Cinema

O filme sobre o cadáver que enganou os nazis acabou de chegar aos cinemas portugueses

"Operação Secreta", com Colin Firth e Matthew Macfadyen, estreou nos cinemas portugueses esta quinta-feira, 9 de junho.
Matthew Macfadyen, Colin Firth e Johnny Flynn.

Pode um homem morto tornar-se num herói de guerra? O “não” parece ser óbvio, mas na realidade, que muitas vezes supera a ficção, nem sempre é a resposta correta. A história contada em “Operação Secreta“, filme protagonizado por Colin FirthMatthew Macfadyen, comprova isto mesmo, ao acompanhar Ewen Montagu e Charles Cholmondeley, dois notáveis agentes dos serviços secretos que, com a ajuda do jovem Ian Fleming (Johnny Flynn), traçam a estratégia de desinformação mais criativa da segunda guerra, utilizando o cúmplice menos previsível: um cadáver.

A ação desenrola-se em 1943, quando os Aliados estão determinados a quebrar o domínio de Hitler sobre a Europa. Para isso, decidem atacar a Sicília (Itália). Por ser um alvo demasiado óbvio, uma vez que o domínio da ilha significava o controlo da navegação no Mar Mediterrâneo, enfrentam o sério risco de verem as suas tropas massacradas pelo inimigo. Surge, portanto, a necessidade de criar um elemento surpresa para conseguir uma vantagem. Traçam um plano ousado, a que chamam Operação Mincemeat.

A ideia é lançar um cadáver perto da praia de Punta Umbría (Huelva, Espanha) com uma pasta repleta de documentos falsos. O objetivo? Levar os agentes de espionagem nazis que o encontram a acreditar que os Aliados se preparam para invadir a Grécia, e não a região italiana. O plano britânico conseguiu enganar os alemães, que deslocaram regimentos inteiros da Sicília para a Grécia e os Balcãs.

O corpo do galês Glyndwr Michael, que morreu aos 34 anos em condições dúbias sobre se terá sido suicídio ou envenenamento acidental, foi o escolhido para protagonizar a encenação, de acordo com o livro do historiador Ben Macintyre sobre a farsa, que serve de inspiração à longa-metragem.

Os restos mortais do ajudante involuntário foram entregues ao legista Bentley Purchase, que havia sido alertado para a importância de encontrar um cadáver com ferimentos semelhantes aos que teria uma vítima de queda de avião em que o paraquedas não funcionou como o esperado.

Cholmondeley e Montagu assumiram então a tarefa de transformar Glyndwr Michael no comandante William Martin. A escolha do nome deveu-se ao facto de ser relativamente comum entre os fuzileiros navais britânicos. Já a atribuição do posto de capitão deveu-se à necessidade deste ter um cargo que fosse alto o suficiente para transportar documentos secretos, mas não ao ponto de ser um rosto conhecido pelos rivais.

Foi igualmente necessário decidir quais os pertences quotidianos, que qualquer um poderia ter consigo, que estariam na posse do recém-criado William Martin. Chaves, selos, cigarros, fósforos, um medalhão de São Cristóvão, uma carta do pai e um aviso de um cheque especial do banco foram alguns dos escolhidos. Para não serem danificados pela água, todos os documentos foram escritos com uma tinta especial.

A noiva de Martin, um jovem chamada Pam que, na verdade, era a oficial da inteligência britânica Jean Lesley, constituía um dos aspetos mais convincentes da nova identidade, revela Ben Macintyre.

“O nível de detalhes em que entraram foi incrível — eles até vestiram o suposto uniforme e peças íntimas de Martin para que parecessem roupas usadas na medida certa”, detalha o historiador, citado pelo “G1”.

Definida a história, o cadáver foi levado até ao “ponto de entrega”. Seria descoberto por um pescador de sardinha, perto da cidade de Huelva, a 30 de abril de 1943. Logo os seus documentos, que indicavam um ataque à Grécia, chegaram às mãos da inteligência militar alemã.

Um telegrama falso enviado pelos britânicos aos espanhóis, intercetado pelos alemães, reforçou a narrativa. “Documentos secretos provavelmente em uma pasta preta. Informações necessárias o mais rápido possível. Devem ser recuperadas imediatamente. Deve-se tomar cuidado para que não caiam nas mãos erradas”.

Por acreditarem na história, as tropas do Eixo deslocaram as tropas e a invasão à Sicília começou. A região seria tomada um mês depois, a 10 de julho de 1943. Começava, assim, a dissolução da Itália fascista. Depois de Benito Mussolini, caiu Hitler.

O sucesso da missão, que contribuiu para o encurtar a guerra e o salvar centenas de vidas, fez com que o corpo de Glyndwr Michael acabasse por ser enterrado em Huelva com todas as honras militares. “A única coisa que fez que valeu a pena aconteceu depois da sua morte”, descreveu Montagu sobre a missão protagonizada pelo galês.

“Operação Secreta” chegou aos cinemas portugueses esta quinta-feira, 9 de junho. Carregue na galeria e descubra outras novidades do mês que vale a pena ver na televisão e nas plataformas de streaming.

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