Cinema

Novo filme da Netflix é uma espécie de “Assalto ao Arranha-Céus” — mas no hospital

Um dos protagonistas da obra é Jon Voight, vencedor de um Óscar. A crítica, contudo, não está a gostar.
É um thriller de ação.

Imagine um “Die Hard” sem Bruce Willis e com uma mulher no papel principal, onde tudo acontece num hospital e não num arranha-céus. Assim é “Mercy”, o novo filme da Netflix que chegou à plataforma esta segunda-feira, 13 de maio.

A protagonista da história é Michelle (Leah Gibson), uma antiga médica do exército. Quando um grupo de criminosos cerca o hospital onde agora trabalha e rapta alguém que lhe é próximo, Michelle vê-se forçada a recorrer às suas habilidades estratégicas e de sobrevivência

Jon Voight, vencedor de um Óscar, é outro dos atores que integra o elenco. Dá vida a Patrick Quinn, o patriarca de uma família muito disfuncional — e o líder de um grupo criminoso. Um personagem que retrata um homem com muita experiência, algo que está habituado a fazer. “Mercy” segue o mesmo padrão, mas com um twist.

“Cheguei a uma certa idade e as pessoas vêm agora até mim com os mesmos papéis em que tenho de interpretar sempre um patriarca deste estilo. Esta, pelo menos, é uma personagem mais negativa e do mundo do crime”, conta Voight ao “Moviefone”.

Patrick tem um sotaque irlandês muito forte, algo que o norte-americano de 85 anos também já havia feito em 1998, no filme “The General”. O seu trabalho vocal na obra continua a ser considerado o melhor sotaque irlandês alguma vez reproduzido por um norte-americano.

Jon, porém, perdeu a prática e teve de treinar com uma equipa para poder dar voz a Patrick Quinn. “A rapariga que me ensinou era excelente. Trabalhou com todas as pessoas do meu grupo, que encarnava uma família de criminosos e elevou a nossa dicção a outro patamar.”

O grande desafio foi fazer com que o sotaque fosse aprovado por Jonathan Rhys Myers, outro dos protagonistas e natural da Irlanda. “Se ele dissesse que estava bom, então é porque estava realmente perfeito”, brinca.

Olhando para os seus últimos anos na indústria, Jon confessa que esta foi uma das experiências “mais divertidas” porque a sua personagem participa em grandes sequências de ação, algo que na sua idade já é raro acontecer. “Faz sentido porque o Patrick é perigoso e os espectadores tinham de o ver numa cena mais pesada.”

Apresentar uma personagem ao público de forma clara é algo que o ator tenta sempre fazer e, por isso, avalia atentamente os guiões que recebe. “É muito importante para conseguirmos criar uma história”, confessa. “‘Aqui está ele: é perigoso e consegue matar alguém facilmente’, por exemplo. É isso que lhes tento mostrar”, confessa.

Em “Mercy” reencontra-se com Jonathan Rhys Meyers, com o qual já tinha trabalhado em “Dangerous Game”, de 2022. Os atores tornaram-se grandes amigos. Quando Steven Paul, o produtor, ligou a Meyers, de 46 anos, disse-lhe logo que Voight estaria neste novo filme. “Se ele participar, eu também quero”, disse imediatamente. “Mais tarde, o Steven ligou-me para me dizer que o Jonathan iria entrar no filme. Só aí é que lhe disse que também estava interessado.”

O cineasta usou-os então como isco para os convencer a aceitarem os papéis. “Ele agarrou-nos através do afeto que sentimos um pelo outro. Tenho muito respeito por ele. Apesar de o conhecer pouco a um nível pessoal, admiro muito o trabalho que ele tem feito e o talento que possui”, garante. Esta proximidade faz todo o sentido e era mesmo necessária às suas personagens, visto que Rhys Meyers interpreta o filho de Jon.

“Mercy” já pode ser visto como uma mancha na carreira até agora impecável de Jon Voight, que já esteve em obras como “O Cowboy da Meia-Noite”, “Anaconda”, “Fim de Semana Alucinante” e “Comboio em Fuga”.

O seu mais recente projeto conta atualmente com uma pontuação de zero por cento no Rotten Tomatoes. “‘Mercy’ não é longo o suficiente para nos aborrecer até à morte — mas é longo o ideal para fazermos uma bela sesta”, diz o “Observer”.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que chegam às plataformas de streaming e canais de televisão em maio.

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