Cinema

Os “Novos Amigos Improváveis” são piores do que os antigos (mas sabem contar piadas)

Adaptação norte-americana estreia esta semana com Bryan Cranston e Kevin Hart.
A química dos dois atores é a melhor coisa do filme.
60

A história de Philippe Bozzo di Borgo e Abdel Sellou é verídica, foi contada num documentário (“À La Vie, à La Mort”) e transformada em ficção em 2011 com “Intouchables” (“Amigos Improváveis” em Portugal). Esse filme é tocante, tem sentido de humor e interpretações incríveis de François Cluzet e Omar Sy. Claro que o mercado norte-americano estava à espreita e comprou logo os direitos — porque alguma vez os norte-americanos se dariam ao trabalho de ver um filme em francês onde teriam de ler legendas? É muito mais cómodo para todos fazer uma nova versão.

Assim surgiu “The Upside” (ou “Novos Amigos Improváveis” na versão portuguesa) — que estreia em Portugal esta quinta-feira, 31 de janeiro — mas os atrasos foram tantos que, pelo meio, houve uma versão indiana (“Oopiri”) e outra argentina (“Inseparables”). O filme mudou de realizador (de Paul Feig para Neil Burger), de protagonistas (Bryan Cranston substituiu Colin Firth e Kevin Hart ficou com o papel para o qual estavam a ser considerados Chris Rock e Jamie Foxx) e perdeu a distribuidora (o projeto foi inicialmente desenvolvido pela Weinstein Company). Tudo isto devia ter sido um sinal de alerta para não avançar com a história. Ela já foi contada, e na perfeição, por isso para quê inventar?

A base da narrativa é praticamente a mesma. Phillip Lacasse (Bryan Cranston) é um homem rico, tetraplégico e que precisa de alguém com experiência para tratar dele no dia a dia. Dell (Kevin Hart) é o oposto disso, tem registo criminal e muito pouca vontade de trabalhar. Contudo, acaba por aceitar o emprego. A química entre os dois atores é tão natural que consegue esbater muitos dos erros e clichés do filme. O humor é claramente para americano ver mas, apesar de algumas piadas previsíveis, funciona.

Dell brinca com as incapacidade de Phillip não para se rir dele mas para que ele aprenda a rir-se também. Ao mesmo tempo, consegue sempre ver para lá das limitações (quando recusa transportá-lo numa carrinha equipada para deficientes motores ou lembra o vendedor de cachorros quentes que deve falar diretamente com Philip).

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