Cinema

Mia Goth: a modelo que virou musa do terror (mas continua a apaixonar meio mundo)

Estreou-se no polémico “Ninfomaníaca”, só quer trabalhar com realizadores de culto e é a estrela da nova e bombástica trilogia de terror de Ti West.
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Até à chegada da resposta final de Lars von Trier, a jovem modelo inglesa tinha apenas participado num videoclipe musical e feito uma breve aparição de três episódios numa modesta série televisiva. A entrada em cena em “Ninfomaníaca: Volume II” seria um batismo de fogo num dos filmes mais explícitos e controversos dos últimos anos.

A entrada de rompante na indústria parece ter valido a pena. Em menos de uma década, a inglesa tornou-se numa espécie de musa do cinema de terror, enquanto vai agradando a realizadores de culto como Lars von Trier, Luca Guadagnino ou Ti West.

Em “Ninfomaníaca”, Mia Goth prestou-se à nudez total e a cenas de sexo altamente explícitas. Sobre a estreia às mãos de von Trier, a atriz só tem maravilhas a dizer. “Foi divinal. Criou em mim um mapa no que toca ao tipo de material, de realizadores e de elenco com os quais quero trabalhar”, explicou à “Collider”. “Fui incrivelmente afortunada por esse ter sido o meu primeiro projeto.”

A atriz de 29 tem uma visão muito particular dos filmes que quer agarrar. “Quero histórias que explorem pessoas. É isso. Não estou muito preocupada com o enredo, isso não me interessa”, confirma. “Quero estudo de personagens, quero realizadores interessados em atores, em tirar deles o máximo possível. Realizadores que estejam preocupados coma verdade, que essa seja a sua máxima prioridade.”

Em 2016, foi escolhida para fazer parte do elenco de “A Cure for Wellness“, o drama de fantasia e terror de Gore Verbinski — a produção que a lançou no género. Seguiu-se “Marrowbone”, o filme de terror que a colocou ao lado de nomes como Anya Taylor-Joy ou George MacKay. Sem tempo para respirar, foi recrutada por Luca Guadagnino para a sua versão de “Suspiria”, um original de Dario Argento. Mais uma vez, Goth concretizava os seus objetivos de agarrar produções com realizadores de renome e elencos de fazer inveja: contracenou com Chloe Grace Moretz, Tilda Swinton e Dakota Johnson.

Haveria de se juntar a Robert Pattinson e a Juliette Binoche para uma aventura no espaço, antes de voltar à terra para uma experiência completamente oposta. Em 2020, protagonizou “Emma”, uma comédia romântica passada no século XIX com Anya Taylor-Joy e Bill Nighy.

“Acho que os melhores realizadores têm abordagens muito semelhantes. Não têm medo de abdicar do controlo. Não tentam controlar todos os ínfimos pormenores, não tentam controlar os atores no set. De certa forma, o seu trabalho é tudo o que antecede o que acontece no set”, explica.

É na atual fase da carreira que entra na sua vida Ti West, o ator e cineasta que percorreu toda a sua carreira nos corredores do terror e, ao lado de Goth, encontrou o sucesso. Tanto que, de uma assentada, produziram em conjunto dois filmes, “X” e “Pearl”, ligados pela protagonista, Mia Goth, e por um fio condutor que entrelaça as duas narrativas.

Ambas as produções lançadas este ano — foram gravadas no mesmo local, com um mês de intervalo — acontecem no mesmo universo. “Pearl” serve de história de origem a outra personagem de “X”. “Foi estranho, porque tivemos apenas três semanas e meia para transformar o mundo de ‘X’ no de ‘Pearl'”, revela Ti West, que pensou imediatamente em Mia Goth.

A ideia original passava por fazer apenas um filme, mas depois percebeu que tinha um set único e já tinha tudo organizado. Assim, mais valia aproveitar e fazer já a prequela que também tinha imaginado. “Perguntei à Mia que se conseguisse montar tudo, se ela viria e me ajudaria a gravar os dois filmes de uma assentada. E ela disse que sim.”

O slasher começa em 1979, quando um grupo de cienastas procura fazer um filme para adultos no Texas, mas acaba por ter que lutar pela vida em circunstâncias inesperadas. É dai que a ligação ocorre para “Pearl”, com a história de origem de uma das personagens. Em ambos, Mia Goth tem a oportunidade de interpretar a protagonista.

Mais do que interpretar, Goth teve também a oportunidade de ajudar a completar os guiões. “O Ti [West] gostou da ideia de colaborarmos e de eu ajudar a escrever o guião com ele. Nunca tinha escrito nada, fui muito ingénua em todo o processo”, conta a atriz.

A verdade é que ambos os filmes receberam enormes elogios dos críticos. À boleia desta dupla de sucesso de filmes, Goth cimentou de vez o seu nome como uma das estrelas do momento no cinema de terror.

Apesar de ter nascido em Londres, não se admire se, a certa altura, ouvir Mia Goth a falar português. A jovem atriz é filha de uma brasileira e de um canadiano. Mais: a sua avó materna é a atriz brasileira Maria Gladys.

Goth chegou mesmo a viver no Brasil durante os primeiros anos de vida, antes de se mudar novamente para o Reino Unido aos cinco anos. As suas feições pouco usuais — e as sobrancelhas quase invisíveis que se tornaram na sua imagem de marca — despertaram a atenção da fotógrafa de moda Gemma Booth, que a recrutou.

Passou pelas páginas da “Vogue”, fez anúncios para as grandes marcas, até que aos 16 decidiu tentar a sorte no cinema. E a sorte ditou um encontro com Lars von Trier, mas também com Shia Laboeuf, que conheceu nos bastidores e com quem haveria de dar início a uma relação, antes de decidirem realizar um casamento invulgar.

Ao bom estilo de LaBeouf, o casal viajou até Las Vegas para simular um casamento ministrado por um imitador de Elvis Presley. Apesar de uma breve separação em 2018, estão novamente juntos e tiveram o primeiro filho em março.

Tal como no ecrã, Mia Goth também não é de passar despercebida longe das câmaras. É quase sempre um dos destaques nas estreias e nos festivais, com os seus looks bombásticos. A promoção mundial de “Pearl” tem sido particularmente rica em visuais arriscados, quase sempre assente num estilo que já ficou conhecido como o de “viúva chic”.

E porque a parceria com West tem sido tão prolífica, poucas seriam as hipóteses de não assistirmos a novo reencontro. Os dois preparam já uma sequela de “X” que transformará tudo numa trilogia. Chama-se “MaXXXine” e acompanhará Maxine, a única sobrevivente dos trágicos e tenebrosos crimes de “X”. No papel principal? Já adivinhou: a nova musa do terror, Mia Goth.

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