Cinema

Morreu Sam Neill. Estrela de “Jurassic Park” tinha 78 anos

Em 1983, interpretou o espião britânico Sidney Reilly em "Reilly: Ace of Spies", que lhe rendeu uma nomeação aos Globos de Ouro.

Sam Neill, um dos atores mais reconhecidos do cinema internacional e rosto incontornável da saga “Jurassic Park”, morreu esta segunda-feira, 13 de julho, em Sydney, na Austrália. Tinha 78 anos. A notícia foi confirmada pela família através de um comunicado, onde revela que o ator morreu rodeado pelos familiares mais próximos, mas sem revelar a causa.

“É com imensa tristeza que a família de Sam Neill partilha a notícia da sua morte. O Sam estava rodeado pela família e partiu com a dignidade que caracterizou toda a sua vida”, pode ler-se na nota. Os familiares acrescentam que a perda foi “repentina e inesperada”, embora sublinhem que se encontrava livre de cancro. No mesmo comunicado, agradeceram aos profissionais do St Vincent’s Private Hospital pelos cuidados prestados e pediram respeito pela privacidade da família neste momento de luto.

A morte acontece poucos meses depois de Neill ter anunciado que já não tinha sinais da doença. Em 2023, revelou publicamente que lhe tinha sido diagnosticado um linfoma angioimunoblástico de células T em estádio 3, uma forma rara de cancro do sangue, descoberta pouco depois de terminar as filmagens de “Jurassic World: Dominion”, lançado em 2022. Na altura, explicou que teria de continuar a fazer tratamentos de quimioterapia durante o resto da vida. Em abril deste ano, confirmou que estava em remissão.

Nascido na Irlanda do Norte e criado na Nova Zelândia, Sam Neill construiu uma carreira de mais de cinco décadas entre o cinema, a televisão e o teatro. Foi uma das figuras centrais do desenvolvimento da indústria cinematográfica neozelandesa e ganhou projeção internacional em 1977 com “Sleeping Dogs”.

Dois anos depois consolidou o reconhecimento com “My Brilliant Career”, realizado por Gillian Armstrong, um dos filmes mais importantes da chamada nova vaga australiana dos anos 70. A produção tornou-se um sucesso internacional e ajudou a lançar definitivamente a carreira do ator.

Em 1981, destacou-se em dois filmes muito diferentes: “Omen III: The Final Conflict”, a sua primeira grande produção de Hollywood, onde interpretou Damien Thorn em adulto, e “Possession”, de Andrzej Żuławski, um clássico do cinema de terror psicológico protagonizado ao lado de Isabelle Adjani.

A televisão também lhe trouxe reconhecimento. Em 1983 interpretou o espião britânico Sidney Reilly na minissérie “Reilly: Ace of Spies”, papel que lhe valeu uma nomeação para os Globos de Ouro. O desempenho levou mesmo o seu nome a ser apontado como um dos principais candidatos a suceder a Roger Moore no papel de James Bond, embora a escolha tenha acabado por recair sobre Timothy Dalton.

Apesar de ter participado em dezenas de produções ao longo da carreira, foi em 1993 que alcançou a fama mundial ao interpretar o paleontólogo Alan Grant em “Jurassic Park”, realizado por Steven Spielberg. Regressou ao papel em “Jurassic Park III” (2001) e voltou a integrar o elenco em “Jurassic World: Dominion”, quase três décadas depois do filme original.

Fora dos ecrãs, Sam Neill dedicava-se à produção de vinho. Era proprietário da adega Two Paddocks e de uma quinta na região de Central Otago, na Nova Zelândia. Em 2023 publicou também um livro de memórias, “Did I Ever Tell You This?”, escrito depois de receber o diagnóstico de cancro.

Sam Neill foi casado por duas vezes e teve dois filhos: Tim, fruto do casamento com a atriz Lisa Harrow, e Elena, do casamento com a maquilhadora Noriko Watanabe.

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