Apesar de ter morrido em 1997, quando tinha apenas 30 anos, o legado e a música de Jeff Buckley continuam vivos. Na década de 90, o artista destacou-se pela voz hipnótica e ousadia artística, sendo extremamente reconhecido pela sua interpretação de “Hallelujah”, de Leonard Cohen. A revista “Rolling Stone” também incluiu seu álbum de estreia, “Grace”, na lista dos 500 melhores discos de sempre.
Todos esses feitos, e muitos mais, estão reunidos no novo documentário “It’s Never Over, Jeff Buckley”, que foi lançado nos EUA em 8 de agosto. Este ano, chegará ainda à HBO Max.
A realizadora Amy Berg afirmou que rever horas de filmagens de arquivo de Buckley, tanto em atuações como em entrevistas, foi um verdadeiro trabalho de amor. Recorda que, quando crescia nos anos 90, a maior parte da música que ouvia nos concertos era ruidosa e com inspiração punk. Ao descobrir “Grace”, senti uma mudança profunda: “Fez-me assentar, tirou-me de um ambiente muito intenso. O Jeff Buckley tem esta forma de fazer com que sintamos algo verdadeiro”, conto ao site “The Verge”.
A produção apresenta imagens inéditas do arquivo de Buckley e conta com novas entrevistas com sua mãe, Mary Culbert, e as ex-namoradas Rebecca Moore e Joan Wasser, bem como testemunhos dos antigos colegas da banda Michael Tighe e Parker Kindred, e dos cantautores Ben Harper e Aimee Mann.
“Passei praticamente toda a minha carreira a tentar fazer este filme, que oferece um olhar muito íntimo sobre um dos maiores cantores e compositores de todos os tempos”, acrescenta o cineasta. “Estou liberado por a Magnolia e a HBO se eles juntos para compartilhar este trabalho com o mundo, permitindo que velhos fãs e novos públicos vivam a experiência de conhecer o Jeff a partir deste ponto de vista único.”
O documentário retrata também como Buckley seguiu as pisadas do pai, o cantor e compositor Tim Buckley — que morreu aos 28 anos, quando Jeff tinha apenas oito — e iniciou sua própria carreira musical ao assinar contrato com a Columbia Records. Em 1993, lançou a gravação ao vivo Live at Sin-é e, em agosto de 1994, seu único álbum de estúdio, “Grace”, três anos antes de sua morte. Desde então, seu legado não parou de crescer.
Quando o filme estreou no Festival de Sundance, em janeiro, a revista “Rolling Stone” escreveu que a obra “faz justiça ao legado de Buckley”. Segundo a crítica, “a mãe de Buckley, Mary Guibert, sempre foi extremamente protetora em relação ao filho e às suas canções, mas abriu os cofres para o filme de Berg”, lê-se.
“Há fotografias de Buckley bebê, rechonchudo e sorridente, e outras dele adolescente com um corte de cabelo típico de metaleiro; vídeos a tocar em bandas da escola secundária; espreitadelas a cadernos preenchidos com uma caligrafia elegante e inconfundível; e música de todas as fases de sua carreira, desde rascunhos a versões finais. A banda sonora inclui também mensagens de voz — incluindo a última que deixou à mãe — e diálogos de sessões de gravação. As raridades são tantas que o filme se sente tanto como uma visita guiada a um arquivo quanto como um álbum de recortes vivo.”
No agregador Rotten Tomatoes, a produção conta atualmente com uma pontuação de 97 por cento. “O filme é especialmente bem-vindo pela vasta coleção de imagens de atuações ao vivo, que confirma de forma brilhante a amplitude das influências e do som do cantor”, escreveu o jornal “The Washington Post”.
Buckley mudou-se para Nova Iorque no início dos anos 90, onde começou a ganhar notoriedade com atuações intimistas em cafés e pequenos clubes, especialmente no Sin-é, local que se tornou emblemático para a sua ascensão. Em 1994, lançou “Grace”, que se destacou pela mistura de rock alternativo, folk, sould e influências clássicas.
A sua carreira foi curta, mas intensa. Em 29 de maio de 1997, no auge da sua criatividade, enquanto preparava o segundo disco, “My Sweetheart the Drunk”, o artista morreu.
Durante uma noite descontraída com amigos, decidiu ir nadar totalmente vestido no rio Wolf, um afluente do Mississipi. Foi apanhado por uma corrente causada pela passagem de um barco e desapareceu. Seu corpo foi encontrado seis dias depois.
“Sketches for My Sweatheart the Drunk” saiu postumamente, com algumas músicas inacabadas que poderiam ter chegado ao segundo álbum de originais.
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