Cinema

Novo filme sobre Marilyn Monroe é acusado de ser “propaganda anti-aborto”

"Blonde" traz Ana de Armas no papel da icónica Norma Jean e é um dos filmes mais falados do ano. Polémica não falta.

Há mais de um ano que não se fala de outra coisa. Da escolha da protagonista às cenas de sexo, à acusação de que o filme de Andrew Dominik explora o trauma para lá do limite do aceitável. Agora, depois da grande estreia de “Blonde”, surge uma nova controvérsia.

De acordo com a organização norte-americana que promove o direito ao aborto, o filme “estigmatiza as decisões de saúde das pessoas”. É, na visão da Planned Parenthood, “propaganda anti-aborto”.

O filme que retrata a vida atribulada de Marilyn Monroe foca-se, a certa altura, nos dois abortos ilegais que a estrela realizou. Retrata-os como decisões forçadas, impostas à atriz e cantora, que a traumatizaram profundamente.

Há, inclusivamente, uma cena em que, através de efeitos especiais, o feto fala com a própria protagonista, interpretada por Ana de Armas. “Desta vez não me vais magoar, pois não?”

A discussão chega num momento delicado nos Estados Unidos, apenas três meses depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter considerado que os estados poderiam, individualmente, reverter as leis que estipulavam o direito ao aborto. Os ativistas não perdoam a opção artística tomada em “Blonde”.

“Os filmes e as séries influenciam o entendimento das pessoas relativamente à saúde reprodutiva e sexual. É vital que estas cenas retratem, de forma acertada, as decisões e experiências reais das mulheres”, explicou Caren Spruch, diretora da Planned Parenthood.

“Embora o aborto seja um cuidado de saúde essencial e seguro, muitos dos ativistas anti-aborto têm contribuído para a criação de um estigma, usando descrições médicas erradas sobre os fetos e a gravidez”, frisa. “O novo filme empodera essa mensagem, ao usar fetos gerados com efeitos especiais, mostrados como se se tratassem de um bebé completamente formado.”

O realizador contesta esta visão e considera que o filme “não é anti-escolha”. A culpa, diz, é da coincidência de ter chegado aos cinemas numa fase tão delicada no contexto social americano. “As pessoas estão obviamente preocupadas com a perda de liberdades. Ninguém se importaria se eu tivesse feito este filme em 2008 e provavelmente ninguém vai querer saber dele daqui a quatro anos.”

Carregue na galeria para conhecer as séries que vão estrear em outubro.

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