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“O Chef”: o popular filme de Jon Favreau vai ser exibido à borla em Lisboa

O Cinema Fernando Lopes está a receber o ciclo especial “Luz & Sombra: Retratos do Trabalho no Cinema Contemporâneo”.

Se existem filmes que podem ser comparados aos pratos reconfortantes da infância, o “O Chef”, é, certamente, um deles. Em 2014, quando Jon Favreau decidiu fazer uma pausa nas mega produções de super-heróis para escrever, realizar e protagonizar um projeto independente, não estava apenas a mudar de género cinematográfico; estava a criar um fenómeno cultural que acabaria por sair do grande ecrã para as cozinhas da vida real.

O filme vai ser exibido gratuitamente esta quinta-feira, 29 de janeiro, no Cinema Fernando Lopes, em Lisboa, no âmbito do ciclo “Luz & Sombra: Retratos do Trabalho no Cinema Contemporâneo”, organizado pela Upper Side – Career Management & Advisory (empresa especializada na gestão e aconselhamento de carreira).

Para compreender o impacto de “O Chef”, é preciso olhar para o que Favreau estava a viver no universo Marvel na época. Após ter lançado as bases do MCU ao realizar os dois primeiros filmes do “Homem de Ferro”, Favreau encontrava-se numa posição de enorme responsabilidade, mas de algum desgaste criativo. Em 2013 e 2014, embora tivesse passado o testemunho da realização de “Homem de Ferro 3” a Shane Black, Favreau continuava profundamente envolvido como produtor executivo da saga “Vingadores” e, claro, a encarnar o carismático Happy Hogan.

O filme “O Chef” é, na verdade, uma metáfora sobre a sua própria carreira: tal como o protagonista Carl Casper, que se sente sufocado pelas exigências comerciais de um grande restaurante, Favreau sentia a pressão de gerir orçamentos de centenas de milhões de euros. Fazer um filme de baixo orçamento sobre uma food truck foi uma espécie de regresso às raízes, trocando os efeitos visuais pela autenticidade de uma chapa quente.

A história acompanha Carl Casper (Favreau), um conceituado chef de Los Angeles que entra em ruptura criativa. Oprimido por Riva (Dustin Hoffman), o dono do restaurante que rejeita a possibilidade de renovar o menu, Carl acaba por explodir num confronto que se torna viral, contra um temido crítico gastronómico (Oliver Platt). Sem emprego, Carl viaja para Miami a convite da sua ex-mulher, Inez (Sofia Vergara). Lá, ao trincar uma autêntica sanduíche cubana, redescobre a sua essência. Com a ajuda do filho Percy e do fiel amigo Martin (John Leguizamo), recupera uma carrinha de venda ambulante em mau estado e lança o El Jefe, uma food truck com a qual cruza os Estados Unidos “a vender comida com alma e ritmo latino“.

Um dos trunfos de “O Chef” é o elenco recheado de estrelas, algo pouco comum neste tipo de filme de baixo orçamento. A lista de nomes sonantes inclui muitos atores da “família Marvel”, em prestações graciosas. Robert Downey Jr., por exemplo, aceitou fazer uma participação especial gratuita como Marvin, o empresário que cede a carrinha a Carl. A sua cena com Favreau é uma pérola de improvisação que recorda a química entre os personagens Tony Stark (AKA Homem de Ferro) com Happy Hogan.

Já Scarlett Johansson interpreta Molly, a empregada de mesa com quem tem uma relação próxima, entre a amizade e o flirt. A cena em que Carl lhe prepara uma pasta aglio e olio tornou-se um marco entre as produções de cozinha no cinema. O prato aparentemente simples tornou-se viral, com várias tentativas de imitação nas redes sociais. Muitos aspirantes a cozinheiros perceberam rapidamente que aquilo que parecia fácil de preparar exigia uma técnica que poucos dominavam. O segredo consiste em dourar o alho lentamente no azeite até que fique caramelizado, mas nunca queimado. 

Apesar da dimensão modesta do projeto, Favreau não queria que o seu “O Chef” fosse recebido como uma caricatura de Hollywood à profissão — e empenhou-se na preparação do papel. Para representar Carl de maneira realista, o ator e realizador procurou a consultoria de Roy Choi. O chef de origem coreana, que revolucionou o conceito “comida de rua” nos EUA, com o Kogi BBQ, não se limitou a ensinar Favreau a picar cebolas. O ator acabou por fazer uma espécie de curso (privado) de cozinha e o resultado saltou à vista: desde os movimentos de faca, à limpeza da chapa, os gestos do personagem são tecnicamente rigorosos.

As imagens dos treinos, captadas para serem usadas apenas como material promocional do filme, acabaram por ganhar vida própria. Favreau e Choi estenderam a parceria à televisão na série “The Chef Show”, na Netflix. O formato estreou em 2019 e ao longo de duas temporadas, a dupla recebeu nomes como Tom Holland, Gwyneth Paltrow, os irmãos Russo, Bill Burr ou Seth Rogen para cozinhar e conversar.

A sessão de “O Chef” no Cinema Fernando Lopes, em Lisboa, está marcada para as 19 horas. A entrada é gratuita (limitada à capacidade da sala), mediante inscrição online.

Carregue na galeria para conhecer algumas das séries e temporadas que chegaram em janeiro às plataformas de streaming e canais de televisão.

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