Cinema

Miss, militar e estrela de Hollywood. Quem é a Mulher-Maravilha que anda por Lisboa?

Gadot fez notícia por causa da sua ida ao hospital, mas é nos cinemas que faz sucesso. Está em Portugal a gravar o novo filme.
Tem 37 anos — e três filhos

Depois de se destacar na saga de “Velocidade Furiosa”, Gal Gadot tornou-se numa das atrizes mais populares e requisitadas de Hollywood. Interpretou a Mulher-Maravilha, protagonizou o blockbuster da Netflix “Aviso Vermelho”, está na calha para ser a próxima “Cleópatra” e uma vilã no remake de “Branca de Neve e os Sete Anões”. Em fevereiro, foi protagonista de “Morte no Nilo”, história icónica de Agatha Christie, centrada no detetive Poirot, adaptada por Kenneth Branagh (depois de “Um Crime no Expresso do Oriente”). 

Por estes dias, Gadot está em Portugal a preparar o seu próximo grande filme, “Heart of Stone”, onde irá contracenar com Jamie Dornan. No entanto, a produção está a ser atribulada, sobretudo porque a atriz israelita terá sido forçada a interromper os trabalhos para ser observada nas urgências do hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Nas redes sociais, comentava-se a presença de Gadot num hospital português ao longo dos últimos dois dias. Segundo a “TV 7 Dias”, a visita terá mesmo acontecido e tudo terá ocorrido em Loures. A presença de uma enorme equipa de segurança terá chamado à atenção, apesar de a atriz ter estado em observações apenas cerca de três horas. Não se sabe o que motivou a ida ao hospital.

O que se sabe é que a presença de Gadot foi suficiente para provocar uma comoção entre os fãs. De qualquer forma, será preciso esperar uns bons meses até que se possa ver o trabalho, um thriller de espionagem que conta com cenas filmadas em Lisboa, do Chiado à Estrela, passando pela Mouraria.

Gal Gadot começou a carreira de atriz há mais de uma década, mas só nos últimos anos é que se tornou um nome conhecido. Curiosamente, a israelita de 36 anos nunca teve o sonho de ser atriz. Tudo aconteceu por acaso.

Cresceu em Rosh HaAyin, em Israel, tal como os pais. O seu avô materno é um sobrevivente do Holocausto — os nazis invadiram a Checoslováquia, onde a família vivia, e enviaram-nos para o campo de concentração de Auschwitz. Da família, o avô foi o único sobrevivente.

Aos 18 anos, Gal Gadot conhecia o seu destino. Tal como todos os jovens israelitas, tinha de cumprir um serviço militar obrigatório de dois anos. Enquanto não era chamada, e depois de acabar a escola secundária, a mãe sugeriu-lhe inscrever-se num concurso nacional de misses. Algo em que ela nem estava particularmente interessada.

“Eu entrei, nunca pensei que iria ganhar, e depois de repente ganhei e depois assustou-me. Eu fiquei do género: o quê? Miss Israel? Toda a responsabilidade de ser Miss Israel?”, recordou numa entrevista de 2017 com a revista “W”.

Depois de ganhar, teve de ir representar Israel ao concurso mundial de Miss Universo. Gal Gadot diz que fez de tudo para não ganhar. “Quando fui à Miss Universo, rebelei-me. Estava com medo de ser escolhida outra vez”, explicou à “Glamour”. “Chegava atrasada, não usava vestidos de gala. Eles dizem-te para levares um vestido de gala para o pequeno-almoço. Nem pensar! Quem precisa de usar um vestido de gala às 10h30?” Resultou, porque não ganhou o concurso.

O seu objetivo era tornar-se advogada — Gal Gadot entrou no curso de Direito e estava focada em seguir a profissão. Contudo, surgiu uma oportunidade para fazer um papel numa série israelita sobre o mundo da moda. “Bubot” estreou em 2007, quando a atriz tinha 22 anos, e não durou muito tempo.

Contudo, por volta da mesma altura, um diretor de casting que estava à procura de atrizes para um filme de “007” — “Quantum of Solace” — deu com o seu trabalho de modelo. Gal Gadot aceitou fazer um casting para o papel de Camille, mas foi Olga Kurylenko que acabou por ficar com o papel.

Contudo, Gadot impressionou o suficiente para que o seu nome ficasse no radar. E foi assim que a israelita conseguiu o papel de Gisele Yashar em “Velozes e Furiosos” (2009), da saga de “Velocidade Furiosa”, com que ficaria conhecida.

Como tinha experiência militar — e a sua função era dar treino de combate a recrutas no exército israelita — essas habilidades foram imediatamente aproveitadas pelo realizador Justin Lin. O cineasta ficou entusiasmado com a experiência de Gadot em manusear armas. A atriz nem sequer precisou de uma dupla para as cenas mais difíceis.

Foram estas habilidades que a tornaram uma personagem regular na saga, que voltaria a aparecer em “Velocidade Furiosa 5” (2011), “Velocidade Furiosa 6” (2013) e “Velocidade Furiosa 7” (2015). No ano seguinte, estreava-se como a Mulher-Maravilha em “Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça”.

Antes de conseguir este papel, chegou mesmo a considerar deixar a carreira de atriz, uma vez que foi recusada para inúmeros projetos. “Há tantos ‘não’. Há tanta rejeição neste mundo que cheguei a pensar: talvez isto não seja para mim. Talvez devesse voltar à faculdade de Direito em vez de arrastar a minha família comigo”, contou à revista “People”.

Porém, conseguiu vingar na indústria. Ainda que os treinos exigentes que teve de fazer para ser Mulher-Maravilha tenham sido ainda mais difíceis do que o serviço militar que cumpriu. Para o papel, teve de passar meses a andar a cavalo durante uma hora e a fazer exercícios com pesos. Fez uma dieta de duas ou três mil calorias com smoothies de abacate e aveia, leite integral e proteína em pó para ganhar peso. Acabou por ficar com mais sete quilos de músculo. Treinou ainda com espadas, aprendeu capoeira, kickboxing e jiu-jitsu. Mas tornou-a uma estrela em Hollywood.

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