É tudo um jogo de números, e quando começamos a acrescentar outros fatores, como a idade, a possibilidade de termos uma personagem impactante diminui drasticamente”, lamenta.

Os castings são frustrantes, e não consegue escapar a encarnar sempre as mesmas pessoas. Foi isso que aconteceu em “Homem-Aranha” e “O Rei de Staten Island”. Afirma, porém, que tudo está melhor do que quando entrou em Hollywood, em 1984. “Mas só porque está 75 por cento melhor, não quer dizer que devamos parar de nos revoltar contra o sistema. Precisamos de igualdade: tanto nas ofertas como no pagamento”, realça a atriz.

Sabe, infelizmente, que tem de seguir o jogo dos grandes executivos da indústria. Se não o fizer, o resultado é acabar desempregada. É por isso que, embora se sinta desmotivada, continua a aceitar papéis que reforçam os estereótipos associados às mulheres da sua idade.

“Arrependo-me muito de ter seguido este caminho. Convenceram-me de que fazia parte do desenrolar natural da minha carreira e eu aceitei. Mas tenho a certeza de que consigo dar vida a muitas outras histórias”, frisa, desta vez, ao “Collider”.

Acredita que todos os atores têm diferentes dimensões e capacidades além daquilo que está escrito num guião. “Mas se quisermos continuar a trabalhar, temos de fazer o que é preciso”, lamenta. Embora tivesse tentado lutar contra o sistema, os seus esforços foram infrutíferos.

Olhando para o que se segue no seu percurso profissional, revela que gostava de interpretar uma “femme fatale” e de participar num film noir. Até as comédias românticas parecem-lhe uma boa aposta. No fim, tudo o que a possa tirar desta rotina em que se meteu. “Há tantos papéis que nós, mulheres, conseguimos fazer”, destaca.

Uma vida dada ao ativismo

Marisa não luta apenas por uma causa. Ao longo da sua carreira, também já marchou com a comunidade LGBTQIA+, apoiou os trabalhadores da Broadway e participou em eventos que angariavam fundos para apoiar quem luta contra o VIH.

“Quero viver num mundo em que toda a gente seja tratada de forma igual e tenha as mesmas oportunidades. É por isso que sempre dediquei uma grande parte da minha vida à luta pelos direitos humanos”, contou ao “Deadline” em 2019.

O ativismo de Marisa abrange diferentes problemáticas, como o meio ambiente. Em 2021, esteve presente num protesto contra a poluição de um rio perto de Park Rapids (EUA), numa zona onde vivem, maioritariamente, indígenas.

“Juntei-me ao grupo em terras nativas para apoiar esta causa. A água está a ser poluída e isto é um grande problema que precisa de ser parado. Estamos aqui para pôr pressão em cima do presidente Joe Biden”, conta à PBS. “Há tempo para fazermos o luto, e tempo para entrarmos em ação. Agora é a altura de agirmos. Estamos a erguer-nos juntos para mudarmos o estado atual do mundo”, conclui.

A breve (mas engraçada) passagem por “Seinfeld”

Em 1996, Marisa Tomei foi uma das atrizes convidadas em “Seinfeld”, uma das sitcoms mais populares da história. No 14.º e 15.º episódio da sétima temporada, interpretava uma versão de si mesma que era fascinada por homens “engraçados, caricatos e carecas”.

Segundo o que contou à “Insider”, este papel surgiu apenas porque Larry David e Jerry Seinfeld, os protagonistas e produtores executivos, achavam piada ao seu nome. Ao longo dos dois capítulos, este foi dito mais de 30 vezes.

“Quando cheguei lá, perguntei ao Larry o porquê de ter sido tão sortuda para ter esta oportunidade. ‘Bem, quando dizemos o teu nome uma e outra vez, tem um ritmo muito forte’, disse-me ele”.

Ficou muito orgulhosa por fazer parte daquela produção. Afinal, também ela era uma grande fã da obra que teve nove temporadas. “Foi um grande entusiasmo. Lembro-me de ver todos os episódios e morrer a rir”, recorda.

Carregue na galeria para conhecer as séries (e regressos) que chegaram em fevereiro às plataformas de streaming e à televisão. 

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