Cinema

“O Fotógrafo de Minamata”: o novo filme de Johnny Depp inspirado numa história real

Dois anos após a estreia no Festival de Cinema de Berlim, chega agora aos cinemas portugueses.
Johnny Depp é o protagonista.

Meses depois de protagonizar um dos julgamentos mais mediáticos dos últimos anos (que o opôs à ex-mulher e também atriz Amber Heard), Johnny Depp está de volta aos cinemas portugueses. O ator americano de 59 anos interpreta a personagem principal de “O Fotógrafo de Minamata”, que estreia nas salas esta quinta-feira, 15 de setembro.

O filme, que estreou originalmente no Festival de Cinema de Berlim em 2020, conta uma história real. Johnny Depp interpreta o fotojornalista W. Eugene Smith em 1971. O profissional tornou-se reconhecido pelos seus ensaios fotográficos para a revista “Life”. Nesse ano, chegam-lhe relatos de algo tenebroso que se está a passar no Japão.

Na cidade de Minamata, que fica na ilha de Kyūshū, a terceira maior do país asiático, existe uma crise de saúde pública motivada pela ganância da indústria. É uma tradutora japonesa que, noutro trabalho, conhece Smith e o convence a viajar para Minamata para documentar aquela realidade. Mais tarde, essa tradutora tornar-se-ia a mulher do fotojornalista.

Quando chega a Minamata, Smith apercebe-se dos efeitos devastadores que o excesso de mercúrio — causado pela indústria — está a provocar nas comunidades costeiras. Entre os sintomas incluem-se dormência nas mãos e pés, fraqueza muscular, perda de visão periférica, danos na audição e na fala e ataxia (que abrange diversos problemas de falta de coordenação muscular).

Em casos mais extremos, esta doença neurológica que ficou mesmo conhecida como Minamata — por ter sido identificada ali primeiro — pode mesmo causar paralisia, insanidade, coma e morte. A doença era causada pelas descargas de mercúrio nas águas por uma fábrica de químicos do grupo empresarial Chisso.

Munido apenas da sua máquina fotográfica, W. Eugene Smith enfrentou uma empresa poderosa, responsável por uma enorme poluição ambiental, que tinha como cúmplices as próprias autoridades e o governo. Para captar as imagens que lhe permitiriam alertar o mundo para o problema, teve de conquistar a confiança dos locais.

Em simultâneo, foi obrigado a manter a perseverança perante as represálias da empresa industrial e das pressões do poder local. Não demorou muito até ser repatriado para os EUA. Mas as suas imagens foram eficazes em mostrar esta realidade ao mundo e tornaram-no num ícone do fotojornalismo.

O filme foi realizado e escrito por Andrew Levitas. As gravações aconteceram no Japão, mas também na Sérvia e em Montenegro. Originalmente, Johnny Depp iria receber o equivalente a seis milhões de euros pelo papel, mas aceitou reduzir o pagamento para metade para manter o projeto de baixo orçamento viável. No elenco estão ainda nomes como Akiko Iwase, Katherine Jenkins, Bill Nighy e Minami.

“Esta história deveria ser conhecida em todo o mundo. Estes erros continuam a acontecer por todo o planeta e deveriam ser vistos, deveria haver alguém a verificar estas coisas. Estou muito contente por termos contado esta história desta maneira”, disse Johnny Depp em entrevista à revista “Variety” sobre o projeto. Depp já era fã de W. Eugene Smith. “As fotografias dele são além do intrigante.”

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