Cinema

Os orgasmos, o burnout e a “tensão sexual” que atormentou Nicole Kidman no novo filme

"Babygirl" estreou esta quinta-feira, 26 de dezembro, nos cinemas em Portugal. É um dos papéis mais sensuais e vulneráveis da atriz.

Não é incomum os atores interromperem as gravações. Uns fazem-no por cansaço, outros por frustração ou alguns apenas porque sentem que, enquanto estrelas, têm esse direito. No caso de Nicole Kidman, a atriz decidiu parar as filmagens do novo filme e pediu à equipa para abandonar o set por um motivo inusitado: revelou estar exausta de fingir orgasmos,revelou ao “New York Post” em outubro.

Tudo aconteceu no set do novo drama “Babygirl”, que estreou esta quinta-feira, 26 de dezembro, nos cinemas portugueses. Na obra, Kidman interpreta uma poderosa empresária que arrisca a carreira e a vida familiar para ter um caso com um estagiário mais jovem (Harris Dickinson). O elenco inclui ainda Antonio Banderas no papel do marido da protagonista.

“Houve alturas em que estávamos a gravar e eu pensava: ‘Não quero mais ter orgasmos’”, confessou a atriz ao jornal. Durante a produção, repetiu várias vezes frases como “não se cheguem perto de mim”, “odeio fazer isto” ou “não me importo que nunca mais me toquem na vida”.

Dickinson confirmou, na mesma entrevista, que a atriz de 57 anos pedia regularmente aos membros da equipa para “saírem por uns segundos”, de modo a que conseguisse recompor-se após as cenas eróticas. “A tensão sexual está tão presente no filme que, durante as gravações, tornava-se muito esgotante. Foi quase como um burnout”, revelou o ator.

Apesar do desgaste, Kidman aceitou o papel por confiar na realizadora Halina Reijn. “Só me submeti a este esforço físico e mental porque o filme foi realizado por uma mulher. Se ‘Babygirl’ tivesse sido feito por um homem, eu não o faria”, confessou. “Sabia que nas mãos dela nunca seria explorada. Sentia-me vulnerável, mas também segura. Isso fez toda a diferença.”

A escolha de Kidman pelo papel teve uma motivação clara: o desejo de fazer algo novo. “Como atriz, estou sempre à procura do que vou fazer a seguir. Depois de tantos trabalhos, estou num ponto em que apenas quero fazer coisas que nunca tenha feito antes”, contou à revista “People” em outubro.

Esta não foi a primeira vez que Nicole Kidman enfrentou momentos intensos em cena. Em “De Olhos Bem Fechados” (1999), de Stanley Kubrick, protagonizou momentos íntimos ao lado de Tom Cruise, que era seu marido na vida real. Em “Moulin Rouge” (2001), fingiu um orgasmo enquanto cantava para Ewan McGregor, sob a direção de Baz Luhrmann.

Para a realizadora Halina Reijn, criar um ambiente seguro para a protagonista foi uma prioridade desde o início. Reconhecida pelo trabalho como atriz nos Países Baixos, explicou à revista “W” que gravar cenas de sexo sem um coordenador de intimidade seria como filmar sequências de luta sem duplos.

“Já passei por momentos em que rastejava nua no chão sob o olhar de realizadores homens. Sentia-me insegura e humilhada, como se tivesse uma ferida aberta”, revelou. Ter um coordenador de intimidade no set ajudou a criar um ambiente de maior preparação, permitindo que os atores entregassem performances mais realistas. “Queria que aquelas cenas fossem escaldantes, mas também divertidas e autênticas. A sexualidade não é glamorosa como nos filmes de Hollywood dos anos 90”, acrescentou a cineasta.

Algumas cenas de “Babygirl” foram inspiradas na própria vida de Reijn. Após o lançamento do trailer, uma imagem de Nicole Kidman a beber um copo de leite tornou-se viral. Esse momento, de certa forma, remete a uma experiência pessoal da realizadora.

Na casa dos 30 anos, enquanto trabalhava no teatro, Reijn recorda-se de ter ido a um bar para relaxar após uma peça. Um jovem ator belga, “muito mais novo” do que ela, surpreendeu-a ao oferecer-lhe um copo de leite. “Achei sensual e hilariante. Nunca me esqueci daquela ousadia”, confidenciou.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estreiam em dezembro nas plataformas de streaming e canais de televisão.

ARTIGOS RECOMENDADOS