Cinema

MOTELX: os destaques do grande festival de terror — dos filmes à experiência imersiva

A organização anunciou uma série de novidades: filmes-concertos, sessões especiais e muitas produções novas assustadoras.
O warm-up começa a 1 de setembro.

O MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa anunciou esta terça-feira, 19 de julho, as primeiras novidades da sua 16.ª edição. Vai acontecer entre 6 e 12 de setembro no Cinema São Jorge, com uma programação que se estende a outros espaços da capital portuguesa.

Entre os filmes já confirmados e que estão em maior destaque neste ano encontra-se “Final Cut”, do cineasta francês Michel Hazanavicius (“O Artista”). Trata-se de um remake do filme japonês “One Cut of Dead” — com Romain Duris e Bérénice Bejo como atores protagonistas —, em que uma equipa de cinema que faz um filme de baixo orçamento sobre uma epidemia de zombies é atacada por zombies reais.

O italiano Dario Argento, o famoso autor de “Suspiria”, também está em destaque no MOTELX. O seu mais recente filme, “Dark Glasses”, com a participação da filha Asia Argento, vai ser exibido no festival — e estão prometidas doses intensas de gore.

A programação inclui ainda filmes como “Holy Spider”, de Ali Abbasi; “Huesera”, de Michelle Garza Cervera; “Hunt”, de Lee Jung-jae; ou “Wolfskin”, de Jacques Molitor. Vai haver uma sessão especial de uma cópia recentemente restaurada de “A Praga”, do mestre do cinema de terror brasileiro José Mojica Marins. E a história de como o filme foi perdido e depois recuperado é relatada em “A Última Praga de Mojica”.

O cinema português de terror — muito dele de inspiração folclórica — também estará representado com títulos como “Criança Lobo”, de Frederico Serra; “Cemitério Vermelho”, de Francisco Lacerda; “Matrioska”, de Joana Correia Pinto; “Quando a Terra Sangra”, de João Morgado; “Uma Piscina”, de Carolina Aguiar; ou “Os Demónios do Meu Avô”, de Nuno Beato. Este último trata-se da primeira longa-metragem de animação stop motion feita em Portugal.

Uma das principais iniciativas desta 16.ª edição do evento é a publicação do livro “O Quarto Perdido do MOTELX – Os Filmes do Terror Português (1911-2006)”. Trata-se de um registo de todos os filmes associados ao género terror feitos em Portugal até 2006 — ano que antecedeu a primeira edição do MOTELX. O trabalho de pesquisa fora iniciado em 2009.

No âmbito deste projeto de valorização e celebração do terror nacional, o festival vai exibir três filmes do produtor Paulo Branco, que constam do livro: “O Convento” (1995), de Manoel de Oliveira; “O Fascínio” (2003), de José Fonseca e Costa; e “Coisa Ruim” (2006), de Tiago Guedes e Frederico Serra. Paulo Branco estará presente para falar sobre as suas experiências enquanto produtor.

O MOTELX vai ainda exibir o primeiro filme de terror português de sempre, “Os Crimes de Diogo Alves” (1911), numa sessão especial. Esta era uma das produções cinematográficas favoritas do pianista Bernardo Sassetti. Dez anos após a sua morte, e em colaboração com a Casa Bernardo Sassetti, o MOTELX faz uma sessão do filme mudo com música do compositor — interpretada ao vivo por um combo da Escola Superior de Música de Lisboa no Teatro São Luiz.

Um dos dias do evento será particularmente dedicado à relação entre o terror e o mar através do FILMar — um projeto operacionalizado pela Cinemateca Portuguesa e pelo fundo europeu EEA Grants, que tem como objetivo restaurar e digitalizar cinema relacionado com o oceano.

Como tem sido habitual, antes de começar o festival vai haver uma série de eventos especiais de warm-up. Este ano acontecem entre 1 e 3 de setembro. O jardim do Palácio Pimenta – Museu de Lisboa, no Campo Grande, vai acolher uma sessão do filme português “O Fauno das Montanhas” (1926), de Manuel Luís Vieira, com música interpretada ao vivo pela Orquestra Metropolitana de Lisboa.

O MOTELX vai também celebrar o centenário de um dos filmes de terror mais icónicos de sempre, “Nosferatu”, de F.W. Murnau, através de uma experiência sonora e visual imersiva no Convento São Pedro de Alcântara. A sessão de cinema ao ar livre, que acontece sempre no Largo Trindade Coelho, desta vez vai receber o filme “What We Do In The Shadows” (2014), de Jemaine Clement e Taika Waititi. Saiba mais informações no site oficial do festival.

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