Cinema

Novo filme da Netflix é baseado num fenómeno japonês que vendeu 30 milhões de livros

Quando foi lançado no cinema na Ásia, "Golden Kamuy" arrecadou cerca de cinco milhões de euros em apenas três dias.
Já está no top 10.

Shigeaki Kubo começou como realizador de videoclipes. Desde então já deixou a sua marca em muitas outras áreas do entretenimento. Em 2016 foi o responsável pela criação da série “High & Low: The Story of S.W.O.R.D.“, onde cada episódio era visto, em média, por 5,2 milhões de espectadores no Japão. Agora está a repetir este sucesso com “Golden Kamuy”, que chegou à Netflix a 26 de maio — e já entrou no top 10 em Portugal.

Se o nome do filme lhe parece familiar, provavelmente é fã de animes. Trata-se de um live-action de um fenómeno que já havia sido retratado numa série de animação. O manga escrito e desenhado por Story Noda já vendeu cerca de 30 milhões de livros. A produção de Kubo estreou no Japão a 19 de janeiro deste ano e arrecadou cerca de cinco milhões de euros nos primeiros três dias.

A história desenrola-se na região de Hokkaido no início do século XX, numa altura em que os invernos são extremamente frios. O protagonista é Saichi Sugimoto (Kento Yamazaki), mais conhecido por Sugimoto, o Imortal, graças às técnicas de combate que aplicou durante a guerra entre a Rússia e o Japão. Passa os dias a procurar ouro naquela zona, com o objetivo de arrecadar a maior quantia possível, para um propósito que só é revelado aos espectadores mais tarde.

Durante a aventura descobre que existe uma pepita gigante roubada à tribo Ainu, os indígenas de Hokkaido. O homem responsável pelo furto escondeu aquele tesouro num local misterioso. Antes de ser capturado pelas autoridades, tatuou o corpo de 24 prisioneiros com pistas. Depois, libertou-os das celas. Durante o filme, o herói tenta capturá-los para resolver esta espécie de puzzle.

A ajudá-lo tem Asirpa (Anna Yamada), membro da tal tribo. O seu pai foi assassinado pelo homem que roubou o ouro e é por isso que se decide juntar a Sugimoto. Tal como Satoru Noda (o criador da banda-desenhada japonesa), o realizador do filme visitou a Rússia e esta zona do Japão para se inspirar. “Durante o tempo em que lá estive falei com muitos habitantes e eles contaram-me como tinham sido as vidas dos seus antepassados. Houve histórias arrepiantes”, conta Shigeaki Kubo ao “Crunchyroll” — uma plataforma semelhante à Netflix, mas apenas com animes.

Como seria de se esperar, Satoru Noda também colaborou na criação do filme e contou com a ajuda da sua mulher. “Tento não a envolver muito no meu trabalho, mas, neste caso, passei-lhe o guião para ela ler e aprovar, para perceber se estava tudo bem”, revela o mangaka (ou seja, o escritor de mangas, os livros de banda-desenhada do Japão).

As personagens do live-action mantêm-se muito fiéis àquelas que criou em 2014. São muito complexas e, intervenientes que ao início parecem ser vilões, tornam-se em heróis. “A qualidade de um trabalho decresce se personagens más se mantiverem assim do início até ao fim. Eu gosto que os meus bonecos mudem ao longo do tempo e é isso que acontece no filme, especialmente com o Sugimoto e com a Asirpa”, conta, desta vez, à “Shueisha Online”.

Embora a caça ao tesouro seja uma grande parte da história, “Golden Kamuy” não se resume a isso. Tal como explica o criador, nunca quis que o filme (e os próprios livros) fosse apenas sobre o ouro. “Queria escrever uma história sobre pessoas que tentam encontrar o seu propósito na vida e no mundo. Como isto é um drama com muitas personagens, tenho de dar profundidade a todas elas. Se não o fizesse, iria parecer que não me tinha esforçado”, reflete.

Graças ao sucesso do filme no Japão, o realizador Shigeaki Kubo pretende criar uma série live-action com os mesmos atores — e que será uma espécie de prequela à obra que já pode ver na Netflix.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estrearam em maio nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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