Cinema

“O Enfermeiro da Noite” é um bom filme sobre uma história assustadora

Jessica Chastain e Eddie Redmayne estão ótimos nos seus papéis. Leia a crítica da NiT.
Eddie Redmayne é o enfermeiro.
70

Estreou a 26 de outubro e rapidamente se tornou num dos filmes mais vistos do momento na Netflix. Ocupa agora o primeiro lugar do top 10 das tendências da plataforma de streaming. Falamos de “O Enfermeiro da Noite”, drama-thriller inspirado numa aterradora história real. A NiT já assistiu ao filme.

A narrativa desenrola-se durante o ano de 2003, nos EUA. Jessica Chastain interpreta Amy Loughren, uma enfermeira que é mãe solteira. A compaixão com os seus pacientes é notória, mas os longos turnos no hospital também a deixam exausta e com pouco tempo para as duas filhas pequenas.

Além disso, Amy sofre de um problema cardíaco e está num impasse. Precisa de um transplante de coração e o médico recomenda-lhe que repouse e pare de trabalhar. No entanto, não pode parar de trabalhar porque só quando celebrar um ano enquanto enfermeira naquele hospital é que tem direito ao tão necessário seguro de saúde.

Faltam quatro meses para Amy cumprir os 12 meses e promete ser um período complicado, à medida que a sua exaustão se torna mais evidente e começa a ter dificuldades em respirar — além disso, não quer que ninguém no hospital saiba de nada, para que não perca o trabalho. 

A sua vida muda para melhor quando o hospital contrata um novo enfermeiro para o turno da noite. Eddie Redmayne interpreta o simpático e delicado Charles Cullen, que rapidamente se torna num bom companheiro. Ajuda-a no que ela precisa, tanto em relação aos pacientes como nos ataques que a enfermeira começa a sofrer no hospital. Tornam-se bons amigos e Charles até passa a frequentar a casa de Amy e a conviver com as suas filhas.

Aos poucos, porém, uma verdade sinistra e obscura vem ao de cima. A polícia está a investigar um caso de uma morte suspeita no hospital. Uma paciente faleceu de forma inesperada, a instituição conduziu uma investigação interna, mas a polícia não consegue realizar o seu trabalho: a mulher foi cremada, pelo que não é possível realizar uma autópsia; e a unidade hospitalar não colabora tanto como deveria.

Os agentes Baldwin e Braun entrevistam o pessoal do hospital — e é precisamente numa conversa com Amy que se apercebem de um erro de dosagem de medicamentos que provavelmente terá provocado a morte daquela paciente. Quando outros casos se sucedem, e tendo em conta o histórico de Charles Cullen, as suspeitas recaem sobre o enfermeiro.

O hospital tem como único objetivo não ser responsabilizado por nenhuma das mortes, para que não tenha de pagar indemnizações nem sair prejudicado. Acabam por conseguir despedir Cullen, desprendendo-se por completo dele, graças a um detalhe burocrático. Amy fica numa posição difícil.

A enfermeira percebe que o seu bom amigo é, afinal, um assassino. E sem mais ninguém a quem recorrer, a polícia precisa dela para que cheguem à verdade e para que impeçam Charles Cullen de continuar a trabalhar em hospitais — não durou muito tempo nos sítios por onde passou, mas nunca nenhuma instituição tomou medidas sérias para resolver o (muito grave) problema.

Amy Loughren torna-se, assim, na heroína da história — e a enfermeira da vida real colaborou na concretização do filme, que tem sido apresentado como sendo bastante fiel ao que se passou. Jessica Chastain está irrepreensível como esta mulher doce e exausta que dá por si, de repente, em completo choque ao descobrir as práticas obscuras do seu amigo. As cenas que os dois partilham após a descoberta são particularmente intensas.

Eddie Redmayne também volta a mostrar as suas grandes qualidades como ator. O filme realizado por Tobias Lindholm procurou não explorar a história de Charles Cullen além daquilo que Amy Loughren sabia. Toda a narrativa é contada da perspetiva da enfermeira, a “The Good Nurse” do título original — sendo que a tradução optou por se focar na personagem de Redmayne. As muitas nuances e complexidades de Cullen, cuja motivação nunca entendemos (de qualquer forma, nunca haveria uma justificação), estão espelhadas da melhor forma no seu rosto e linguagem corporal, na forma como fala e reage ao que acontece.

“O Enfermeiro da Noite” é um filme simples, conciso, que conta bem uma história aterradora (a vários níveis, incluindo a forma como os hospitais americanos lidaram com os crimes), mas impressionante. Cumpre exatamente aquilo a que se propõe — e as duas performances principais são realmente o que eleva o filme.

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