Cinema

Natalie Portman: a feminista que vai ser Thor no cinema e líder do futebol na vida real

A atriz e produtora de 39 anos vai construir a primeira equipa feminina profissional em Los Angeles dos últimos 12 anos.
A atriz começou a carreira quando era adolescente.

Quando Natalie Portman apareceu na gala dos Óscares deste ano com um vestido negro e dourado da Dior, com os nomes bordados de realizadoras que poderiam ter sido nomeadas para os prémios — como Greta Gerwig, Marielle Heller ou Céline Sciamma, entre outras — a atriz israelo-americana de 39 anos foi aclamada nas redes sociais e por grande parte da imprensa americana pelo seu protesto discreto e simbólico.

No entanto, também foi criticada por isso. Uma das maiores críticas veio de Rose McGowan, outra atriz e uma das alegadas vítimas de Jeffrey Epstein, que acusou publicamente Natalie Portman de pregar um “falso feminismo”. 

“Esse é o tipo de protesto que é aclamado pela imprensa mainstream pela sua coragem. Coragem? Nem perto disso. Parece-me mais que é uma atriz a interpretar o papel de alguém que se preocupa. Como muitas delas fazem. As estrelas do teu nível podiam mudar o mundo se se chegassem à frente em vez de serem parte do problema. Sim, tu, Natalie. Tu és o problema. Falso apoio para outras mulheres é o problema”, escreveu McGowan na altura nas suas redes sociais.

Não é como se aquele tivesse sido um ato isolado de Natalie Portman, uma atriz conceituada e reconhecida que tem usado o seu estatuto de figura pública (e o seu dinheiro) para contribuir para a causa do feminismo, da defesa da igualdade de género e que tem sido uma das várias vozes do movimento #MeToo.

Há dois anos, nos Globos de Ouro, foi a vez de outro apontamento subtil — mas que ninguém conseguiu ignorar. Quando subiu ao palco para apresentar os nomeados na categoria de Melhor Realizador, em vez de dizer “E os nomeados são…”, Natalie Portman optou por referir “E os nomeados, todos homens, são…”

O protesto subtil de Natalie Portman nos Óscares.

Certo é que nem sempre estes gestos significam mais do que isso — tal como Rose McGowan, são vários os que criticam estas posturas por representarem palavras sem atos. Contudo, essa não parece ser a descrição mais justa para aquilo que Natalie Portman tem feito.

O seu mais recente projeto nesta área tem a ver com o desporto e não está de todo relacionado com o mundo do cinema. Depois de 12 anos sem uma equipa feminina de futebol profissional no sul da Califórnia, Natalie Portman decidiu investir numa equipa que vai começar a jogar em 2022 em Los Angeles. Poderá chamar-se Angel City, apesar de ainda ser um nome provisório.

Portman foi angariar apoios financeiros (e não só) a outras atrizes, como Eva Longoria, Jessica Chastain, Uzo Aduba e Jennifer Garner; a desportistas de classe mundial como Serena Williams, Mia Hamm, Julie Foudy, Joy Fawcett, Rachel Buehler, Tisha Venturini-Hoch e Abby Wambach; e ainda a investidores como Kara Northman e Alexis Ohanian (um dos fundadores da plataforma Reddit). Assim, este é um dos poucos grupos empresariais de desporto profissional nos EUA liderado e dominado por mulheres.

“Queríamos ter a certeza de que tínhamos parceiros incríveis do mundo do futebol, que são líderes no desporto, na tecnologia, nos negócios e no entretenimento porque a nossa cidade é muito isso. Cada um tem uma habilidade especial para trazer à equipa”, disse Natalie Portman ao jornal “Los Angeles Times” no final de julho, quando este projeto foi anunciado.

O grupo liderado por Natalie Portman, e que na maioria é composto por mulheres, está em negociações com potenciais parceiros para conseguirem um estádio onde possam treinar e jogar. O “Los Angeles Times” diz que o LA Galaxy é um dos clubes que estão envolvidos nas negociações.

Natalie Portman teve a ideia de construir este projeto e dar uma oportunidade profissional às mulheres futebolistas depois de, em 2019, a equipa nacional americana ter vencido o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino.

Nos filmes de “Thor”, interpretou a sua companheira Jane Foster.

No cinema, Portman também vai assumir um papel histórico e que poderá ser visto como um avanço da igualdade de género dentro da indústria de Hollywood. Natalie Portman interpretou duas vezes o papel de Jane Foster nos filmes de “Thor”, da Marvel, mas agora vai assumir o papel do próprio protagonista.

Não será a mulher do herói, nem a sua ajudante ou parceira de aventuras, vai mesmo ser a heroína principal. O projeto não está a ser construído a partir do nada — num dos livros da banda desenhada de “Thor”, há uma história em que Jane Foster se transforma em Thor e passa a ter os seus poderes (e o martelo super poderoso conhecido como Mjölnir).

As filmagens do próximo filme de “Thor” — que, apesar da natureza da narrativa, deverá contar com Chris Hemsworth no elenco — vão acontecer na Austrália e deverão arrancar em 2021. As gravações tiveram de ser adiadas por causa da pandemia. A estreia está prevista para 11 de fevereiro de 2022. Só nessa altura poderemos ver a primeira mulher a manobrar o famoso martelo de Thor.

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