Cinema

Miguel Gomes vence prémio de melhor realização em Cannes com “Grand Tour”

É a primeira vez que o realizador de 52 anos é distinguido na competição. Daniel Soares também recebeu uma menção honrosa.
Tem 52 anos.

A 77.ª edição do maior festival de cinema do mundo terminou este sábado, 25 de maio, com um momento histórico para o cinema português: o cineasta português Miguel Gomes venceu o prémio de melhor realização do Festival de Cinema de Cannes, em França, pelo filme “Grand Tour”. É a primeira vez que o autor de 52 anos é distinguido na competição.

Com o prémio nas mãos, entregue pelo realizador alemão Wim Wenders, Miguel Gomes fez um pequeno discurso na cerimónia e agradeceu ao cinema português, sublinhando a raridade que é haver filmes nacionais na competição oficial.

“Em Portugal há muitas dúvidas, não se sabe o que vai acontecer com as políticas para o cinema. Vou insistir com o poder político, este prémio permite-me fazê-lo. É preciso continuar a apoiar o cinema português, mesmo quando se diz tanto mal dos filmes portugueses”, disse durante a gala.

O realizador deixou ainda uma mensagem de agradecimento a “grandes cineastas”, como Manoel de Oliveira, que o inspiraram a fazer cinema. Sem a equipa, disse, nada seria possível. “O prémio é importante, mas o trabalho é coletivo. Quando tenho dias maus, a equipa ajuda-me. Estou muito contente com este prémio e quero partilhá-lo com os portugueses”, sublinhou.

“Grand Tour”, produzido pela Uma Pedra no Sapato, foi o primeiro filme de um realizador português na principal secção competitiva do Festival de Cannes desde “Juventude em Marcha”, de Pedro Costa, em 2006. Filmado em Lisboa e Roma, e com alguns cenários na Ásia, a história de “Grand Tour” segue um romance de início do século XX, com Edward (Gonçalo Waddington”, um funcionário público do império britânico, foge da noiva Molly (Crista Alfaiate) no dia em que ela chega para o casamento.

“Contemplando o vazio da sua existência, o cobarde Edward interroga-se sobre o que terá acontecido a Molly… Desafiada pelo impulso de Edward e decidida a casar-se com ele, Molly segue o rasto do noivo em fuga através deste ‘Grand Tour’ asiático”, refere a sinopse. Miguel Gomes já tinha explicado esta semana, em conferência de imprensa em Cannes, que este é um filme “sobre a determinação das mulheres e a cobardia dos homens”. Um dos pontos de referência do realizador é o livro de viagens “Um Gentleman na Ásia”, de Sommerset Maugham.

Para se preparar para o filme, Miguel fez um arquivo de viagem pela Ásia, como Myanmar, Vietname, Tailândia e Japão, para recolher imagens e sons contemporâneo para a longa-metragem que se desenrola em 1918.

O realizador já tinha marcado presença em Cannes, na Quinzena de Cineastas, onde apresentou “Aquele Querido Mês de Agosto”, em 2008, “As Mil e Uma Noites”, em 2015, e “Diários de Otsoga”, em 2021.

O português Daniel Soares venceu também uma menção especial no Festival de Cannes com a curta-metragem “Mau por um Momento”, que estava integrada na competição oficial. O filme tem produção de O Som e a Fúria e de Kid With a Bike e o elenco integra João Villas Boas, Ana Vilaça, Isac Graça, Cláudia Jardim, João Patrício, entre outros.

“Um evento de ‘team-building’ corre mal e obriga o dono de um atelier de arquitetura a encarar a realidade do bairro popular que a sua empresa está a gentrificar”, lê-se na sinopse.

Quanto à Palma de Ouro de Cannes, a grande vencedora foi “Anora”, do norte-americano Sean Baker. O filme narra o relacionamento entre uma stripper de Nova Iorque e o filho de um oligarca russo, que casam por capricho em Las Vegas, o que desperta a fúria das suas famílias.

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