Cinema

O filme português que está em negociações para se tornar uma série da Netflix

“Homo Verum” é uma curta-metragem com Virgílio Castelo que está em pós-produção. É um drama histórico com elementos de terror.
Foi gravado em abril.

“Glória”, a primeira série portuguesa da Netflix, estreou a 5 de novembro. Em simultâneo, há outros projetos nacionais que estão a ser negociados com a plataforma de streaming. Um deles é uma curta-metragem intitulada “Homo Verum”, que está neste momento em fase de pós-produção.

Foi gravada durante quatro dias no mês de abril, por uma equipa de 30 pessoas — e ronda os 25 minutos de duração. É um projeto de três jovens cineastas, os portugueses Gonçalo Valle e Renato Dias, e o eslovaco Bruno Mojs.

Os três são os responsáveis pela produtora Elite Pictures, baseada em Inglaterra, mas que desenvolveu este trabalho em Portugal em co-produção com a mais experiente AG Films — que está em contacto direto com a Netflix.

A curta-metragem foi realizada como um piloto, já com o intuito de a apresentar à plataforma de streaming, para potencialmente se tornar algo maior. “A ideia original era transformar num filme [de longa duração], mas agora estamos a falar da possibilidade de a transformar numa série”, explica Gonçalo Valle à NiT.

O ator Vírgilio Castelo interpreta um médico mais velho.

Trata-se de uma história passada em 1894. “Gabriel, um rapaz que acabou de sair da universidade — do curso de medicina —, vai passar uma temporada com um médico mais velho, que vive numa mansão isolada. Eventualmente surgem alguns dramas com a mulher do médico mais velho, que acaba por se envolver com o mais novo. É um filme que se foca muito em questões morais — no que é certo, no que é errado”, acrescenta Gonçalo Valle, que foi o principal responsável pela cinematografia.

Virgílio Castelo interpreta o médico mais velho, enquanto Tiago Aldeia tem o papel de Gabriel. Inês Aguiar interpreta a esposa da personagem de Castelo. “Viram isto como uma oportunidade para mostrarem o outro tipo de atores que são. Estão tão habituados a fazer o mesmo tipo de papel em novelas e coisas do género, que tendo oportunidade de fazer um projeto assim mais esquisito…”

Gonçalo Valle descreve a narrativa como um drama histórico com elementos de terror psicológico. O jovem de 21 anos aponta “Midsommar”, do americano Ari Aster, como uma referência para chegar ao tom deste filme. “É o tipo de terror psicológico que está muito bem feito, e tentámos ter alguns elementos desse filme — e de outros, claro.”

O cineasta explica que o guião nasceu a partir do local onde filmaram, na zona de Vale de Prazeres, no Fundão. “Sabíamos que queríamos fazer um projeto muito ambicioso para os recursos que tínhamos. Neste caso tinha acesso a uma localização única, por isso começámos a criar a história a partir daí — um espaço histórico, muito bem conservado. Tínhamos uma ideia genérica do tema e foi o Bruno que pegou nisso e desenvolveu a história, com feedback meu e do Renato.”

Inês Aguiar é outra das atrizes que participa em “Homo Verum”.

Terminaram recentemente o design de som, com a colaboração de uma compositora de Los Angeles, e estão agora a tratar da coloração. O objetivo é estar concluído em janeiro. Só depois se definirá futuro deste trabalho. Gonçalo Valle explica que já enviaram uma versão provisória que serve de apresentação, mas estão à espera do produto final para mostrarem oficialmente à plataforma de streaming.

“O plano principal é a Netflix, embora caso não corra bem, pensamos noutras plataformas a quem apresentar. Para já está tudo um bocadinho dependente do fim da pós-produção. Toda a gente está a querer ver o produto final, é nisso que nos temos estado a focar. A partir daí fica um bocadinho nas mãos da nossa casa de co-produção, de levarem o projeto para a frente e verem o que conseguimos fazer.”

Gonçalo Valle, que também esteve a trabalhar como técnico de luz na rodagem da prequela de “A Guerra dos Tronos” em Portugal, diz que a porta da Netflix está aberta e que estão à espera da curta-metragem. “Daí também estarmos a levar um bocadinho mais de tempo, porque estamos a tentar polir isto o máximo possível.”

Se as plataformas de streaming não quiserem pegar no projeto para o transformar numa série (ou num filme), “Homo Verum” vai sempre ver a luz do dia enquanto curta-metragem, no circuito dos festivais de cinema. De qualquer forma, em breve vai ser lançado um trailer.

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