A ligação única entre um homem e o seu cão é o centro da narrativa de uma das estreias mais aguardadas do ano. “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”, o novo filme protagonizado por Brad Pitt, chega aos cinemas nacionais a 24 de setembro.
O ator norte-americano interpreta James Belmont, um antigo militar que fica isolado na natureza selvagem do Alasca depois do avião em que viajava sofrer um acidente. A sua única companhia é Odin, o seu antigo cão de combate, interpretado por Uber, um pastor-alemão com experiência como cão de resgate de montanha na Nova Zelândia. Num cenário carregado de perigo, a ligação entre os dois torna-se essencial para enfrentar os desafios que surgem pelo caminho. E é precisamente essa relação – feita de confiança, coragem e lealdade – que promete dar ao filme uma dimensão emocional que vai muito além da ação.
Normalmente, uma produção deste género teria cerca de 20 semanas para preparar os cães para um papel tão exigente. Neste caso, a equipa teve apenas 12. Uber acabou por ser o principal cão utilizado para interpretar Odin, acompanhado por três dos seus filhos — Seeka, Ryker e Hondo — que funcionaram como duplos em diferentes momentos da produção.
Para tornar convincente a relação entre os dois, Pitt teve de fazer algo pouco habitual para uma super estrela do cinema: aprender a trabalhar com um cão como se fosse um verdadeiro parceiro de cena. Durante o período das gravações, treinou com Uber e com a equipa especializada em comportamento animal, criando a confiança necessária para que a ligação entre James e Odin fosse o mais profunda e realista possível.
O processo obrigou também a alguma improvisação. Uber aparece em grande parte do filme e, ao contrário de um ator humano, não segue marcações nem sabe quando deve começar uma cena. “Segui-lo e improvisar é realmente como fazemos as cenas”, explicou Brad Pitt, num vídeo de promoção do projeto. O ator de 62 anos chegou a ter de interromper momentos mais emocionais para chamar o cão de volta — muitas vezes com a recompensa de alguns biscoitos.
David Ayer, realizador de “Heart of the Beast”, sabia desde o início que trabalhar com um animal seria um dos maiores desafios da produção. “Brad considerava-se realmente um ator secundário em relação ao cão, mas ao mesmo tempo também era o seu treinador”, contou à revista “Entertainment Weekly”. Ayer chegou mesmo a colocar Uber como o “número um” da folha de serviço, numa brincadeira que refletia a importância que o animal teria na história.
Mais do que executar truques, Uber teve de transmitir uma relação de confiança com Pitt. Para o ator, essa ligação acabou por ser uma das partes mais especiais da experiência. “É realmente bonito ver no filme como trabalham juntos e dependem exclusivamente um do outro”, explicou.
Havia ainda outro desafio: o cenário. Apesar da história se passar no Alasca, o filme foi filmado na Ilha Sul da Nova Zelândia, entre florestas, rios, montanhas e glaciares. As condições eram tão imprevisíveis que a natureza acabou por funcionar como mais uma personagem.
“Este ambiente tornou-se a sua própria personagem e começou realmente a falar. O nosso trabalho, enquanto cineastas, era ouvi-lo”, explicou o realizador responsável por outros filmes de sucesso, como “Fúria” ou “Esquadrão Suicida”.
No centro de tudo está, por isso, uma relação que vai muito além da habitual dinâmica entre protagonista e animal de companhia. James e Odin são antigos parceiros de combate e, depois do acidente, tornam-se também a única hipótese de sobrevivência um do outro. Entre temperaturas extremas, terrenos hostis e perigos inesperados, o filme acompanha a forma como os dois aprendem a confiar ainda mais um no outro.









