Cinema
ROCKWATTLET'S ROCK

Cinema

Nuno Lopes: acusação de violação deverá ser julgada num tribunal com júri

Ator entrou com pedido de um julgamento sumário, mas foi recusado. Juíza considerou que "aspetos cruciais do processo" devem ser avaliados por um coletivo.

A disputa judicial entre A.M. Lukas, a norte-americana que garante ter sido violada, e Nuno Lopes está longe de estar encerrada. A 25 de junho do ano passado, a defesa do ator tinha solicitado um julgamento abreviado, argumentando que “as provas apresentadas até ao momento, demonstram que não foi responsável pelas acusações que lhe são imputadas”.

A diligência tentava evitar um julgamento com júri e obter uma resolução mais célere do processo. Contudo, o pedido foi indeferido pelo tribunal na audiência que decorreu na passada sexta-feira, 9 de janeiro, à qual Nuno Lopes compareceu por Zoom, assim como a queixosa, A.M. Lukas.

A magistrada Nina R. Morrison fundamentou a sua decisão na legislação norte-americana, que “reserva a um júri a avaliação de certos aspetos cruciais do processo”. Assim, o caso de agressão sexual, onde o ator é o principal arguido, poderá mesmo a ser julgado em tribunal com um júri popular.

A defesa de Nuno Lopes tem até 30 de janeiro de 2026, para apresentar uma nova moção, caso deseje que o Tribunal considere elementos adicionais, antes de ser proferida a decisão final sobre os moldes do julgamento. O ator, por sua vez, continua a negar veementemente todas as acusações.

O incidente remonta a 2006, quando A.M. Lukas alega ter sido drogada e violada pelo ator, na sequência de um encontro no Festival de Tribeca, em Nova Iorque. A ação judicial foi instaurada em novembro de 2023, na mesma cidade. Na sequência do processo, o ator publicou um comunicado onde afirmou não poder adiantar muito em sua defesa, por questões jurídicas, mas negando todas as acusações.

Além disso, Nuno Lopes realçou que lhe tinha sido sugerido um “acordo confidencial”, prontamente recusado por ele, por preferir “defender o seu bom nome contra mentiras”. Michael J. Willemin, advogado de A.M. Lukas, por sua vez desmentiu o ator, adiantando que apenas lhe teria sido pedido que assumisse a alegada violação, sem ninguém lhe pedir dinheiro para um acordo confidencial.

Após uma fase de desmentidos mútuos, e gorada a possibilidade de atingirem um acordo que permitisse evitar a ida a julgamento, o processo acabou por chegar à barra do Tribunal. Agora, a avaliar pelos últimos desenvolvimentos, é pouco provável que venha a ter um desfecho célere.

Paralelamente ao processo judicial, Nuno Lopes mantém a sua atividade profissional, estando atualmente em cartaz no Teatro Maria Matos, em Lisboa, com a peça “Arte”, de Yasmina Reza, sob a direção de António Pires. 

ARTIGOS RECOMENDADOS