Cinema

“O amor faz-nos fazer coisas malucas”: os traumas de Will Smith e o murro a Chris Rock

Na biografia que lançou no final de 2021, o ator falou dos problemas de violência doméstica que viveu em miúdo.
O ator acabou por chorar durante a cerimónia.

No discurso que fez assim que recebeu o Óscar de Melhor Ator, Will Smith pediu desculpa pela reação violenta que protagonizou minutos antes. Subiu ao palco da gala após Chris Rock ter feito uma piada sobre a mulher, Jada Pinkett Smith, e deu-lhe um soco. Já com a estatueta na mão, tentou justificar a agressão: “o amor faz-nos fazer coisas malucas”.

“Sei que para fazer o que fazemos temos de ser capazes de sofrer abusos, de ouvir pessoas a falarem mal de nós e a desrespeitarem-nos. Temos de sorrir e fingir que está tudo bem”, acrescentou. Algo que não conseguiu fazer, como o mundo acabara de ver.

A história pessoal de Smith pode — de certa forma — explicar a reação que teve na última entrega de prémios dos Óscares. Em “Will”, o livro de memórias que publicou no final de 2021, o ator falou dos episódios de violência doméstica sobre a mãe que ele e os três irmãos presenciavam com frequência. “Vi-a cuspir sangue. Naquele momento, naquele quarto, provavelmente mais do que qualquer outro momento da minha vida, definiu quem sou”, escreveu.

Os pais separaram-se quando o ator era ainda adolescente. Só se divorciaram em 2020. Apesar de posteriormente ter desenvolvido um relacionamento próximo com pai — sobretudo após este ter sido diagnosticado com cancro — revelou que pensou em matá-lo.

“Parei no topo das escadas. Podia atirá-lo escadas abaixo e facilmente me safaria. Mas no momento em que décadas de dor, raiva e ressentimento acalmaram, abanei a cabeça. Continuei a encaminhá-lo até à casa de banho.”

Sobre a relação complicada com o progenitor, escreveu ainda: “somos julgados pelas ações e não pelas explosões internas motivadas por traumas”. Apesar de no livro refletir sobre a necessidade de não agir de forma explosiva a situações presentes, como resposta inconsciente a eventos passados, isso acabou por não acontecer nesta madrugada de segunda-feira, 28 de março.

A relação do ator com a violência não se resume ao que presenciou na infância. Em 1989, no início da carreira, Will Smith foi preso por uma agressão ao produtor de música William Hendricks. Na sequência deste caso, foi indiciado por conspiração criminosa e por colocar uma pessoa em perigo de forma imprudente. Porém, as acusações acabaram por ser todas retiradas mais tarde.

Na última entrega dos prémios Bafta, a apresentadora Rebel Wilson também brincou com a mulher de Will Smith. A comediante disse que o melhor desempenho do ator até ao momento era a “forma como mostra viver bem com todos os namorados de Jada Pinkett Smith”. O ator comentou a piada de Wilson afirmando que nunca existiram infidelidades no seu casamento.

Na biografia, falou ainda dos ciúmes que sentia em relação a Jada. Ainda assim, não foi um episódio do género que o levou a levantar-se da plateia e a atacar Chris Rock.

“No início da relação, a ligação entre os dois torturava-me. Ele era o Pac [Tupac Shakur, famoso rapper e ator, ex-namorado de jada]. Eu era eu. Ele fazia com que me considerasse um cobarde. Odiava não ser como ele era. Queria que a Jada olhasse para mim como olhava para ele”, escreveu.

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