Cinema

“O Menu” junta Fiennes e Taylor-Joy num cenário de terror digno de uma estrela Michelin

Estreou esta quinta-feira. Conta a viagem de 12 pessoas até uma ilha remota em busca de uma experiência gastronómica inesquecível.
Ralph Fiennes é um dos protagonistas.

Esta quinta-feira, 1 de dezembro, estrearam nos cinemas vários filmes apetecíveis. Depois de “Ossos e Tudo” e “Noite Violenta”, falamos-lhe de “O Menu”. Trata-se de uma história que cruza elementos de terror com comédia, a primeira longa-metragem dirigida por Mark Mylod — um veterano da televisão que realizou episódios de séries como “Succession”, “A Guerra dos Tronos” ou “Shameless”.

No filme, um grupo de 12 pessoas viaja para uma ilha remota para um jantar íntimo muito especial. Trata-se de uma experiência exclusiva de alta cozinha, pensada pelo pretensioso chef Slowik (Ralph Fiennes), que idealizou um menu de degustação repleto de teatralidade — e que custa 1.250€ por pessoa.

O grupo de comensais é bastante heterogéneo: uns entendem mais de gastronomia do que outros. Uns vêm de famílias historicamente abastadas, outros são novos-ricos. Lá no meio está Tyler (Nicholas Hoult), um aspirante a chef fascinado com tudo aquilo que lhe é apresentado à mesa. É um fã acérrimo de Slowik, embora suspeite que o chef o despreze.

Consigo trouxe Margo (Anya Taylor-Joy), uma confirmação de última hora, que tem uma vida mais comum e que é bastante cética em relação aos pratos servidos pela equipa ao serviço de Slowik. Não se entusiasma propriamente quando chega uma dose que mistura uma espuma e um conjunto de folhas, por exemplo. E a sua presença vai, em última análise, melindrar o chef — que preparou tudo ao mais ínfimo pormenor, a pensar num grupo específico de convidados.

Claro que, sendo este um filme marcado por algum terror, rapidamente a refeição se vai transformar num banho de sangue para algumas das personagens. Nem todos vão chegar ao fim do menu de degustação — embora isso também esteja previsto n’”O Menu” do chef. Todos foram chamados àquela ilha com um propósito sinistro.

Como aconteceu noutras ocasiões no cinema, neste filme a alta cozinha é equiparada à riqueza extrema. E o enredo acaba por refletir sobre a absurdez que tudo isto pode representar — a personagem de Anya Taylor-Joy é o contraponto, a pessoa que veio de um contexto e uma classe social distinta, uma espécie de anti-heroína.

Para se preparar para o papel, Ralph Fiennes assistiu a inúmeros episódios de “Chef’s Table”, na Netflix, como contou à revista “Variety”. “Adoro o programa, cada personagem, cada cozinheiro é retratado de forma brilhante. Ver os episódios foi uma experiência muito recompensadora.” Além disso, passou algum tempo com Dominique Crenn, chef francesa que já conquistou três estrelas Michelin. Ralph Fiennes pôde observá-la no ambiente de cozinha para preparar a sua interpretação de Slowik. 

“Não tanto em relação ao trabalho em si, porque sou o chef, só cozinho num momento perto do final. Foquei-me mais em tudo o resto que vai acontecendo cozinha. Ela deu-me muitas dicas sobre como me comportar, como me mover, como falar com as pessoas. Aprendi muito sobre a comunicação numa cozinha. Foi ótimo, e também me deu uma desculpa para tentar cozinhar em casa”, brincou o ator britânico de 59 anos.

O elenco inclui ainda nomes como Hong Chau, Janet McTeer, Paul Adelstein, John Leguizamo, Aimee Carrero ou Reed Birney, entre outros.

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