Cinema

“O Criador”: filme de ficção-científica mais aguardado do ano chega aos cinemas

Protagonizado por John David Washington, debate a relação da humanidade com a inteligência artificial. Estreia esta quinta-feira.

Estamos no ano 2070 e será escusado dizer que o mundo é um lugar muito diferente do nosso. Não apenas a nível tecnológico, mas também a nível geopolítico. Neste mundo, os EUA continuam a ser uma superpotência, mas sob um nome diferente: o Ocidente. E o Ocidente está em guerra com um conjunto de nações a leste, agora conhecido como Nova Ásia. A razão para o grande conflito? Claro, a inteligência artificial.

Este é o cenário para um dos mais aguardados blockbusters de ficção científica do ano, “O Criador”, que chega às salas de cinema nacionais esta quinta-feira, 28 de setembro. Um filme que traz John David Washington como grande protagonista.

De volta à narrativa: o Ocidente baniu todo o uso de Inteligência Artificial depois de um software ter começado a agir por contra própria e ter lançado uma bomba nuclear sobre Los Angeles. No entanto, do outro lado do mundo, na Nova Ásia, humanos e máquinas inteligentes continuam a viver em relativa harmonia.

Nessa região, a IA evoluiu para criar uma raça de robôs que parecem, falam e, de forma algo notável, revelam sentimentos e emoções tal como os humanos. Quem gosta pouco da ideia é o Ocidente, que continua a ver as máquinas como o inimigo.

Com o objetivo de eliminar o inimigo de uma vez por todas — e arrancar pela raiz os novos avanços da IA —, é enviada uma força militar rumo à Nova Ásia. O líder desta missão decisiva é o veterano Joshua Taylor (interpretado por John David Washington). Taylor viveu infiltrado na Nova Ásia e é casado com uma local. É, portanto, o homem certo para a missão.

A missão é mais complexa do que se pensaria à partida. O objetivo passa por encontrar e neutralizar uma nova e secreta arma da IA, uma suposta criação de um misterioso e temido programador conhecido como Nirmata, termo hindu para o criador.

Encontrada a arma, surge outro desafio. É que a arma apresenta-se na forma de uma inofensiva menina de sete anos. Alphie, interpretada novata Madeleine Yuna Voyles, ainda está a aperfeiçoar as suas habilidades potenciadas pela IA, mas uma vez chegadas ao ponto certo, podem ser suficientemente poderosas para destruir o mundo. Ou talvez signifiquem a possibilidade de um novo começo. É essa perceção que começa a incitar Taylor a questionar a lealdade e o objetivo real da sua missão.

“Elimina-a ou seremos extintos”, avisa o trailer, ao som de “Dream On” dos Aerosmith. O filme é dirigido por Gareth Edwards (“Rogue One”, “Godzilla”), que escreveu o guião com Chris Weitz. O elenco conta com nomes como Allison Janney, Ken Watanabe e Sturgill Simpson.

A ideia de uma parceria entre um adulto e uma criança acompanha Edwards há anos, desde que viu um vídeo de um dos filmes “Lone Wolf and Cub”, uma série inspirada em mangas japoneses sobre um assassino e o seu filho de três anos. “Era um samurai e uma criança pequena. Cativou-me instantaneamente graças a uma dinâmica interessante. Aquilo ficou-me na cabeça.”

Em vez de fazer um filme de samurais, Edwards, de 48 anos, regressou ao seu género favorito e foi buscar inspiração a clássicos distópicos como Blade Runner e animação manga Akira. “Adoro ficção científica. Na verdade, não vejo, nem me interesso, nem consumo ficção científica que não passa de um drama no espaço. Não é a minha onda. O que adoro na ficção científica é que pode ser uma espécie de analogia ou alegoria para o nosso mundo atual.”

“O Criador” faz exatamente isso, ao agarrar nos temas tão atuais da inteligência artificial e ao misturá-los com o terror geopolítico. Também por isso optou por usar os cenários do sudeste asiático — e o cenário do Vietname foi escolhido por mais motivos do que apenas a beleza dos cenários. É nas imagens reais da guerra travada pelos EUA na região que foi também buscar inspiração.

“Estamos a usar a ficção científica como uma metáfora para o outro, a questão do nós e eles”, explica. A verdade é que Edwards não está apenas a navegar na onda da IA. Os trabalhos do filme começaram em 2017, quando fez uma viagem de três semanas à Tailândia e começou a ponderar usar o cenário como argumento para a história.

Com mais de uma centena de críticas lançadas nas primeiras horas após a estreia, “O Criador” mostra que é um dos mais aguardados filmes de ficção científica do ano. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, garantiu um 76 por cento, entre elogios e algumas críticas.

“O espetáculo é a grande estrela, o que é pouco para sustentar a duração de mais de duas horas. Ainda assim, é um projeto de alto nível de engenho e que fica extremamente cool no grande ecrã”, diz a “The Atlantic”. “Uma peça rara de cinema mainstream que prova que, quando em boas mãos, os efeitos especiais são bons para a arte”, escreve o “The Independent”. “Com pouca concorrência que lhe seja comparável, será provavelmente o mais impressionante e imersivo filme de ficção científica do ano”, conclui o “AV Club”.

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