Cinema

“Men”: o novo filme de terror que é uma metáfora para a masculinidade tóxica

Os homens são retratados como predadores ou agressores em relação às mulheres no novo projeto de Alex Garland.
Rory Kinnear interpreta os homens da história.

Chama-se simplesmente “Men” (“homens”, em português) e é um novo filme de terror que estreia nos cinemas nacionais esta quinta-feira, 4 de agosto. Foi escrito e realizado por Alex Garland, o aclamado cineasta responsável por “Ex Machina”, “Aniquilação” e pela série “Devs”.

Esta não é uma história assustadora sobre assassinatos cruéis ou figuras sobrenaturais clássicas como fantasmas ou zombies. O foco está nos terrores mundanos que infelizmente são familiares para muitas mulheres. 

A narrativa, que se passa no Reino Unido, acompanha a protagonista Harper (Jessie Buckley). A recuperar da morte do ex-marido, muda-se para uma cidade pitoresca, na esperança de se revigorar emocionalmente. O que encontra, porém, é uma terra populada por homens que a deixam insegura e a temer pelo seu bem-estar. Desde o polícia local ao senhorio da casa que está a alugar, passando pelo padre e por estranhos aleatórios com que se depara na rua, todos eles têm uma presença algo ameaçadora. 

Todas estas personagens são interpretadas por um único ator, Rory Kinnear — o que diz muito sobre as intenções de Alex Garland. O cineasta quis retratar o ambiente de masculinidade tóxica que existe na nossa sociedade do ponto de vista de uma mulher.

E demonstrou como, muitas vezes, os homens podem ser todos iguais. Ou, pelo menos, como podem partilhar algumas características que se refletem nas micro agressões a que sujeitam as mulheres — e que aqui, nesta história de terror recheada de alegorias simbólicas e por vezes abstratas — ganham outra dimensão.

A cultura de culpabilização das vítimas, ou de questionar tudo aquilo que uma mulher alega — como quando o polícia duvida da palavra de Harper quando a protagonista diz que foi perseguida por um homem —, também está evidenciada neste filme. Garland pretende mostrar como não se tratam de meros casos isolados, mas sim de uma construção coletiva e sistemática de opressão.

A inspiração inicial para o cineasta criar um enredo deste género partiu das enigmáticas figuras Green Man e Sheela na Gig. São duas personagens antigas, esculpidas em muitas igrejas medievais pela Europa fora (mas sobretudo no Reino Unido), apesar de serem anteriores a essa época. Não existe um grande consenso sobre o que representam, mas inspiraram Garland.

“São dois ícones que são usados uma e outra vez”, disse o cineasta ao site especializado “Den of Geek”. “Encontramo-los em muitas igrejas, por toda a Europa e não só. São interessantes porque são peças poderosas de iconografia e provocam uma reação de uma ou outra forma.”

Alex Garland sempre viu estas figuras como homenagens ao masculino, e começou a pensar na forma como os seus olhares penetrantes podem espelhar os tais terrores que têm atormentado tantas mulheres ao longo dos séculos. 

“Escrevi três ou quatro guiões que usam estes ícones ao longo dos últimos 15 anos. Mas esta foi a primeira vez que de facto cheguei ao ponto de o tornar num filme.”

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